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Não saber ler nem esperar

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Saber ler resultados eleitorais nos Estados Unidos exige duas coisas cada vez mais raras: paciência e ponderação. No dia 6 de Novembro ninguém quis usar nenhuma das duas e o resultado foi uma leitua perfeitamente idiota dos habituais "paineleiros" que transbordou para a opinião pública e para a cabeça de um Presidente cada vez mais iludido e isolado no seu mundinho. Os resultados das eleições intercalares foram uma brutal rejeição da agenda deste Presidente, com uma histórica vitória para os democratas na House, uma resistência impressionante destes no Senado, e vitórias brutais ao nível estadual. Qualquer leitura de que os E.U.A. estão divididos e que este resultado esteve perto de um empate foi formulada para o imediato da noite eleitoral, antes de se contarem os resultados da Costa Oeste e não corresponde minimamente ao que se passou. É preciso perceber que no Oeste não só as urnas fecham muito mais tarde, como muitos votos vêm por correio, e podem ser entregues até a...

Guerra de trincheiras

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Não, não vimos com o discurso clássico de que já não há esquerda nem direita e que o populismo vai acabar com o Mundo como o conhecemos. Não vamos perder tempo a escrever sobre a difusão de ideais xenófobas com tiques de autoritarismos que ameaça a ordem vigente, esse assunto já foi explorado até à exaustão. Vimos, no entanto, abordar a forma miserável como tanto a direita e a esquerda têm vindo a lidar com este fenómeno. Queremos criticar a política do “ou estás comigo ou contra mim” venha de onde venha. Esta sociedade binária em que reconhecer racionalidade num argumento condenável ou mesmo legitimidade numa opinião divergente são atos de traição gravíssimos está a cansar-nos e por isso queremos fazer uma análise crítica que toque todos os cantos do espectro político. Comecemos pela direita. Os políticos de direita vivem num dilema constante em que tentam agradar a todos nas suas “fileiras”. Ora, as fileiras destes partidos revelam, mais do que nunca, uma falta de homogeneidade ...

Não há pão para malucos

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Donald Trump prepara-se para retirar os Estados Unidos do Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos, apenas 10 dias depois de, no Canadá, ter mandado passear os seus principais aliados, recusando-se a fazer concessões no que toca à sua absolutamente idiota guerra comercial. Os pedidos de reintegração da Rússia no G-7, que parecem ignorar que a nação tinha sido expulsa pela sua nefasta agressão à Ucrânia e pelos insultos que dirigiu a Justin Trudeau ("fraco e desonesto"), foram apenas a cereja no topo do bolo de estrume que serviu aos seus parceiros, em mais uma prova de brutal desrespeito pelos valores do Ocidente e, principalmente, do seu país, que arquitetou esta Ordem Mundial. No meio disto tudo, ainda abandonou os exercícios militares com a Coreia do Sul; tudo para agradar o seu novo melhor amigo stalinista, não fossem os ditadores árabes e autocratas europeus deixá-lo a sentir-se sozinho. Por estas concessões feitas a um Estado prisão, Trump conseguiu um com...

República das bananas

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Passaram 3 meses desde que o povo italiano foi às urnas produzir os resultados mais estranhos e perigosos que se podiam imaginar. Nesses três meses mantive-me pensativo, resignado, olhando para as constantes voltas do processo de formação de governo com um misto de descrença e vergonha alheia, enquanto via algumas das personagens menos recomendáveis da Europa Ocidental a brincar à roleta russa da política com a 3ª maior economia da Zona Euro. Não foram poucas as vezes em que pensei começar a escrever um artigo sobre Itália, só para parar a meio, completamente perdido e com a certeza do que nada do que me tinham dito naquele dia seria verdade no dia seguinte. Tive de esperar três meses, mas, finalmente, depois de me certificar mais do que uma vez de que Giuseppe Conte tinha mesmo sido empossado como Primeiro Ministro, posso dizer que consigo analisar Itália, e as repercussões que as eleições de Março terão no seu futuro. Começando pelo dia das eleições, as surpresas não foram tanto...

Orgulho e irresponsabilidade

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Tivemos corrupção, sede de poder, facadas nas costas e vira-casacas, numa cena de drama inédita na história da Democracia espanhola. Para perceber esta crise governativa, há que analisar, não só o momento da queda aparatosa de Rajoy, mas também o caminho que fizeram todos os outros partidos até aqui. De um canto ao outro do espectro, encontramos várias pessoas que tiveram um comportamento absolutamente condenável, o que,  num país que precisa de encontrar soluções de fundo para as suas divisões,  não é nada recomendável. O meu primeiro alvo é o PP, um aparelho de corrupção que anda a ser confundido com um partido político desde 1989. Nascido das cinzas do franquismo, pelas mãos dos mesmos intervenientes, falamos de um partido que, durante anos, procurou dividir a sociedade espanhola com uma retórica unionista primária e irracional, a que juntou um conservadorismo social enjoativo, enchendo os ouvidos do eleitorado de moralismo e nacionalismo, ao mesmo tempo que a sua clas...

Um erro colossal

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Após uma semana de elogios constantes à maneira pouco polida mas eficaz como esta Administração gere a política externa dos E.U.A., somos violentamente relembrados do quão incompetente é este Presidente e das ameaças constantes que coloca à paz mundial. Anos de diplomacia convencional deixaram o Mundo cheio de problemas por resolver e este "cowboy" nova-iorquino prometia resolver cada um deles com um misto de insultos no Twitter, discursos inflamatórios e apertos de mão confrangedores. Como era de esperar, esta narrativa não sobreviveu muito mais que uma semana, em grande medida por estar rotundamente errada. As comparações feitas com o estilo de Reagan não passavam de uma análise básica e pouco estruturada, e os créditos que recebeu devido à cimeira entre as Coreias não são mais do que um exemplo de que a imprensa está há 30 anos a comprar todas as mentiras que Trump decide espelhar e a aproveitá-las para vender jornais. Esta retirada do Acordo Nuclear do Irão é um con...

Bright side of the Moon

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Um ambicioso acordo foi hoje assinado entre as Coreias. O fim da guerra, a desnuclearaização, e uma eventual unificação foram alguns dos aspetos negociados entre Kim Jong-Un e Moon Jae-In, que culminam num dos momentos mais relevantes da História da Península. Como é que isto foi possível? Que papel tiveram líderes internacionais como Trump e Xi no processo? E, principalmente, será que isto não é só fogo de vista? Poucos me poderão acusar de desvalorizar a importância do papel dos Estados Unidos no Mundo, mas o ruído que vem dos cantos mais trumpófilos da sociedade ocidental está claramente a dar um papel exagerado à intervenção do Presidente americano nesta solução. É verdade que a pressão feita pela Administração Trump junto da comunidade internacional veio isolar ainda mais o regime do Norte, e que a personalidade irrascível e falta de tato de Trump tenham levado Moon a arregaçar as mangas e procurar trabalhar sem os E.U.A. para encontrar uma solução. Agora, é importante não co...