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A mostrar mensagens de abril, 2018

Bright side of the Moon

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Um ambicioso acordo foi hoje assinado entre as Coreias. O fim da guerra, a desnuclearaização, e uma eventual unificação foram alguns dos aspetos negociados entre Kim Jong-Un e Moon Jae-In, que culminam num dos momentos mais relevantes da História da Península. Como é que isto foi possível? Que papel tiveram líderes internacionais como Trump e Xi no processo? E, principalmente, será que isto não é só fogo de vista? Poucos me poderão acusar de desvalorizar a importância do papel dos Estados Unidos no Mundo, mas o ruído que vem dos cantos mais trumpófilos da sociedade ocidental está claramente a dar um papel exagerado à intervenção do Presidente americano nesta solução. É verdade que a pressão feita pela Administração Trump junto da comunidade internacional veio isolar ainda mais o regime do Norte, e que a personalidade irrascível e falta de tato de Trump tenham levado Moon a arregaçar as mangas e procurar trabalhar sem os E.U.A. para encontrar uma solução. Agora, é importante não co...

Adeus ao líder relutante

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Qual Costa Concordia, a maioria Republicana na House está à beira de um desastre, e, tal como ao largo da Toscânia, um capitão sem muita vocação para o cargo prepara-se para abandonar o navio em Washington. Paul Ryan anunciou que este será o seu último mandato na House, abdicando do martelo de Speaker e de todo o poder e responsabilidade que o cargo acarreta. É raro ver um político abdicar voluntariamente de poder, especialmente porque Ryan (aproveitando a inexperiência e falta de preparação de Trump) vinha assumindo uma relevância característica da Presidência, estando por trás de toda a agenda legislativa da Administração e de praticamente todas as suas propostas a nível interno, mas é precisamente por ter este nível anormal de influência, por ter esta anormal Presidência, que a decisão do Speaker não podia ser outra. Foram só 3 anos, mas devem ter parecido 20, tais as dificuldades que foram impostas a um homem que teve de ser empurrado contra a sua vontade para o cargo. Ryan ...

Era uma vez na América

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Imagem que ilustrou o artigo de opinião do ex-juíz do Supremo Tribunal John Paul Stevens (Republicano) no NY Times a apoiar a revogação da Segunda Emenda ( link aqui ) "A well regulated militia, being necessary to the Security of a free State, the right of people to keep and bear arms, shall not be infringed." Confusa, anacrónica, cheia de vírgulas, a Segunda Emenda é uma relíquia do séc. XVIII que foi elevada à santidade por paleo-conservadores nos anos 80 e judicialmente divinizada pelo Supremo Tribunal em 2008. O direito individual de posse de armas, supostamente consagrado nesta famosa frase, é dos aspetos mais estranhos da vida americana para qualquer europeu, combinando bem com o estereótipo do cowboy dos tempos da conquista do Oeste, mas que faz menos sentido na era de Silicon Valley. Ao longo deste texto tentarei explicar este fenómeno usando história, política, geografia e um bocadinho de "pop culture" numa tentativa potencialmente fútil de traduzir ...

O fim do compromisso

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A política mundial tem um cancro. Não é o populismo, não é o politicamente correto, nem os interesses do grande capital ou os sindicatos. Esta doença está presente nos dois lados do espectro político, corroendo as instituições democráticas, destruindo a confiança do eleitorado, e dando azo a pensamentos radicais e movimentos violentos. Falo, claro, da incapacidade que os políticos por todo o mundo demonstram para moderar a sua posição e procurar compromissos que garantam uma governação eficaz e trabalhos parlamentares construtivos. Onde está essa cooperação tácita entre lados antagónicos? Quem é, afinal, o grupo ou indivíduo responsável pela transformação das casas da democracia em que primavam a retórica e a vontade de servir o público em zonas de conflito em que dominam as táticas de guerrilha e a vontade de servir os próprios interesses? Os media são provavelmente os maiores culpados, ao fomentarem pensamentos radicais com sensacionalismos, desinformação e reportagens para choc...