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A mostrar mensagens de 2016

Annus Horribilis

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Na internet, tem ficado clara uma ideia sobre 2016 - foi um ano para esquecer.  Chovem memes  na internet a relembrar quão desastroso foi o ano de 2016, e este lamento é direcionado às mais diversas áreas. Mas talvez não fosse má ideia lembrar 2016. Pelo contrário, mantê-lo na memória pode provar ser-nos muito útil. Dois grandes eventos vêm-nos imediatamente à memória: em junho, o Brexit , e, em novembro,  a eleição de Trump. Para quem, como eu, é crítico desta União Europeia em específico, mas é também cético em relação à noção de um super-estado europeu em geral, saberá que há espaço para fazer uma distinção entre o Brexit e a eleição de Trump. De facto, mesmo conhecendo as prováveis consequências económicas negativas do Brexit, sempre achei que havia um forte argumento político a favor da saída do Reino Unido da União Europeia: nomeadamente, a questão da soberania política, que, naturalmente, é vital para uma nação que tem uma das mais consolidadas democ...

Uma escolha irRexponsável

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Esperei e esperei que Trump concluísse o seu gabinete ministerial de forma positiva com a possível escolha de duas Democratas para Secretárias da Agricultura (a Senadora Heidi Hetkamp do Dakota do Norte que levaria os Democratas a perder mais um lugar no Senado) e dos Veteranos ( a Congressista do Hawaii Tulsi Gabbard, antiga apoiante de Bernie Sanders). Vou avançar para este artigo sem essas escolhas confirmadas e, portanto, numa nota mais negativa. Tinha dito anteriormente que só perceberíamos a Administração Trump depois de este ter escolhido os Secretários de Estado, do Tesouro, do Comércio e da Defesa. Estando já isto tudo definido, vamos avaliar uma a uma as escolhas do Presidente-eleito. No Comércio, o bilionário Wilbur Ross, formado em Yale e Harvard e especializado em comprar empresas altamente endividadas e reestruturá-las com mestria, se bem que com alguma brutalidade. Empresário do carvão e do aço, personifica a vontade de Trump de voltar ao modelo de produção dos anos...

Volta ao Mundo dos Populistas

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Farto de esperar que Trump escolha o seu Secretário de Estado para acabar de analisar a sua equipa, vou fazer uma revisão dos grandes assuntos políticos da última semana. Numa autêntica volta ao Mundo, vou tentar de forma rápida explicar as consequências dos grandes temas dos últimos dias. Começamos pelo nosso "amigo" Donald Trump, que decidiu abrir um canal diplomático fechado há 37 anos. Ao contactar com a Presidente da República da China (Taiwan), o Presidente-eleito dos EUA parece querer provocar a República Popular da China, país que ameaçou durante toda a sua campanha com uma "guerra comercial" e que acusou de ser um país desonesto na prática de preços e a definir o valor da moeda. É claro para todos que a competição desleal da China no mercado internacional desde que aderiu à Organização Mundial do Comércio tem causado enormes e rápidas mudanças no tecido social ocidental. No entanto, a solução é obviamente continuar a promover a globalização, para que a...

Nuvens Negras

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Dia 20: O caos está instalado na escolha de Secretário de Estado, com guerras internas a dilacerarem a equipa de Trump. O futuro Presidente considera ser produtivo criar estes conflitos para rentabilizar os membros da sua equipa, mas o clima tóxico que se vive para os lados da Trump Tower, a juntar a uma série de "tweets" incendiários/idiotas do Presidente-eleito, são um presságio muito assustador para o que será esta Administração. Nas últimas 24 horas, o homem que infelizmente liderará a maior potência do Mundo usou o Twitter para insultar a CNN, apelar à prisão de pessoas que queimem bandeiras e difundir "tweets" de adolescentes a corroborar a sua rocambolesca teoria  de que teria perdido o voto popular por votos de imigrantes ilegais. Seguir Trump nas redes sociais é hilariante e assustador ao mesmo tempo, o caráter aleatório e incendiário das suas publicações não é aceitável para um adulto mentalmente capaz, quanto mais para o "Líder do Mundo Livre...

Determinação e Seriedade

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François Fillon, o ex-primeiro-ministro francês e, mais importante, o provável candidato dos Republicanos (centro-direita) à Presidência de França, surpreendeu tudo e todos na passada segunda-feira, tendo vencido estrondosamente a primeira volta das primárias da plataforma de centro-direita, sendo que, entre os três principais candidatos - Fillon, Juppé e Sarkozy -, Fillon, a ver pelas sondagens, era aquele de quem menos se esperava tal distanciada liderança. E ainda bem que há Fillon. François Fillon é a personificação da rejeição do populismo que já conseguiu arrastar personalidades como Sarkozy, que a cada dia se parecia mais com Marine Le Pen, ou, do outro lado do Atlântico, Hillary Clinton (criticar a pobre senhora neste momento custa, mas tem de ser...), que se virou contra o TPP quando (erradamente, penso eu) viu que as tendências protecionistas reveladas por Trump ou Bernie Sanders lhe poderiam arrecadar alguns votos, se também ela as adotasse. Fillon tem um programa b...

Eloquência e experiência

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Contra todas as expectativas, Alain Juppé, o "político mais popular de França, foi claramente ultrapassado por François Fillon, que, numa subida meteórica, passou de irrelevante a principal candidato à Presidência. Este artigo não se vai dedicar ao ex-primeiro-ministro de Sarkozy e à sua extraordinária ascensão, mas sim ao suposto favorito que agora se vê numa situação complicada para conseguir ser o candidato dos Republicanos, entrando na segunda-volta com uma desvantagem de 16% da primeira volta relativamente a um adversário que já tem o apoio de Bruno Le Marie e Nicolas Sarkozy (23% das intenções de voto na primeira volta). A montanha parece demasiado difícil de escalar para o Presidente da Câmara de Bordéus, que conta com o apoio de peso do ex-Presidente Chirac. No entanto, continuo a pensar que este é o melhor candidato à Presidência e apesar de as suas hipóteses serem escassas, numa primária aberta nunca se sabe. Vou defender a causa do homem que é, sem dúvida, o políti...

Bi-polaridade Trumpiana

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Steve Bannon, o supremacista branco no ouvido de Trump Ontem, foi tal o suspiro de alívio da liderança Republicana quando Donald Trump nomeou Reince Preibus "Chief of Staff" (uma posição muito importante na gestão diária da Presidência), que se deve ter ouvido por toda a Nação. A escolha do atual líder do RNC (Republican National Committee) colocava o novo Presidente bem mais próximo do "establisment". O problema é que no mesmo comunicado vinha o anúncio de que Steve Bannon se tornará o novo "Chief Strategist" e conselheiro do Presidente, uma posição que deverá ter a mesma relevância que a de Preibus, se não mais. Quem é Bannon? Oh, só o autor do conceituado site noticioso "Breitbart News" conhecido pela sua cobertura isenta e fundamentada de todas as histórias. Estou a brincar, obviamente. A Breitbart é uma expressão do movimento "alt-right" (direita alternativa) que Steve Bannon orgulhosamente lidera. É a nova "Meca" da...

Trump! E agora?

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Chega-nos o 2º episódio da série "coisas idiotas que pessoas brancas fazem baseadas em nostalgia e que põem em perigo a ordem mundial". Depois de " Brexit! E agora " temos outro acontecimento cataclísmico na política Ocidental que passou completamente ao lado de todos os analistas, tudo no espaço de 6 meses. Trump prometeu um "Brexit vezes dez" e cumpriu com a maior surpresa eleitoral desde que Harry Truman bateu Thomas Dewey em 1948.  E o que é que se faz agora, que o Mundo está na mão do homem mais incompetente, mais moralmente condenável, mais mentiroso e mais perigoso que já concorreu à Casa Branca (em eleições gerais)? A minha primeira sugestão é chorar. Estamos perante um dos momentos mais tristes da História das Democracias Liberais. Houve aqui a possibilidade de um momento extraordinário em que uma mulher quebrava a barreira mais difícil, derrotando um homem que representa todos os fantasmas que queríamos liquidar de vez (sexismo, racismo e...

E no fim...

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Contra todas as expectativas, o Mundo acordou (ou adormeceu) com a notícia de que a pessoa menos qualificada a concorrer à Presidência dos Estados Unidos da América se tinha tornado mesmo o líder da maior potência mundial. Ontem à tarde parecia claro para todas as pessoas minimamente informadas que Hillary Clinton sairia vencedora desta eleição. Toda a gente previa uma vitória para Hillary, que parecia há muito clara, por isso disse em Agosto que os Clintons já podiam preparar-se para voltar a viver na Casa Branca. Agora aparece muita gente a encontrar respostas "óbvias" para acontecimentos que "sempre foram" possíveis. Estas declarações parecem-me hipócritas e antes de começar a falar de uma Administração Trump e do que esta pode ou não fazer (até porque entre o choque e raiva não seria aconselhável entrar nesses exercícios) , gostava de tentar explicar por que é que achei que Hillary ia ganhar e onde é que me enganei. Começando pelos primeiros Estados que Tru...

As origens do papão cor-de-laranja

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Provavelmente, o leitor já reparou que Donald Trump parece ter de novo uma hipótese de conquistar a Casa Branca. Uma série de sondagens assustadoras põem a credibilidade de quem vos escreve em risco, mas muito mais importante põem a estabilidade política e económica do Mundo em cheque. O perigo de eleger um demagogo destes é conhecido, mas infelizmente a classe política dos últimos 30 anos menosprezou tanto a História para levar a água ao seu moinho que parece ter desconvencido o eleitorado de que esta é importante para tomar decisões futuras. So o Presidente dos EUA não quer saber de normas constitucionais, se os seus Congressistas não respeitam as instituições e o seu "modus operandi" nos últimos dois séculos e meio porque é que os americanos se devem sentir compelidos a dar prioridade à sua tradição democrática de etiqueta política e rejeição de populismo. As divisões políticas claras que se têm notado nos EUA desde 1994, ano em que os Republicanos re-alinharam o mapa...

Comey to the rescue!!!

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James Comey é, invertendo uma citação do "Cavaleiro das Trevas", o  herói que o Partido Republicano precisa, mas não o que merece neste momento. O Diretor do FBI enviou ao Congresso uma carta aberta em que informava que ia reabrir a investigação aos e-mails de Hillary Clinton por ter encontrado e-mails que podem ser relevantes. Este é um ato de influência política sem precedentes por parte do FBI desde a morte do lendário John Edgar Hoover,  que gozava de uma imunidade vergonhosa em Washington e que influenciou todas as eleições entre 1936 e 1972. A carta toma proporções ainda mais graves por ser publicada a dez dias das eleições. Primeiro, por que é que isto aconteceu? Os novos e-mails foram descobertos numa investigação ao  ex-congresista democrata por Brooklyn Anthony Weiner, que recentemente se divorciou da pessoa mais próxima de Hillary Clinton, Huma Abedin. Anthony Weiner demitiu-se do Congresso em 2011 depois de um escândalo de "sexting" em que foi denun...

Corrida ao Senado Parte IV: Grab'em by... the Senate

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Sexta-feira, dia 7 de Outubro fomos presenteados com o momento que decidiu estas Presidenciais mesmo para os mais céticos.  A NBC divulgou um vídeo de 2005 em que Trump dizia a Billy Bush (Primo de Jeb e George) uma série da alarvidades. Entre elas a mais marcante foi o já clássico "When you're a star they let you do it. You can do anything ... grab'em by the p****".  Ora este vídeo não só enterrou ainda mais as esperanças presidenciais de Donald Trump, como parece estar a prejudicar imenso os candidatos Republicanos ao Senado.  De acordo com o site FiveThirtyEight, especializado em tratamento de sondagens, os Republicanos passaram de ter 48% de hipóteses de manter a maioria do Senado no dia antes de sair o vídeo para 27% ao dia de hoje. Esta queda deve-se à mudança radical nas sondagens de todos os Republicanos em Estados  decisivos. No Nevada e no New Hampshire os candidatos do GOP perderam a sua vantagem nas sondagens e na Pensilvânia, Illinois, Wisconsin e Ind...

Um Referendo à Decência

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Já ficou claro que em 2016 os EUA não vão ter umas eleições normais. Os dois partidos que dominam a cena política americana há 150 anos apresentaram os dois candidatos mais impopulares da História, pondo a nu as fragilidades de um sistema bi-partidário. Donald Trump tomou conta de um Partido conservador com uma mensagem altamente incoerente que é tudo menos conservadora. Hillary ganhou a nomeação do seu partido apoiada na ala mais moderada, que dará lugar à ala mais populista de Bernie Sanders apoiada nos jovens. Portanto, conquistam ambos a nomeação apoiados nos ventos da mudança ou indo contra eles, respetivamente. Tudo isto já passou e agora não interessa muito. É preciso compreender que esta eleição não é sobre quem é de esquerda e quem é de direita. Nem se pode dizer que seja bem uma eleição, isto é um referendo. Neste referendo há duas hipóteses e é a alma da mais antiga democracia do mundo que está em jogo. Os americanos têm duas hipóteses neste referendo, podem defende...

Hillary 4-2 Trump: Debate q.b. garante a eleição

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Mais uma vitória para Hillary aos olhos da opinião pública. Já se está a tornar repetitivo elogiar a preparação e a competência da candidata democrata, e com esta concorrência, não é difícil sobressair, mas, de facto, não há muitas dúvidas de que Hillary não será uma Presidente desastrosa. Talvez subverta em demasia a constituição, talvez compense com uma boa gestão do estado social e dos negócios estrangeiros. Os primeiros trinta minutos deixaram o mundo em suspense. A preparação de Trump era de tal ordem que chegou a citar casos do Supremo Tribunal. Será que o homem que todos achavam o pior candidato da história moderna se tinha transformado, qual borboleta reaganiana, num Presidente. Hillary era pressionada pelo récem-encontrado saber do republicano enquanto o melhor moderador até agora (Chris Wallace, da Fox News) a apertava bastante. De repente, Hillary virou uma pergunta dificílima sobre os seus e-mail (bem ao seu estilo pouco transparente) e transformo-a num ataque a Tru...

Evan Macquê?

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Um ponto prévio: Esta semana só fizemos a cobertura do debate porque não estamos cá para discutir as hipotéticas indiscrições de Donald Trump. Gostávamos que as eleições se focassem em ideias e não em difamações. É deprimente quando uma semana destas acontece, em que os projetos passam para segundo plano e em que a única coisa de que se pode falar é dos sítios onde Trump agarrou não sei quem e o que é que isso chocou pessoa X ou Y. Bem, como já disse aqui várias vezes, Hillary Clinton será certamente a candidata mais votada das eleições de 2016 e será também a candidata com mais votos do Colégio Eleitoral, tendo grande probabilidade de passar a barreira dos 270 votos e tornar-se a próxima Presidente dos EUA. Ora, esta semana surgiu uma possibilidade estranhíssima, a de ninguém ganhar os 270 votos do Colégio Eleitoral. Evan McMullin, ex-funcionário dos Republicanos no Congresso e agente da CIA, tinha apresentado uma candidatura independente já há uns meses, mas decidi não falar d...

Hillary 3-1 Trump: A implosão estava tão perto...

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O debate desta madrugada ficou na História da política americana como o debate mais sujo de sempre. Trump fez questão de começar com um "auto-golo", mesmo antes de entrar no estúdio, fazendo uma conferência de imprensa em direto no Facebook com as mulheres que acusam Bill Clinton de abusos sexuais totalmente infundados. Mesmo Paula Jones, que recebeu 850 mil dólares num processo judicial contra o ex-Presidente (como Trump referiu apesar de esta só ter recebido 200 mil dólares, porque o juiz concluiu que o dinheiro teria de pagar os custos do processo) não os recebeu por Clinton ser culpado, se assim fosse este teria sido preso, mas para que parasse com recursos que estavam a limitar Bill Clinton no exercício das suas funções. Gastei um parágrafo do meu texto a provar que UMA acusação de Trump não tem qualquer tipo de base na realidade e esse é o problema! Durante o debate o nomeado Republicano deve ter batido o recorde mundial de mentiras por minuto. Era uma novidade qua...

Et tu, Pence

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Mike Pence esteve a bom nível no debate vice-presidencial de ontem, sendo considerado o vencedor pela maioria da imprensa. Mais calmo e ponderado, o Governador do Indiana "brilhou" na mediocridade que marcou a hora e meia de discussão. Tanto Kaine e Mike Pence são , como disse quando foram anunciados, escolhas de má qualidade, tendo provado isso na última madrugada. Pouco carismáticos e aborrecidos, protagonizaram um debate que não defraudou as expectativas, porque já toda a gente previa que nenhum dos dois estava talhado para estes palcos. A estratégia dos dois passou primeiro por evitar responder a todas as perguntas, mudando imediatamente de assunto quando a moderadora parava de falar. Para além deste ponto comum, as diferenças claras entre os dois candidatos mostraram uma divisão profunda e estrutural na política americana. Raramente conseguiam concordar as coisas mais básicas, deturpando factos para manter bem fundo o poço ideológico. Tim Kaine tinha-se preparad...

Uma Telenovela Interminável

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Este fim-de-semana viu cair Pedro Sánchez, um líder partidário que falhou a toda a linha,mas que tentou salvar a sua vida política em vez de defender os interesses do sue País. Vimos, portanto, a queda de um típico líder socialista europeu. Ameaçado pela esquerda, pelo centro e pela direita, o PSOE  vê-se, devido em grande parte à incompetência de Sánchez, em risco de ser reduzido à insignificância a que o PASOK foi reduzido na Grécia (tem hoje em dia 5% dos votos). A recusa em permitir que Rajoy tomasse posse, mesmo tendo o PP saído vencedor de 2 eleições no espaço de 6 meses, fragilizou muito a imagem de um líder que já tinha conseguido o feito histórico de perder a Andaluzia, uma bastião socialista que muitos consideravam impossível de conquistar. Mesmo com um PP desmembrado por escândalos de corrupção, que é culpado por todo o processo de austeridade e que tem um líder que nem sequer vai a debates, o jovem líder falhou redondamente e ainda foi teimoso e orgulhoso ao pont...

Uma Crescente Simpatia pela Secretária

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À medida que o tempo passa, fraqueza minha ou mérito de Hillary Clinton, vou sentindo uma crescente simpatia pela Secretária. Sim, os mais práticos e experientes dirão que é apenas uma reação desesperada à perspetiva de ter Trump na liderança do mais importante executivo do mundo. Talvez seja verdade. Mais verdade ainda é que isso pouco interessa. Se é fruto de um estímulo fatalista, ou genuína solidariedade minha, a verdade é que Clinton - o robot desumano sem carisma, o bicho Washingtoniano corrupto, a fraca figura incoerente e sem palavra - tem conseguido, passo a passo, pé ante pé, penetrar num terreno vagamente emocional, altamente volátil e indefinido, mas que pode ganhar muitos votos, se com os eleitores americanos se verificar este estranho fenómeno que ainda toma as suas proporções iniciais em mim. Não é admiração, pois a razão, mesmo que perturbada por um laivo de emotividade política, não permitiria tal coisa. Não é entusiasmo político, porque todos sabem mais ou...