O Fim da Linha

20 anos depois, os Republicanos também têm uma maioria nas duas casas e um nomeado que não poderá ganhar. A diferença é que a auto-destruição aconteceu mais cedo. Depois de uma Convenção desastrosa, que os "pesos pesados" do partido ignoraram por completo (tirando, pasme-se, Bob Dole), Trump viu os Democratas alcançarem uma Convenção impressionante em termos de mobilização e união. Na sequência disto, Trump caiu nas sondagens para um diferença que ninguém tinha desde, pasme-se de novo, Bob Dole. Dado este revés Trump começou a tentar, sozinho, destruir a sua campanha. Desde atacar a família de um capitão muçulmano do exército americano que se martirizou no Iraque para salvar a sua unidade, a incitar ao assassinato de Hillary Clinton caso esta restringisse o acesso às armas, o "Republicano" não se tem cansado de carregar no "botão de auto-destruição" (que sempre é um melhor botão para esta tâmara racista em forma de ser humano ter nas mãos do que um botão nuclear).
Dada esta aparentemente orquestrada implosão, a maioria Republicana no Senado parece estar em risco, com Estados aparentemente seguros, como o a Carolina do Norte, a verem sair sondagens em que o candidato democrata está em vantagem na luta por um lugar na câmara alta. O "efeito Trump" visa, também, candidatos a Representante e a Governador (como se vê também na Carolina do Norte, onde nova sondagem dá o incumbente Republicano em "queda livre" num Estado que vota Republicano desde 1976 com a exceção de 2008).
Com rumores de que o extravagante bilionário pode até abandonar a corrida por não gostar de perder, o Partido Republicano está em boa altura para repetir a estratégia de 1996. De lembrar que, para além de ter mantido as maiorias, os Republicanos criaram depois uma base sólida para eleger um candidato muito mais moderado que Bob Dole em 2000. Poderão, agora, os Republicanos tirar o tapete a Donald Trump e preparar uma campanha vitoriosa em 2020 (Kasich, Rubio se for re-eleito, e Cruz partiriam outra vez na "pole-position"). A coragem não parece estar lá. No entanto, a imagem do GOP pode ficar manchada para sempre por associação a um fiasco político de dimensões históricas. Será um preço que a liderança do Partido está disposta a pagar?
João Jonet
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