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A mostrar mensagens de 2017

A vingança serve-se rápido

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Como estava previsto, a eleição regional de ontem na Catalunha não resolveu absolutamente nada, revelando-se um erro de cálculo monumental de Rajoy, que, a juntar à impressionante performance do Ciudadanos, pode condenar o seu governo minoritário a novas eleições nos próximos meses. Se já se esperava que os resultados não fossem conclusivos, a vitória do bloco liderado por Puigdmont, composto pelo partido independentista de centro-direita que tem dominado a política catalã nos últimos 40 anos e por uma série de candidatos da sociedade civil, sobre a Esquerda Unida, veio complicar ainda mais a situação. Apesar de esta ser a primeira eleição em que a direita separatista não representa o maior grupo parlamentar (teve menos 3 deputados e 4% dos votos que o C's, representado o seu pior resultado de sempre), ganhou o estatuto de maior força pró-independência contra todas as expetativas, dando ao pouco talentoso Puigdmont um importante trunfo nas negociações com Madrid. Sendo a pri...

Confusão permanente

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Hoje, a Catalunha terá eleições regionais, convocadas por Mariano Rajoy depois da pseudo-declaração de independência de Carles Puigdemont. Temos como ponto assente que estas eleições só aumentaram o caos na região, tal como a tomada de poder direto por parte de Rajoy e o referendo e consequente declaração de independência. O que também parece claro é que os seus resultados não trarão qualquer tipo de conclusão a este processo, servindo apenas para prolongar a agonia de uma região cujos problemas se resolveriam com um simples, justo e bem organizado referendo. O medo que o Primeiro-Ministro tem deste possível plebiscito é compreensível. Afinal, é graças à sua linha intransigente na questão do federalismo/eventual independência de partes de Espanha que o PP se tem aguentado como força política de poder, apesar dos escândalos de corrupção constantes e da sua herança ideológica duvidosa (o partido é um produto da união de forças de centro-direita associadas a Suárez , movimentos liber...

O mito do Presidente cerebral

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Já todos assistimos a este ciclo. Donald Trump diz/faz alguma coisa manifestamente estúpida, o Mundo reage em choque através das redes sociais, surgem inúmeros painéis de analistas para explicar o que é que se passou e, por fim, aparece o consenso generalizado de que a ação do Presidente não foi afinal estúpida, mas sim calculada e estratégica, sendo fácil de explicar se tivermos em conta as suas particularidades ideológicas e as da sociedade americana. Quando Trump decidiu reconhecer Jerusalém como capital de Israel, assistimos a mais um episódio desta já famosa saga. Afinal, o Presidente respondia apenas aos anseios dos seus aliados internos e externos, sendo esta ação perfeitamente coerente com o que prometera em campanha. Tudo certo, o reconhecimento de Jerusalém é um assunto muito importante para uma das fações Republicanas mais responsáveis pela sua vitória em 2016: a direita cristã, que engoliu um sapo do tamanho do Texas ao votar num homem que tinha posições periclitantes ...

Cansados de ganhar

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Donald Trump foi dos candidatos mais peculiares da História dos E.U.A., um bilionário anti-sistema, um Republicano libertino, um conservador populista e um homem de negócios que não era particularmente competente a fazê-los. Esta combinação extraordinária de fatores não impediu uma maioria relativa do eleitorado Republicano de nomeá-lo para ser seu porta-estandarte me 2016, oferecendo ao povo americano uma infeliz escolha binária. À esquerda, a candidata era vista com insuficientemente populista, à direita o problema era o contrário. No fim, fazendo jus ao nome deste blog, ganhou Donald Trump, mas desde o primeiro momento que o sentimento foi que o mérito não era seu, mas que a sua vitória se devia a um profundo demérito a nível estratégico e comunicativo da sua adversária. Se assim pareceu na altura, quase um ano depois de ter tomado posse podemos começar a ter a certeza disso. O Presidente tinha prometido ao seu eleitorado que este "iria ganhar tanto que até se iria cansar ...

O Burro Ainda Vai Coxo

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Observadores atentos de política americana concluirão pelos resultados eleitorais da semana passada, e pela enorme dificuldade republicana para lidar com o seu terrível candidato ao Senado no Alabama, que 2018 terá tudo para ser um ano fantástico para os Democratas. Se nem num bastião do GOP como o Estado de Forrest Gump a liderança no Congresso consegue arranjar um candidato que, ao mesmo tempo, agrade minimamente ao eleitorado e... sei lá... não seja um teocrata lunático com antecedentes de pedofilia, o que será do Partido Republicano para o ano, quando forem a votos os 435 membros da Câmara dos Representantes, 33 dos 100 membros do Senado e 36 dos 50 Governadores da Nação (com respetivos Congressos estaduais). Ainda por cima, com as taxas de aprovação de Trump a não passarem dos 39%. Não admira que dois Senadores e 24 Congressistas republicanos tenham anunciado que este será o seu último mandato em Washington.... O problema é que "são precisos dois para dançar o tango...

The End is Near

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Apesar de a Presidência de Trump ainda nem ter um ano, a cortina final parece, como cantava Sinatra, aproximar-se. As eleições de ontem na Virginia e New Jersey, a juntar a outras eleições menores um pouco por todo o país, mostraram que a coligação que levou Trump à Casa Branca se está a desmoronar e que a impopularidade do Presidente será provavelmente fatal para os Republicanos a concorrer nas eleições intercalares, de 2018, tanto para o Congresso como para os órgãos estaduais. A capacidade que os Democratas mostraram em eletrizar o seu eleitorado num ano sem Presidenciais (o que não é nada normal) deixa excelentes indicadores, tal como o facto de terem conseguido consolidar e melhorar as prestações de Clinton em zonas suburbanas, outrora bastiões Republicanos, cujo eleitorado ainda foi fundamental para a eleição de Trump. Começando pelas eleições menos importantes, no extremamente Republicano Utah para substituir o congressista James Chaffetz (que vai para a FOX News), foi el...

Consolida, filho, consolida!

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A cantoria de intervenção estaria orgulhosa deste título; e o tema até se presta em parte às preferências políticas de José Mário Branco. O poder autoritário - incluindo o da República Popular (do povo, sempre do povo, Zé Mário) da China - anda a consolidar-se em homens fortes.  Esta tendência leva-nos a questionar se não valerá a pena repensar os versos do "FMI!", e se não será mais acertado clamar 'Xi Jinping! Não há força que retorça o Xi Jinping!' Mas visitemos primeiro a Turquia: o Presidente Recep Erdogan tem revelado os seus ímpetos autoritários desde há muito. O Golpe de Estado falhado  de há ano e meio, que viu o objetivo de retirar Erdogan do poder completamente frustrado, foi o pretexto ideal para o Presidente Turco e os seus compinchas começarem uma purga que está longe de terminar. Jornalistas, ativistas, opositores políticos... todos são ameaças ao regime, e todos vítimas da autoridade do Presidente. O   referendo  de há uns meses foi apenas a conf...

A Revolta dos Elefantes

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Na semana passada deu-se um passo de gigante no que poderá ser o descolar do "establishment" do Partido Republicano do seu errático Presidente. A ala não-populista do partido, que ainda é maioritária principalmente no que a representantes eleitos diz respeito, tem vivido na esperança que o Presidente se comece a controlar, tornando-se como que por magia num Republicano normal. É uma esperança muito pouco realista, dada a falta de controlo emocional de Donald Trump, mas aparentemente necessária, pois o partido está dele dependente para passar legislação. Assim, temos assistido a quase um ano de constantes intervenções públicas de atrapalhados políticos de carreira a tentar defender declarações lunáticas vindas da Casa Branca, não tendo ninguém a coragem ou sentido de Estado necessários para fazer frente a Trump, mesmo que isso custasse a reeleição. Isto verificava-se até à terça-feira passada, quando o Senador Jeff Flake (R-Arizona) e o todo poderoso líder do Comité d...

O Pestilento Compromisso

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Com os recentes resultados eleitorais na Europa Ocidental, que ditaram uma tremenda expansão de partidos populistas isolacionistas , a Europa parece preparar-se para se "fechar em copas" como parte de um nefasto compromisso político que deve acalmar os ímpetos nativistas do Velho Continente, à custa da sustentabilidade populacional do mesmo e da vida de milhares de refugiados, ou migrantes melhor dizendo, que agora é a palavra de ordem, como que implicando que não temos nada de ajudar pessoas que tomaram a escolha de se deslocar para as fronteiras da UE. Fantástica a influência nacionalistas mesmo neste pequenos traços de discurso. Bem, estou a dizer que isto vai acontecer sem ter sequer apresentado os resultados, com a agravante de os governos ainda não estarem nem perto de ser formados na República Checa, Áustria e Alemanha. Mesmo estando esta possível tomada de posição europeia muito longe de acontecer acho importante por essa hipótese no seguimento destes resultados ...

O Paraíso de Bolívar

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De Uma Próspera Democracia à Ditadura e Fome O Advento da Crise : O líder carismático então parafraseou um excerto da Tempestade de Shakespeare: "Sopra, duro vento, sopra, difícil tempestade, eu tenho uma assembleia [constitucional] para te resistir!" A multidão ficou encantada.    O ano era 1999, e o presidente Venezuelano Hugo Chávez, pouco depois da sua vitória eleitoral em Dezembro passado, pedia à assembleia que esta entregasse uma nova e “eterna” constituição. Colocou-se à mercê de uma nova e temporária, mas toda-poderosa, assembleia, convenientemente criada para substituir um parlamento que não lhe respondia.   Chávez conseguiu o que queria; quase sempre o conseguia. A resultante Constituição – a 26ª da Venezuela – acabou com o Senado; alargou os termos presidenciais; desvinculou os compromissos militares do controlo do Congresso; e enfraqueceu os cheques e contrapesos exercidos pelos juízes e legisladores.    Era o início do f...