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A mostrar mensagens de fevereiro, 2018

Estendendo uma passadeira laranja

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Fui adiando este artigo, esperando em vão que pudesse ser escrito depois de Elina Fraga ter posto fim ao seu percurso no PSD, que tem tanto de penoso como de curto. Apesar disso, a continuidade da ex-Bastonária só vem reforçar o ponto que já venho a fazer desde Outubro: Rui Rio não tem capacidade nem qualidade para liderar um grande partido português e vencer eleições legislativas. Esta novela foi um exemplo claro disso, pela quantidade de erros crassos que foram acontecendo. Uma pessoa que ganha com a legitimidade reduzida com que ganhou Rio tem de ter cuidado para acomodar a fação derrotada, sob perigo de sectarizar (ainda mais!) o partido. A união com Santana ia nesse sentido e parecia tudo lançado para que esta primeira fase fosse uma raro momento de confluência e tranquilidade no PSD. A escolha "surpresa" de Elina Fraga veio arruinar isto tudo, trazendo de volta à memória aquilo que mais desagrada aos militantes no seu novo líder, o facto de ter abusado da oposição ...

Coligaçãozinha sem sal

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Para uma pessoa que está sempre a exigir mais incrementalismo e menos fervor partidário na política americana, eu estou certamente enjoado dos passinhos de bebé da política europeia, e com europeia quero dizer alemã, logicamente. Dependendo de uma votação dos membros do SPD, que deverá ser favorável, está feito um acordo para mais uma grande coligação entre os Democratas Cristãos (CDU) de Merkel e os Sociais Democratas (SPD) de líder a definir, e é mais do que relevante perguntar em que é que esta será diferente das outras duas coligações do mesmo tipo que controlaram a Alemanha em 8 dos últimos 12 anos. A resposta é difícil de encontrar. Num documento de quase 200 páginas, os dois partidos, mais a CSU, partido irmão da CDU na Baviera, fizeram questão de ser o mais vagos possível, especialmente no que toca à questão europeia, onde a presença de um ex-Presidente do Parlamente Europeu (Schulz) fazia prever muito mais. O facto de Martin Schulz ter desistido da liderança do Ministér...

Puritanismo por conveniência

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Nada é mais fácil do que apanhar um político americano a ser profundamente hipócrita. Dada a mediatização do fenómeno por aquelas bandas, não só as opiniões dos políticos mudam ao sabor das constantes sondagens sobre tudo e mais alguma coisa, como a sua presença constante em meios de comunicação os leva a serem facilmente apanhados a dizer tudo e o seu contrário. Mais importante que tudo isso, a cada vez maior polarização leva a que os partidos estejam muito menos preocupados com coerência e muito mais com ganhar a próxima batalha pela alma dos Estados Unidos. Eu nem sou uma daquelas pessoas que valorizam a coerência ideológica (ou a falta dela) como essencial no currículo de um político; aliás, até acho que pessoas demasiado comprometidas com correntes filosóficas fazem políticos ineficazes, incapazes de alcançar compromissos e operar em câmaras legislativas com práticas complexas. Mas há limites, senhoras e senhores. Quarta-feira, dois dias antes da data limite para finan...

O estado da união é deprimente

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Dada a grande controvérsia gerada pela publicação de informação confidencial pelos Republicanos no Congresso, cuidadosamente selecionada para tentar comprometer a investigação ao envolvimento da Rússia na campanha de Trump, nenhum balanço desta Presidência, alicerçado no discurso do Estado da União, podia estar completo sem conhecer todos os factos deste processo. Assim, escrevo agora sobre o discurso de terça-feira, ms também sobre o degradante circo mediático e institucional que se seguiu, espelhando o que tem sido esta Administração. Se num dia Trump consegue usar a instituição da Presidência para normalizar o seu discurso de ódio e divisão, nos dias seguintes a sua falta de controlo e tato político deitam tudo a perder, condenando-o a uma base de apoio, que não cresce nem decresce, de independentes nacionalistas e Republicanos em geral, que preferem consistentemente o partido ao País. O discurso do Estado da União é a arma perfeita para um Presidente conseguir a aprovação da s...