Corrida ao Senado Parte IV: Grab'em by... the Senate

Sexta-feira, dia 7 de Outubro fomos presenteados com o momento que decidiu estas Presidenciais mesmo para os mais céticos. A NBC divulgou um vídeo de 2005 em que Trump dizia a Billy Bush (Primo de Jeb e George) uma série da alarvidades. Entre elas a mais marcante foi o já clássico "When you're a star they let you do it. You can do anything ... grab'em by the p****". Ora este vídeo não só enterrou ainda mais as esperanças presidenciais de Donald Trump, como parece estar a prejudicar imenso os candidatos Republicanos ao Senado. De acordo com o site FiveThirtyEight, especializado em tratamento de sondagens, os Republicanos passaram de ter 48% de hipóteses de manter a maioria do Senado no dia antes de sair o vídeo para 27% ao dia de hoje. Esta queda deve-se à mudança radical nas sondagens de todos os Republicanos em Estados decisivos. No Nevada e no New Hampshire os candidatos do GOP perderam a sua vantagem nas sondagens e na Pensilvânia, Illinois, Wisconsin e Indiana ficaram quase irremediavelmente afastados da vitória (parece-me que só na Pensilvânia é que ainda será possível). No entanto, estes não foram os desenvolvimentos mais graves.
No Missouri e na Carolina do Norte, Estados tendencialmente muito Republicanos, os Democratas têm de repente hipóteses bem reais de ganhar.
Começando pela Carolina do Norte, onde as tensões sociais e mudanças demográficas parecem estar a tornar um "Red State" num "Blue State": este Estado tem sido palco de diversos episódios de violência policial e consequentes protestos da comunidade afro-americana cada vez mais ativa politicamente e democrata. Temos também uma galvanização da comunidade LGBT devido a uma lei estadual que regula a utilização de casas de banho para transexuais, obrigando pessoas que já mudaram de sexo a usarem as instalações sanitárias do seu sexo de origem. Esta lei deverá custar mesmo aos Republicanos a Mansão do Governador. A juntar a isto, temos na Carolina do Norte uma concentração cada vez maior de brancos com cursos superiores, uma demografia normalmente mais Republicana, totalmente afastada do Partido por Trump. Tudo isto contribui para que o incumbente Richard Burr, Senador há 12 anos e membro da liderança do Partido Republicano no Senado, esteja a ser ameaçado pela legisladora estadual Deborah Ross. A vitória de Burr é ainda o cenário mais provável, mas não deixa de ser um sinal preocupante para o GOP esta perda de controlo na Carolina do Norte, que deverá votar Democrata para Presidente e Governador.
Passamos ao Missouri, onde um Senador Republicano ainda mais importante, Roy Blunt, membro da liderança da Câmara dos Representantes durante os 14 anos em que lá esteve e agora também membro da liderança do Senado, está perante uma derrota quase certa num dos Estados mais Republicanos de entre os mais populosos. Jason Kander, o jovem Secretário de Estado do Missouri, de apenas 35 anos, tem uma vantagem confortável nas sondagens e protagonizará uma das maiores surpresas deste ciclo eleitoral, se olharmos para as expectativas iniciais quanto a esta corrida. O Missouri também tem sido palco de de tensão racial e isso está a ser bem explorado pelos Democratas nas cidades de St. Lois e Kansas City, gigantescos centros urbanos no contexto do centro dos EUA.
Não há dúvida que a mensagem do Partido Republicano se está a afastar cada vez mais das populações dos Estados que interessam, mas Trump é o grande culpado pela perda do Senado por parte do seu Partido. Ou melhor, os Senadores que não condenaram Trump são os grandes culpados disto tudo, sendo responsáveis pelo fraquíssimo candidato que têm, exceção feita a 6 ou 7 que mantiveram a sua integridade. Fazendo as contas aos estragos que este vídeo fez, os Republicanos passaram de uma situação em que seria provável ficar com 51 Senadores contra 49 Democratas para um cenário em que 50-50 já era ótimo (lembrando que isto já significaria a perda do Senado, devido ao voto de desempate do Vice-Presidente Tim Kaine) e em que o mais plausível é que os Democratas fiquem com uma margem de 52-48.
João Jonet
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