Suspirar de alívio


É hoje possível dizer que Donald Trump será o derrotado das eleições de 8 de Novembro. A mais de dois meses de distância, posso garantir com a maior segurança que o nova-iorquino não poderá tornar realidade as previsões apocalípticas  que fizeram sobre o seu hipotético mandato.

Esta derrota humilhante e desnecessária para o Partido Republicano, depois de 8 anos de um Presidente que se mostrou tão pouco experiente, astuto, hábil e resoluto como se esperava,  já vem sendo anunciada por mim desde que comecei a escrever nesta plataforma. Fica claro, agora, que nada parará Hillary, uma candidata de fraca qualidade que poderia ter sido parada facilmente por Republicanos competentes e moderados  (John Kasich). Mas esses prognósticos eram subjetivos, eu não sabia como é que seria o comportamento de Trump na corrida à Casa Branca ou como é que o público reagiria.

Agora, as sondagens confirmam que a falta de preparação da campanha do nomeado Republicano, as suas constantes gaffes, a sua falta de conteúdo (pelo menos realista, porque de ideias malucas está ele cheio) e inexperiência política lhe valeram um lugar na História como um dos maiores derrotados em Presidenciais. Não deixa de ser irónico que um homem que diz que vai vencer a torto e a direito e que toda a gente é um "loser" acabará por ser o maior "loser" Republicano dos últimos 50 anos.

Afinal, como posso estar eu a falar com esta certeza toda? Porque fiz as contas.

As eleições americanas têm uma matemática muito simples. Quem chega a 270 votos do colégio eleitoral ganha (ler aqui). Normalmente os Democratas partem com 201 votos garantidos e os Republicanos com 191. Ninguém duvida destes números. Nova Iorque e a Califórnia não vão passar para os Republicanos e o Texas e a Geórgia para os Democratas.

Portanto, a não ser que aconteça algo extraordinário, as eleições decidem-se nos "swing-states",  Estados que pelo seu histórico eleitoral, identidade cultural ou assimetrias regionais não se identificam com nenhum dos partidos. Iowa, Nevada, Colorado, Pensilvânia, Wisconsin, Michigan, Ohio, Virgínia, Carolina do Norte, New Hampshire e Florida decidem eleições com 146 votos.

Nesta eleição, devido a alienação de mulheres e minorias levada a cabo pelos Republicanos, já há "swing-states" que deixaram de o ser. O Michigan, o Nevada e o Colorado ficam cada vez menos "swing-states" a cada ciclo eleitoral devido ao aumento da população latina nos dois últimos e afro-americana no primeiro. Com vantagens na casa das dezenas nestes Estados, Hillary fica com 232 votos. A Virgínia e o Wisconsin têm nas suas populações um tremendo ódio por Trump e, por isso, aí também não haverá discussão. Já vão 255. A Pensilvânia tem votado Democrata desde 1992, o que nos leva ao "número mágico": 275 votos.

Hillary já ganhou. Ainda falta contabilizar todos os outros "swing-states" em que Hillary tem uma vantagem confortável nas sondagens, nuns pela mobilização das minorias (Carolina do Norte e Florida), noutros por serem cada vez mais favoráveis às políticas económicas de Obama (New Hampshire e Iowa)  e, por fim, no Ohio, porque Trump não tem lá a sua campanha instalada sequer, e porque o Governador Republicano (Kasich) se opõe veementemente ao nomeado do seu Partido. 347.

Mais, de acordo com sondagens e analistas, com o decorrer da campanha, as gaffes de Trump e o crescimento dos libertários, o mais certo é que Hillary ganhe o Arizona e a Geórgia (374-164). Segundo estudos recentes, existe até maior probabilidade de Hillary ganhar a Carolina do Sul, o Utah, o Missouri e o Indiana (bastiões republicanos) do que Trump conseguir ganhar dois ou mais "swing-sates".  Melhor e mais divertida das hipóteses: 437-101. Derrota histórica.

Trump não vai ganhar. Acabou! O leitor pode suspirar de alívio.

João Jonet

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