Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2017

A lei que ninguém "care": Parte II

Imagem
A terrível proposta Republicana para reformular os programas de saúde americanos e acabar com o "ObamaCare" ( ler aqui ) já foi reformulada no Senado e avaliada pelo CBO ("Congressional Budget Office"), órgão independente que avalia os impactos da legislação passada nas duas Câmaras. Era esperado que a Câmara alta fosse menos radical devido ao prestígio dos seus membros e superior experiência política, mas os resultados acabaram por ser dececionantes. A proposta da House, que Trump classificou de "mean", não ficou muito mais simpática, continuando a prever-se gigantescos cortes no apoio aos mais desfavorecidos, enormes ganhos para os mais ricos, a perda de seguro por cerca de 20 milhões de americanos em 10 anos e uma redução do défice que não é substancial o suficiente (320 mil milhões) para compensar a irresponsabilidade social. O plano continua a prejudicar mais as pessoas mais velhas, mais doentes e mais isoladas, que deixam de ser protegidas por ...

Resiliência a mais

Imagem
No séc. XXI algumas mulheres "tocaram o céu" no campo muito machista e muito restritivo que é a política. Dilma Rousseff tornou-se Presidente do Brasil, Cristina Kirchner fez o mesmo na Argentina, Angela Merkel é há 12 anos Chanceler alemã, Ségolène Royal e Marine Le Pen chegaram à segunda-volta das eleições francesas, Theresa May tornou-se a segunda Primeira-Ministra britânica e, nos E.U.A., Hillary Clinton tornou-se a primeira mulher nomeada por um grande partido e Nancy Pelosi é líder dos Democratas na Câmara dos Representantes há quase 15 anos, tendo sido a primeira mulher Speaker. Se alguns destes casos são exemplos óbvios do nepotismo que durante o último século foi a maneira mais fácil das mulheres entrarem na política (Kirchner, Marine e mesmo Hillary chegaram onde chegaram em grande medida por serem da família de lendas do seu espectro político, apesar de Marine ter demonstrado um talento político muito próprio), outros são casos de superação de barreiras impressi...

Malditas vitórias morais

Imagem
Durante os últimos três meses decorreram nos Estados Unidos  cinco eleições com vista a substituir os membros da Câmara dos Representantes que renunciaram ao seu mandato depois de terem sido eleitos a 8 de Novembro do ano passado. Quatro dos lugares pertenciam aos republicanos Mike Pompeo (novo Diretor da C.I.A.), Tom Price (nomeado Secretário da Saúde), Ryan Zinke (Secretário do Interior) e Mike Mulvaney ( Diretor do Gabinete para a Gestão Orçamental da Casa Branca). O único lugar democrata em disputa era o de Xavier Becerra, escolhido para suceder à recém-eleita Senadora Kamala Harris como Procurador-Geral da Califórnia. Estas eleições especiais são comuns, pois quando há eleições que renovam os ocupantes de cargos federais e estaduais, alguns membros costumam ser escolhidos ou para fazer parte da equipa do novo Presidente (como foram estes quatro republicanos), ou para ocupar cargos na administração estadual. Sozinhas, estas cinco eleições não tinham muita importância, mas ...

A Revolução Continua

Imagem
Ontem, na primeira-volta das eleições legislativas francesas, a revolução iniciada por Macron continuou a caminhar para a transformação política do país, com os deputados do partido "A República Em Marcha!"  a serem favoritos a ganhar em pelo menos 410 das 577 circunscrições parlamentares. Esta super-maioria, apesar de assombrada por uma abstenção de 51% (que poderá diminuir na segunda-volta do próximo domingo), dará ao Presidente margem mais do que suficiente para reformar o mercado laboral ainda este Verão, e, ao longo dos 5 anos da legislatura, trazer à França as reformas de que precisa desesperadamente para entrar no séc. XXI.   Este mandato de proporções assombrosas tem como contraponto a destruição da paisagem política vigente em França desde 1958. Os grandes partidos foram humilhados, e mesmo Mélenchon e Le Pen viram as suas bases de apoio reduzir consideravelmente. Começando pelos radicais, Mélenchon e aliados desceram dos 19,6% que o líder da extrema esquer...

Humilhação Pública

Imagem
Theresa May jogou com o futuro do Reino Unido, procurando ganhos para sedimentar a sua posição de poder e, tal como o seu antecessor, saiu do casino de mãos a abanar. A eleição em que os Conservadores iam ganhar 100 lugares na Câmara dos Comuns, em que os britânicos iam dar a Theresa May a confiança e a força necessária para que a sua "strong and stable leadership" pudesse afirmar que "Brexit means Brexit" e por fim "Get on with it, and deliver the best Brexit deal for Britain". O problema é que, com estas 3 vagas citações, acabei de expôr 95% do programa dos Conservadores (para o caso de estar interessado, os restantes 5% consistiam em promessas de re-legalizar  a caça à raposa e taxar idosos até à medula). Por mais incrível que pareça, os britânicos parecem ter rejeitado este fantástico e detalhado projeto de futuro, proposto por uma mulher com o carisma de uma couve-rouxa. Apesar de surpreender o nível de apoio que o programa de Jeremy Corbyn teve, ...

Previsão

Imagem
No dia das eleições gerais no Reino Unido, tento adivinhar quantos deputados terá cada um dos grandes partidos, com a ajuda da minha observação, cruzamento de números de sondagens e alguma especulação. Dada a falta de qualidade das sondagens britânicas, fazer prognósticos torna-se muitíssimo complicado, especialmente porque estamos a falar de 650 eleições a decorrer ao mesmo tempo, com especificidades culturais, histórico-eleitorais e qualidade individual dos candidatos a pesar muito no resultado final. Por mais arriscado que seja, aqui fica o que acho que vai acontecer: Conservadores: 315 a 365 Members of Parliament - a margem parece grande, mas a previsão é simples: Theresa May vai quase de certeza conseguir uma maioria absoluta, mesmo que o Sinn Féin (partido irlandês que não ocupa os lugares para que é eleito em Westminster em protesto) consiga apenas manter os seus 4 deputados (é possível que chegue aos 6), o número de deputados necessário para uma maioria será 324, valor mai...

Mas quem será?

Imagem
As eleições gerais do Reino Unido são já amanhã. Sem demoras, olhemos para os candidatos que se apresentam ao cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido. Theresa May   Pelos Conservadores apresenta-se-nos Theresa May, atual Primeira Ministra do Reino Unido. Chegou ao cargo, não através de Eleições Gerais, mas por ter sido eleita líder do Partido, depois da demissão do seu antecessor, David Cameron, na sequência da vitória do 'Leave' no referendo. Tem tentado passar a imagem de uma líder forte, determinada, estável; mas nem sempre tem conseguido. Alterações do program eleitoral, tomadas de posição vagas e indefinidas ('Brexit means Brexit', por exemplo...), ausência de números em algumas políticas propostas, e a não participação em debates televisivos não têm ajudado muito à imagem que May tenta desesperadamente passar. May marca também o regresso de um conservadorismo que andava adormecido - 'Red Conservatism', que apresenta propostas e adota termos (como ...

Caos em Westminster

Imagem
O Reino Unido está num momento de viragem política. As suas duas maiores forças são lideradas por perfeitos incapazes que tentam emular os piores líderes da história de ambos os partidos, polarizando a cena política e deixando o centro abandonado, à mercê de um líder Liberal-Democrata com o Q.I. de um amendoim e a capacidade oratória desse mesmo fruto seco. Theresa May é uma fiel discípula de Benjamin Disraeli um protecionista agro-conservador que liderou os "Tories" na segunda metade do séc. XIX, opondo-se ao conservadorismo liberal defendido por Robert Peel e companhia  e a todas as importantíssimas reformas que estes propuseram. A sua oposição ao liberalismo económico ficou famosa, mas felizmente vagas de Liberais que desertaram para os conservadores apagaram este pensamento do partido. May parece querer ressuscitar este Partido de Disraeli, morto há mais de 100 anos, para mal do Reino Unido. A Primeira-Ministra parece aproximar-se assim de Trump, cuja referência é An...

Sem liberdade de escolha

Imagem
Estamos a menos de uma semana das eleições gerais do Reino Unido, eleições que determinarão quem será o próximo Primeiro Ministro Britânico - o líder de governo que irá liderar as difíceis negociações pós-Brexit que aí vêm entre a União Europeia e o Reino Unido. Tudo indica que será a Conservadora Theresa May a vencer as eleições. Tudo... excetuando a tendência de estreitamento da em tempos abissal diferença entre as intenções de voto nos conservadores e nos trabalhistas. É que, se da última vez que escrevi, havia sondagens que davam diferenças de mais de 20% entre as intenções de voto nos dois partidos, desde então as preferências pelo Labour têm aumentado significativamente, e os conservadores têm perdido bastante terreno. No entanto, não há sondagem que preveja a vitória do Labour, e continuo confiante de que a vitória pertencerá a Theresa May. Dado o atual paradigma, não me espanta tanto a força que Corbyn tem ganho nos últimos tempos. Um mundo que se entusiasma com Sanders e...

Nacionalismo para Tótós

Imagem
Donald Trump anunciou a retirada dos EUA dos acordos de Paris. No seu discurso, um momento marcou-me especialmente: aquele em que Trump disse que "tinha sido eleito para proteger os cidadãos de Pittsburgh, não os de Paris". Esta declaração chocou-me, deixando a nu as falhas no discurso populista, a falta de inteligência dos seus líderes e a impressionante despreocupação com que pessoas como Donald Trump, talvez por serem demasiado limitados para perceberem o que estão a fazer, tomam decisões que põe em risco o futuro dos seus países e de todo o Mundo. As pessoas elogiam Le Pen, Trump, Farage ou Wilders por serem politicamente incorretos, não serem eleitoralistas nem dissimulados, mas se esta decisão não é profundamente eleitoralista, não sei o que é. Trump sai destes acordos, não por ser a decisão racional, ou a melhor para a maioria do seu país, mas por ser a melhor para o seu eleitorado. Sim, nas fábricas de aço da Pensilvânia, nas minas de carvão do Ohio e nas fábrica...