Termo de Comparação

Barack Obama está desde Março a ver sondagens em que mais pessoas aprovam a sua administração do que o contrário. O regresso da popularidade do Presidente, que já dura há largos meses, tem poucos precedentes no seu conturbado mandato. Desde 2013 que Obama não pisava terreno positivo,feito que só almejou depois de ser eleito, re-eleito e num período intermitente entre 2011e 2012 (coincidente com a morte de Bin Laden e a retirada do Iraque).
Analisando os últimos meses do seu mandato, Obama não fez nada para merecer esta subida. Apoiou de forma tépida e pouco interventiva iniciativas para melhor controlar a posse de armas, apesar dos discursos chorosos; observa serenamente enquanto a China abusa dos seus vizinhos e toma controlo do Mar do Sul da China... Nada que mereça especial destaque.
Os números do emprego subiram no setor privado, mas, tal como a maioria dos números de crescimento económico, o mérito é do mercado e não da Administração Obama. Aliás, é normal esta Administração aproveitar-se de dados económicos positivos que são apenas um reflexo natural do pós-Grande Recessão. Para além disso, estes números não costumam dar uma subida nas sondagens deste nível. Continua a não haver explicação...
Obama também tem estado a negociar grandes acordos de comércio livre com o Espaço Pacífico (TPP) e Europeu (TTIP), acordos esses que serão extraordinariamente benéficos para os EUA e que marcaram uma das poucas boas decisões destes 8 anos. No entanto, estes acordos são tão pouco populares que Hillary foi forçada por Sanders a opor-se ao TPP e Trump passa os seus dias a dizer que esta é só mais uma maneira de os EUA perderem riqueza e emprego. Se o populismo se vira contra estes acordos, é porque o comércio livre e a globalização estão fora de moda. Portanto, ainda não encontrei a razão para esta subida nas sondagens.
Só há uma explicação lógica. Por mais fraco que o mandato de Obama tenha sido, com desrespeito pelas instituições e pela Constituição, com erros constantes no campo da política externa, com muita conversa e pouca ação nos assuntos que flagelam a sociedade americana (armas, conflitos com a polícia, discriminação racial e sexual), comparar o carismático Presidente com qualquer uma das pessoas que lhe podem suceder é um exercício assustador para a maioria dos americanos. Muitos sonharam com um Mundo em que este se pudesse re-candidatar e daí esta repentina e inexplicável enchente de amor.
João Jonet
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