Hillary 4-2 Trump: Debate q.b. garante a eleição



Mais uma vitória para Hillary aos olhos da opinião pública. Já se está a tornar repetitivo elogiar a preparação e a competência da candidata democrata, e com esta concorrência, não é difícil sobressair, mas, de facto, não há muitas dúvidas de que Hillary não será uma Presidente desastrosa. Talvez subverta em demasia a constituição, talvez compense com uma boa gestão do estado social e dos negócios estrangeiros.

Os primeiros trinta minutos deixaram o mundo em suspense. A preparação de Trump era de tal ordem que chegou a citar casos do Supremo Tribunal. Será que o homem que todos achavam o pior candidato da história moderna se tinha transformado, qual borboleta reaganiana, num Presidente. Hillary era pressionada pelo récem-encontrado saber do republicano enquanto o melhor moderador até agora (Chris Wallace, da Fox News) a apertava bastante.

De repente, Hillary virou uma pergunta dificílima sobre os seus e-mail (bem ao seu estilo pouco transparente) e transformo-a num ataque a Trump e à sua admiração por Putin, acrescentando que Putin preferia um fantoche (The Donald) na Casa Branca. Trump levou a peito (como leva sempre) e começou a ser Trump. Interrupções, faltas de educação e mentiras seguiram-se, deitando tudo a perder. As iniciais defesas de uma política de imigração e direito às armas passaram para segundo plano, tomando o palco o atou-elogio e a falta de fluidez e racionalidade no discurso. Um espetáculo triste que infelizmente nem foi o pior que já se viu. Hillary limitou-se a gerir. Sem atacar muito, foi ganhando pontos e acaba como a vencedora para a maioria. Considero que o seu debate foi eficaz, mas fraco e previsível. Podemos chamar a isto um empate sem muita história. Toda a gente fez um escândalo quanto ao facto de Trump não garantir que ia aceitar o resultado das eleições, apesar de o Republicano estar a dizer isso em comícios há duas semanas... eu acho que não terá muito impacto nas sondagens.

A esperança desapareceu e no seu lugar veio a certeza de que os Republicanos vão ser prejudicados pelo facto de o seu candidato não se ter superiorizado em nenhum debate. Performances incoerentes com as ideias do Partido já eram expectáveis, mas criticar projetos de Reagan e Bush filho à frente de toda a gente é ir longe demais. Os apoios dissimulados ao aborto e aos direitos relativos às armas fazem-no parecer mais falso que Clinton, dado o seu historial contraditório que é tão vasto e fácil de atacar que chega a ser deprimente. Mantenho a minha ideia de que qualquer candidato Republicano ganhava esta eleição. Como Trump não o é, e acrescenta a isso o facto de ser um energúmeno, vai perdê-la com estrondo.

Daqui a menos de três semanas acaba um capítulo triste da História do Partido Republicano, esperando-se que este choque leve a uma reforma na mensagem que se afaste do lixo que são as propostas de Trump. Seja qual for a sua preferência política, uma oposição competente e com possibilidades de ser eleita é um garante contra a tirania. Os EUA estão em perigo de não ter uma.

João Jonet

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