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A mostrar mensagens de dezembro, 2017

A vingança serve-se rápido

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Como estava previsto, a eleição regional de ontem na Catalunha não resolveu absolutamente nada, revelando-se um erro de cálculo monumental de Rajoy, que, a juntar à impressionante performance do Ciudadanos, pode condenar o seu governo minoritário a novas eleições nos próximos meses. Se já se esperava que os resultados não fossem conclusivos, a vitória do bloco liderado por Puigdmont, composto pelo partido independentista de centro-direita que tem dominado a política catalã nos últimos 40 anos e por uma série de candidatos da sociedade civil, sobre a Esquerda Unida, veio complicar ainda mais a situação. Apesar de esta ser a primeira eleição em que a direita separatista não representa o maior grupo parlamentar (teve menos 3 deputados e 4% dos votos que o C's, representado o seu pior resultado de sempre), ganhou o estatuto de maior força pró-independência contra todas as expetativas, dando ao pouco talentoso Puigdmont um importante trunfo nas negociações com Madrid. Sendo a pri...

Confusão permanente

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Hoje, a Catalunha terá eleições regionais, convocadas por Mariano Rajoy depois da pseudo-declaração de independência de Carles Puigdemont. Temos como ponto assente que estas eleições só aumentaram o caos na região, tal como a tomada de poder direto por parte de Rajoy e o referendo e consequente declaração de independência. O que também parece claro é que os seus resultados não trarão qualquer tipo de conclusão a este processo, servindo apenas para prolongar a agonia de uma região cujos problemas se resolveriam com um simples, justo e bem organizado referendo. O medo que o Primeiro-Ministro tem deste possível plebiscito é compreensível. Afinal, é graças à sua linha intransigente na questão do federalismo/eventual independência de partes de Espanha que o PP se tem aguentado como força política de poder, apesar dos escândalos de corrupção constantes e da sua herança ideológica duvidosa (o partido é um produto da união de forças de centro-direita associadas a Suárez , movimentos liber...

O mito do Presidente cerebral

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Já todos assistimos a este ciclo. Donald Trump diz/faz alguma coisa manifestamente estúpida, o Mundo reage em choque através das redes sociais, surgem inúmeros painéis de analistas para explicar o que é que se passou e, por fim, aparece o consenso generalizado de que a ação do Presidente não foi afinal estúpida, mas sim calculada e estratégica, sendo fácil de explicar se tivermos em conta as suas particularidades ideológicas e as da sociedade americana. Quando Trump decidiu reconhecer Jerusalém como capital de Israel, assistimos a mais um episódio desta já famosa saga. Afinal, o Presidente respondia apenas aos anseios dos seus aliados internos e externos, sendo esta ação perfeitamente coerente com o que prometera em campanha. Tudo certo, o reconhecimento de Jerusalém é um assunto muito importante para uma das fações Republicanas mais responsáveis pela sua vitória em 2016: a direita cristã, que engoliu um sapo do tamanho do Texas ao votar num homem que tinha posições periclitantes ...

Cansados de ganhar

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Donald Trump foi dos candidatos mais peculiares da História dos E.U.A., um bilionário anti-sistema, um Republicano libertino, um conservador populista e um homem de negócios que não era particularmente competente a fazê-los. Esta combinação extraordinária de fatores não impediu uma maioria relativa do eleitorado Republicano de nomeá-lo para ser seu porta-estandarte me 2016, oferecendo ao povo americano uma infeliz escolha binária. À esquerda, a candidata era vista com insuficientemente populista, à direita o problema era o contrário. No fim, fazendo jus ao nome deste blog, ganhou Donald Trump, mas desde o primeiro momento que o sentimento foi que o mérito não era seu, mas que a sua vitória se devia a um profundo demérito a nível estratégico e comunicativo da sua adversária. Se assim pareceu na altura, quase um ano depois de ter tomado posse podemos começar a ter a certeza disso. O Presidente tinha prometido ao seu eleitorado que este "iria ganhar tanto que até se iria cansar ...