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A mostrar mensagens de março, 2017

Alemanha 2017: O Guia Eleitoral (I) - Quando e Como?

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Conhecidos os resultados das eleições Holandesas que aqui tivemos o prazer de acompanhar, e com a 1ª volta das presidenciais francesas à porta, é importante olhar também para as Eleições Federais Alemãs que se avizinham. Assim, apresento ao leitor a parte I daquele que será o meu guia para esta corrida eleitoral: 1. Quando, e como? Segundo a lei alemã, as eleições para o parlamento devem acontecer num Domingo, 46 a 48 meses depois da sessão plenária inaugural. Estipulou-se então o dia 24 de Setembro de 2017 para eleger o 19º Bundestag . Primeiramente, importa saber que o Bundestag é uma das câmaras legislativas do sistema bicameral alemão (a par do Bundesrat), frequentemente comparado à Câmara dos Comuns no Reino Unido - o Bundestag é o Parlamento da República Federal da Alemanha. Este Parlamento é formado por, pelo menos, 598 membros que são eleitos para mandatos de 4 anos. As eleições para eleger o Bundestag funcionam através do Sistema de Representação Proporcional ...

A festa de anos Europeia!

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O Tratado que, por derivação (e há quem hoje ache que, para além de derivação, tenha sido degeneração), veio dar origem à União Europeia, faz este mês 60 anos - o Tratado de Roma. Em vez de me debruçar sobre a história da União Europeia, prefiro relembrar aos leitores, através de dois simples exemplos, que a União Europeia não é só amor entre povos, nem é um organismo moralmente perfeito e defensor exímio da democracia liberal, como muitos têm querido sugerir, sobretudo depois do arrebatador fenómeno Brexit, da ameaça, que, afinal, não se concretizará (pelo menos tão cedo), de um Nexit (saída da Holanda da UE), ou do ainda iminente Frexit (saída de França da União Europeia). 1-Comecemos pelo caso mais mediático: o gélido e de nome impronunciável Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, veio há uns dias, num ataque aos países sul-europeus (que ele achava que iria ser mais indireto do que realmente foi), dizer que o Norte tinha mostrado solidariedade, que a solidariedade era...

A lei que ninguém "care"

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Ao contrário do que estava planeado, escrevo isto não no dia depois do voto sobre a revogação e substituição do "Obamacare", mas numa altura em que os líderes Republicanos da Câmara dos Representantes ainda desesperam para conseguir que a sua promessa de 7 anos (revogação) e a proposta do seu Presidente (substituição) não sejam derrotadas no voto adiado para hoje, humilhando todos os intervenientes. Os problemas da lei começam com o seu nome, não se percebe se será creditada ao Republicano mais proeminente do Congresso, o Speaker Paul Ryan, se ao GOP como um todo ou se apenas a Donald Trump, que não costuma coibir-se de por o seu nome em coisas (como universidades fraudulentas ou produtos alimentares de fraca qualidade), o que é um bom indicador da impopularidade desta lei. O nome já tinha sido uma questão fundamental com o "Obamacare" assim rotulado por Republicanos e aproveitado pelos dois partidos para galvanizar a base para se opor ou apoiar a lei, des...

Velha Portugalidade e o Cheiro a Mofo

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Depois de toda a confusão gerada pela proibição por parte da FCSH da Conferência com Jaime Nogueira Pinto, organizada pelo grupo Nova Portugalidade, assunto sobre o qual já  aqui  tive oportunidade de escrever, pareceu-me apropriado perceber o que é isto da Nova Portugalidade e por que é que o representante do grupo, Rafael Pinto Borges, sendo ainda tão novo, é já tão comentado... O nome tem muito por onde se lhe pegar... Nova Portugalidade - 2 palavras, uma é mentira e a outra é de existência duvidosa. Comecemos pela segunda - o meu computador não identifica a palavra. Fui ao reputado Priberam , e o significado é o que eu suspeitava... "Qualidade própria do que é português", tendo como significado mais profundo a expressão do que é  culturalmente  português. Estamos todos cheios de Portugalidade, não é assim? Eu, pelo menos, que sou português, tenho Portugalidade a rebentar pelas costuras; abro a boca e só me sai Portugalidade; transbordo Portugalidade por tod...

Holanda 2017: Tudo está bem quando acaba bem.

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A primeira ronda da luta pela alma do Ocidente em 2017 foi vencida. Tal como previsto  aqui  o tão antecipado duelo entre Wilders e Rutte não foi mais que uma "goleada" do atual e futuro primeiro-ministro, que até superou as minhas expetativas. Ficou claro que o rei do populismo continental "ia nu" e nem com o seu extravagante penteado conseguiu imolar os feitos dos seus semelhantes Boris Johnson e Donald Trump. Começando pelos vencedores da noite, de destacar o centro-direita e a esquerda verde. Mark Rutte será o próximo primeiro-ministro e, apesar de ter perdido 8 deputados, perdeu muito menos do que se antecipava, confirmando com a sua 3ª vitória eleitoral que o VVD tem agora o estatuto de maior partido de direita holandês (que fora outrora da CDA). Os democratas-cristãos ganharam 6 deputados (ficam com 19, o que, considerando as sondagens, até foi um resultado fraco) e farão certamente parte do próximo governo, regressando depois de quatro anos afastados d...

Holanda 2017: A Véspera

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Um dia antes do primeiro de três (ou quatro, dependendo de Itália) atos eleitorais que decidirão o futuro da União Europeia, faço as minhas previsões e o rescaldo da campanha. Numa eleição que não terá um vencedor, ou sequer um pequeno grupo de partidos que se possam considerar vencedores, as hipóteses estarão totalmente em aberto muito para além do dia de amanhã. Assim sendo, estou aqui para falar do que se vai passar amanhã, por isso aqui vai: 1º. VVD - 28 a 32 deputados - O partido do primeiro-ministro Mark Rutte deverá perder cerca de dez deputados. Ainda assim, uma posição mais nacionalista e o "finca pé" feito a Erdogan ganharam-lhe pontos junto do eleitorado mais radical do PVV e do partido dos reformados. Isto e a sua vitória no debate com Wilders, devem chegar para o manter como o maior partido da Câmara dos Representantes, e portanto como o mais provável líder do próximo governo holandês. 2º. CDA - 19 a 23 deputados - Aquele que foi até há bem pouco tempo o m...

Populismo em retirada

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Ao longo das últimas semanas temos assistido a sinais muito positivos no caminho para as eleições holandesas (15 de Março) e francesas (23 de Abril e 7 de Maio). Se em França Macron reduziu a desvantagem à primeira volta para Le Pen - de 4% para 1% - e aumentou a vantagem na segunda volta de 18% para 28%, no país das túlipas os liberais do primeiro-ministro Mark Rutte (VVD) ultrapassaram, ganhando três e empatando uma das quatro sondagens conduzidas nos últimos dias  ao partido de direita radical de Geert Wilders (PVV). Começando por França, onde estamos cada vez mais próximos da primeira eleição sem o maior partido de centro-esquerda ou de centro-direita da V República, muito graças aos problemas de Fillon: apesar de se estar a notar uma recuperação do ex-primeiro-ministro nas últimas semanas, a verdade é que o facto de estar a ser ativamente investigado pela justiça francesa lhe está a tirar quase todas as hipóteses de vencer. No entanto, a sua estratégia de acusar a esquerd...

O Lápis Azul contra-ataca!

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Universidade: a instituição do conhecimento, do confronto de ideias, do debate, da liberdade de pensamento e do escrutínio. Pelo menos, era isso que se pensava... Pelo mundo ocidental fora, as Universidades têm sido contaminadas por uma febre censória protetora dos 'bons valores', zelosas daquilo que pode ser dito, e intransigentes com ideias a que são avessas. Chegámos hoje a um ponto em que a censura, ultrajante nuns casos e ridícula noutros, é pão nosso de cada dia. O mais recente caso aconteceu em Portugal: orgulhem-se os patriotas que gostam de ver fenómenos internacionais acontecer em terras Lusas! Acontece que a Conferência "Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen", que seria apresentada por Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA, e que estava agendada para ontem, foi cancelada pela Direção da Universidade devido a ameaças de que ocorreriam cenas de violência, em consequência de protestos supostamen...

Aparece o Presidente

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Com um discurso mal estruturado e com algumas mentiras (como já é hábito), mas polido, unificador e ligeiramente mais otimista, que disfarçou bem o nefasto nacionalismo e populismo que enche a agenda desta Administração, Donald Trump apresentou-se ao 115º Congresso como se devia ter apresentado ao Mundo no dia da sua inauguração. Tirando as críticas a acordos de comércio livre como a Parceria Trans-Pacífica, as referências a investimentos na infraestrutura, críticas ao intervencionismo americano e o já habitual muro - este poderia ter sido um discurso dado por Ted Cruz, John Kasich, Jeb Bush ou Marco Rubio. As suas divergências com o Republicano comum esbateram-se, mas os momentos em que as ressalvou deram-lhe uma aura de independência e vontade de alcançar consensos bi-partidários. Antes do discurso, Trump tinha dito que estava aberto a criar um caminho para a legalização de imigrantes ilegais que cumprissem determinados requisitos, outro sinal de que pode estar a caminho uma maior...