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A mostrar mensagens de abril, 2017

Todos Contra Le Pen

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Com a segunda-volta a duas semanas de distância, a estratégia política preferida dos políticos franceses nos últimos anos — a "barreira republicana" — está de volta. O declínio dos partidos tradicionais tem-se acentuado nos últimos 5 anos em França, ao mesmo tempo que a Frente Nacional tem aumentado a sua base de apoio, e, visto que todas as eleições têm duas voltas, se não houver maioria, (tirando as Europeias, em que a FN ganhou em 2014), a esquerda e a direita têm-se apoiado mutuamente para impedir que os "inimigos da República" controlem freguesias, autarquias, regiões ou assentos parlamentares. Chega a vez de proteger a Presidência, mas com os Republicanos e o PS de rastos, ambos arredados da segunda volta e com uma votação conjunta inferior à de Sarkozy em 2012, é preciso perceber quem vai formar a barreira e como é que esta se vai aguentar. O apoio do PS parece genuíno e consensual: certamente que os socialistas gostariam de ter tido Macron como n...

O Bom Rebelde

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Hoje é o dia em que os franceses vão às urnas, e para concluir a nossa série analisarei o candidato que muito provavelmente será o novo Presidente, no dia 7 de Maio. Emmanuel Macron fascinou todo o Mundo com a sua candidatura independe liberal, que conseguiu quebrar o duopólio que o PS e os Republicanos tinham na política francesa. Com 39 anos, a sua energia, carisma e inteligência eletrizaram o eleitorado, sendo o o favorito a ganhar a primeira volta com uma margem de cerca de 2% e a segunda volta com vantagem de 15% sobre TODOS os adversários possíveis. A Presidência será de Macron se este a quiser, ou seja, só uma sequência de gafes e erros graves é que o podem impedir de chegar ao poder como o 1º Presidente independente. Perfil:  Macron começou a trabalhar com o governo em 2004, como Inspetor de Finanças do Ministério da Economia. Participou depois numa comissão para melhorar o desempenho da economia francesa,  tendo saído em 2008 para o banco Rothschild & Co,...

O Irredutível Gaullista

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Fosse este artigo escrito em Outubro e estaríamos a falar de um candidato irrelevante às primárias do centro-direita. Se tivesse sido escrito em Novembro, estaríamos aqui a falar do futuro Presidente de França. Em Fevereiro, já seria sobre o facto de ser impossível a François Fillon chegar à segunda volta, mas estamos em Abril e está-me a parecer que o candidato Republicano será o segundo mais votado amanhã. Esta campanha tem sido uma autêntica montanha-russa para Fillon, que passou do anonimato à glória tão rápido como daí foi à desgraça. Assombrado pelo facto de ter pago quase 1 milhão de euros à sua mulher Penelope e dois filhos para alegadamente fazerem muito pouco trabalho no seu gabinete parlamentar, o homem que idolatra Margaret Thatcher parece-me pronto para ser o grande choque desta eleição, deixando para trás  Marine Le Pen  e  Jean-Luc Mélenchon , candidatos com muito mais "hype". Este prognóstico sustenta-se na sua recente aproximação nas sondagens, no ap...

Ódio e Preconceito

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Depois de analisar  Jean-Luc Mélenchon , chega a vez de Marine Le Pen , a candidata que prevejo que acabe a primeira volta em 3º lugar. Esta afirmação pode parecer surpreendente, pois a candidata da FN tem estado sempre entre os 2 primeiros nas sondagens, mas, tendo em conta o histórico eleitoral da Frente Nacional, o precedente das eleições holandesas e a recente aproximação de Fillon, acho que será difícil à extrema-direita bater à porta do Eliseu. Claro que com o ataque de ontem em Paris e a proximidade dos 4 principais candidatos nas sondagens, tudo é possível. Perfil: Madame Le Pen diz que é uma outsider política, combatente do sistema e das suas elites corruptas. Isto apesar de ser a filha de um político influente e abastado, criada no luxo de uma grande propriedade nos arredores de Paris. Quanto à corrupção, o facto de estar a ser investigada por desviar indevidamente 300 mil euros do Parlamento Europeu, tendo também já sido condenada por fraude, devido à falsific...

O Diabo Vermelho

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Em contagem decrescente para as eleições de Domingo, vou apresentar os 4 candidatos com hipóteses de chegar à segunda volta, as suas propostas e o seu histórico, com uma apreciação crítica da sua candidatura e das suas capacidades. Vou começar por baixo, com o candidato que prevejo que vá ficar em 4º: Jean-Luc Mélenchon . Perfil:  Comunista tornado socialista tornado radical de esquerda, Mélenchon é euro-deputado pelo Partido de Esquerda (Parti de Gauche), força que criou para se separar do PS de Hollande e da sua ex-mulher Ségolène Royal, que considerou demasiado centrista e capitalista. Este divórcio veio 6 anos depois de ter servido no Governo de Lionel Jospin como ministro da Educação Vocacional e enquanto ainda era Senador pelos subúrbios de Paris. Conhecido pelos seus dotes de oratória e casaco preto, é, desde cedo, defensor da união da esquerda francesa contra a direita capitalista, uma esquerda que não tenha vergonha do seu pendor revolucionário (é, afinal, admira...

Eleições à vista!

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Para surpresa de todos, Theresa May anunciou hoje que marcará eleições legislativas para o dia 8 de junho deste ano, à procura de um mandato mais alargado no contexto da saída do Reino Unido da União Europeia. Embora seja ainda necessária uma votação no Parlamento para aprovação da data, é quase certo que a proposta vá ser aprovada. O anúncio deixou todos em choque, porque May passou os últimos meses a dizer que o país precisava de estabilidade para as negociações com a União Europeia, rejeitando, até, a possibilidade de um referendo na Escócia com o argumento de que o país deve evitar instabilidade neste período. Esta contradição poderá custar-lhe votos, mas, de facto, a oportunidade parece boa demais para ser desperdiçada. Ora vejamos:      Este gráfico apresenta a média dos resultados das sondagens para as Eleições Legislativas do Reino Unido em cada mês. O que podemos ver é que, desde o referendo ao Brexit, em junho de 2016, o partido Conservador tem alarg...

16 de Abril- Um retrocesso da História?

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O Pano de Fundo - Amanhã, 16 de Abril, o povo turco será posto à prova naquilo que é considerado um dos acontecimentos mais relevantes desde o estabelecimento da República em 1923 e a mudança política mais controversa numa geração: a votação de emendas constitucionais que visam acabar com a democracia parlamentar e transitar para um sistema presidencial. Este pacote de reformas, que contém 18 emendas, será submetido a referendo porque as propostas de mudanças constitucionais não obtiveram a aprovação de 2/3 dos deputados. Neste caso, as reformas foram confirmadas pela Grande Assembleia Nacional, a 21 de Janeiro, por uma maioria simples, com 339 votos a favor em 550, ultrapassando o limite de 60% das votações requeridas para submeter o projeto a um referendo, e ratificadas pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan. A determinação deste na aprovação do referendo levou-o mesmo a entrar em tensões diplomáticas com ministros europeus, na busca por votos de expatriados. Chegou mes...

A Nova Era Começa Em França

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As eleições francesas estão a mostrar-nos o futuro da política Ocidental: a rivalidade esquerda/direita está a definhar perante os nossos olhos e ser substituída por uma nova ordem, podem chamar-lhe populismo vs establishment, nacionalismo vs liberalismo ou mesmo isolacionismo vs internacionalismo; o que interessa é que as velhas divisões políticas não estão cá para ficar, e enquanto as pessoas e, principalmente, os partidos políticos não se adaptarem a esta realidade, estaremos num estado vegetativo de não-reação, fingindo que tudo está bem, vulneráveis aos ataques dos radicalismos. A França está se a mostrar um excelente caso de estudo, ideal para comprovar esta teoria. De acordo com as últimas sondagens, os candidatos abertamente liberais Macron, Fillon e o menos conhecido centrista Lassalle reúnem 45% das intenções de voto na primeira-volta. Estes são, com mais ou menos diferenças, defensores da globalização e da ordem mundial estabelecida no pós-Segunda Guerra. Do outro lad...

Destruíndo o Senado

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Esta é a história de como o maior génio político dos EUA vai conseguir concluir a mais brilhante jogada do século. Esta também é a história da destruição de uma tradição, e das dinâmicas de uma Instituição com mais de 200 anos. Amanhã, Neil Gorsuch será o primeiro juíz a ser confirmado no Supremo Tribunal no pós-guerra sem qualquer consenso bi-partidário. Este expoente máximo da polarização partidária é o culminar de décadas de lutas de orgulho que apenas têm fragilizado os EUA e a sua centenária democracia. Começo por explicar o problema, para depois explicar como ele surgiu. Quando morreu o juiz Antonin Scalia, em Fevereiro de 2016, o Presidente Barack Obama cumpriu o seu dever constitucional e nomeou o respeitadíssimo juiz Merrick Garland para o lugar vago. Prontamente, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, encorajado pela maioria dos candidatos às primárias republicanas, afirmou que o Senado não cumpriria o seu dever constitucional de ouvir e votar a no...

Uma Pedra no Sapato

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Quem diz que a Península Ibérica é habitada por dois povos é normalmente corrigido pelos sabedores de maior ordem que relembram que Andorra existe; distração indesculpável dos que acusam ditrações - lá no Sul da península, há uma pedrita chamada Gibraltar que não é espanhola, nem portuguesa, nem andorrana, e que tem dado que falar esta semana. Um pouco de História Controlado pelos Mouros por mais de sete séculos, o Calhau do lado Europeu do estreito foi (re-) conquistado pelos Castelhanos em 1462, mas, em 1713, por meio do tratado de Utrecht, Espanha cede Gibraltar à Grã-Bretanha e, desde então, Gibraltar tem pertencido aos Bretões. Espanha argumenta que Gibraltar lhe foi retirada no contexto de uma disputa pelo trono espanhol, mas o que é facto é que a cedência de Gibraltar à Grã-Bretanha está prevista num tratado que contou com as assinaturas dos representantes das maiores potências europeias à altura. Mas porquê Gibraltar? A terra é pequena, e tem uma população permanente d...

Trump e a Mãe Rússia

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Paira um fantasma sobre a Administração Trump, um fantasma russo que persegue o Presidente desde os primeiros dias da sua campanha. No espaço de quase dois anos, uma série de declarações, conexões e revelações criaram as condições perfeitas para o aparecimento de uma teoria da conspiração tão plausível que está a ser investigada pelo Congresso. Passo a esclarecer as certezas, as dúvidas e os detalhes verdadeiramente estranhos desta história que tresanda a "Watergate" e que poderá ditar o fim de uma Administração que já se está a deslegitimar desde o primeiro dia devido ao já confirmado envolvimento do estado russo nas eleições. Começando por baixo temos George Papadopoulos ,   um conselheiro de política externa que Trump considerou importante o suficiente para mencionar e elogiar numa entrevista ao Washington Post em Março do ano passado. Sergei Millian , um bielorruso-americano que é tido como o homem por trás da divulgação de supostos documentos comprometedores que o...