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A mostrar mensagens de setembro, 2016

Uma Crescente Simpatia pela Secretária

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À medida que o tempo passa, fraqueza minha ou mérito de Hillary Clinton, vou sentindo uma crescente simpatia pela Secretária. Sim, os mais práticos e experientes dirão que é apenas uma reação desesperada à perspetiva de ter Trump na liderança do mais importante executivo do mundo. Talvez seja verdade. Mais verdade ainda é que isso pouco interessa. Se é fruto de um estímulo fatalista, ou genuína solidariedade minha, a verdade é que Clinton - o robot desumano sem carisma, o bicho Washingtoniano corrupto, a fraca figura incoerente e sem palavra - tem conseguido, passo a passo, pé ante pé, penetrar num terreno vagamente emocional, altamente volátil e indefinido, mas que pode ganhar muitos votos, se com os eleitores americanos se verificar este estranho fenómeno que ainda toma as suas proporções iniciais em mim. Não é admiração, pois a razão, mesmo que perturbada por um laivo de emotividade política, não permitiria tal coisa. Não é entusiasmo político, porque todos sabem mais ou...

Hillary 1-0 Trump: Superioridade com classe

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Um dia depois, faço uma análise a frio do primeiro debate Presidencial. Um debate em que Hillary esteve mais calma, mais humana e mais preparada e se superiorizou a um Trump que não se afastou quase nada da sua mensagem das Primárias, o que teria sido vital pra ter uma hipótese. O debate começa com Trump a tratar Hillary por "Secretary" em vez de usar a alcunha que tanto gosta "Crooked Hillary" (Hillary Desonesta, se tentarmos traduzir um expressão muito típica). Este sinal de respeito e uma tentativa de se manter na mensagem de proteção da economia e das pessoas mostrava um Trump que podia exceder as expectativas nos primeiros 10 minutos. Com o passar do tempo, Trump foi-se afundando cada vez mais. Mostrando uma clara falta de preparação e muito nervosismo. Cada provocação de Hillary, por mais pequena que fosse, parecia pegar sempre. A Democrata nem teve de se esforçar muito, porque parecia que Trump queria mesmo estar na defensiva e só falar de si. No enta...

As Vantagens do Pânico

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Donald Trump anunciou a sua campanha há mais de um ano e desde aí ninguém se tem aproveitado melhor do pânico que ele. Explorando o medo de perder o trabalho para imigrantes presente nos trabalhadores do setor primário e secundário, o receio pós-11/09 em relação aos muçulmanos, o temor em relação ao crescente poderio económico da China e militar da Rússia, o Republicano tem-se mostrado perito na exploração do pânico dos eleitores, especialmente dos menos informados. Apesar de tudo isto, quem pode neste momento usar o pavor alheio para vencer as eleições é Hillary Clinton. Desde que Hillary quase caiu a entrar no carro há duas semanas e disse que metade dos apoiantes de Trump podia ser posta num "cesto de deploráveis" (o que, apesar de parecer apropriado, foi bastante polémico) as sondagens não têm sido meigas. Neste momento, a eleição parece próxima, com Trump a vencer todos os swing-states fáceis para um Republicano normal nesta eleição (Florida, Ohio, Carolina do ...

França 2017: Os Outros (desta vez com direito a candidatos à segunda volta)

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Desde a 2ª Guerra Mundial que a política Francesa se divide entre a direita (a partir de 1958 personificada por De Gaulle) e o centro-esquerda do PS. Só 3 vezes desde então é que a segunda volta das Presidenciais não foi discutida entre estas duas facções (em 1969 e 1981 candidatos de centro intrometeram-se, em 2002 foi a vez da extrema-direita). Este ano, poderemos ver este fenómeno raro repetir-se. Os eurocéticos do DLR e os Verdes têm estado na casa dos 5% e não deverão incomodar. O histórico Movimento Democrático, que representa o centro liberal, será provavelmente liderado de novo por François Bayrou, presidente da Câmara de Pau e deverão repetir o comportamento de 2012, em que estiveram perto dos 10%. Por fim, a passar a barreira dos 10% estará o candidato do Partido de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, ex-deputado e ministro do PS. Todos estes votos passarão para os dois candidatos que chegarem à segunda volta, e 25/30% do eleitorado não é coisa pouca. Passando ao que intere...

França 2017: O Regresso, O Super-Político e o Emplastro

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Os Estados Unidos têm 470 eleições para realizar daqui a menos de dois meses, mas já estou a pensar para além disso. Em 2017, teremos duas eleições que mudarão o futuro da Europa. Na Primavera, as Presidenciais Francesas culminarão com a coroação de um candidato que terá ultrapassado três processos eleitorais. Depois, teremos as eleições legislativas alemãs no Outono, mas isso fica para depois. Os Republicanos (ex-UMP, por sua vez ex-RPR, por sua vez ex-UDR... vou parar, mas, só para que saibam, isto ainda tinha tido mais três nomes) são o novo Partido da direita Francesa, fundado em 2015 por Sarkozy, que basicamente reformulou a UMP. Herdeiros da herança do Gaulismo (culto pouco saudável de Charles de Gaulle, parecido com o culto de Ronald Reagan nos seus homólogos americanos) e das suas ideias de patriotismo e visão para a República. Ao bom estilo de Sarkozy, que criou este Partido e lançou dois livros no último ano  para tentar relançar a sua imagem, não se percebe bem os ...

França 2017: PS e a deprimente queda de Hollande

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As eleições de 2017 em França já estão a aquecer. Numa altura em que as primárias de cada partido já fazem correr muita tinta, e em que todos os analistas políticos parecem já ter o cenário da 2ª volta desenhado, pomo-lo a par de todos os acontecimentos. Começando pelo PS, o Partido que tem governado o país com muitos escândalos à mistura desde 2012. Uma gestão fraquíssima da economia e dos parceiros sociais impediu um crescimento mais pujante e criou um clima de insustentável instabilidade social durante largos períodos. O tão apregoado regresso à social-democracia teve resultados desastrosos, com o desemprego a crescer desde 2012, em contraste com o resto do Mundo, um êxodo das grandes fortunas, que foram taxadas em demasia, e uma economia estagnada e pouco competitiva. Juntando as controvérsias amorosas de Hollande a este descalabro, nem a ideia de um Presidente em tempos de guerra o pode salvar. Normalmente, nem haveria primária no Partido do incumbente, mas Hollande tem um...

Segredos a mais, verdade a menos

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Ontem, Hillary Clinton sentiu-se mal num evento de homenagem às vítimas dos ataques do dia 11 de Setembro de 2001. A candidata saiu rapidamente da cerimónia, perdendo as forças quando entrava no seu carro. O que é que isto interessa num mundo ideal em que as campanhas são sobre ideias? Nada. O que é que isto interessa na eleição de 2016? Muito, mesmo muito. Hillary Clinton será, quando tomar posse, a segunda pessoa mias velha a assumir o cargo. Com 69 anos, será ultrapassada por Reagan apenas por meses. Já Trump seria o Presidente mais velho de sempre se fosse eleito. É portanto legítimo questionar se os candidatos terão capacidade física e mental para cumprir com os extenuantes requerimentos do trabalho mais difícil do Mundo. O primeiro a dar sinal de fraqueza será certamente punido nas sondagens, e quem começou foi Hillary. O incidente tem grande impacto mediático, mas não custa uma eleição. O que pode custar uma eleição é desonestidade e falta de vontade para partilhar infor...

Competência Precisa-se

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O mandato de Barack Obama está quase a acabar, e ainda bem. O Presidente nº 44 deixa um legado de falta de competência a lidar com adversários externos e internos absolutamente assustador. Obama abusou dos seus poderes constitucionais e afastou-se do papel de "polícia do Mundo" de forma rápida e irresponsável. Oito anos depois da primeira eleição de um homem que é melhor a criar vídeos virais do que a gerir as relações com a Rússia, há alguma esperança num mandato melhor para a sua sucessora. Apesar das críticas (merecidas), Hillary Clinton chegará à presidência com muito mais experiência do que o seu antecessor. Tendo ajudado o seu marido na governação do Arkansas e do país inteiro, com uma agenda marcada pela defesa da família e das crianças, passando 8 anos como Senadora pelo 2º maior Estado do país e assumindo a política externa americana nos primeiros 4 anos do mandato de Obama (e com ela Putin não brincava), a futura primeira mulher Presidente contrasta (e de qu...

Corrida ao Senado: Parte III

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Regressa a análise às eleições mais importantes e interessantes deste ano nos Estados Unidos. Com que Senado irá a presidente Hillary Clinton contar? Com um que colabora ou com um que se coordena com a Câmara baixa Republicana para ir contra todas as suas iniciativas? Com as Presidenciais mais que decididas, estas eleições vão marcar-se por uma diferenciação grande entre os Republicanos, que querem manter o emprego e o idiota que aparece antes deles no boletim. Conseguir o equilíbrio entre o extremismo de Trump e as ideias próprias de cada candidato parece a receita ideal,mas Rob Portman (Ohio), que num "post" anterior tinha sido apontado como favorito à derrota por se afastar de Trump e  da base mais radical do Partido, tem surpreendido tudo e todos com uma campanha fantástica e totalmente afastada das ideias de Trump, liderando confortavelmente nas sondagens e vendo os Democratas a desinvestir na campanha do seu adversário. Hoje, contarei a história de mais três ...