Uma Telenovela Interminável

Este fim-de-semana viu cair Pedro Sánchez, um líder partidário que falhou a toda a linha,mas que tentou salvar a sua vida política em vez de defender os interesses do sue País. Vimos, portanto, a queda de um típico líder socialista europeu.
Ameaçado pela esquerda, pelo centro e pela direita, o PSOE vê-se, devido em grande parte à incompetência de Sánchez, em risco de ser reduzido à insignificância a que o PASOK foi reduzido na Grécia (tem hoje em dia 5% dos votos). A recusa em permitir que Rajoy tomasse posse, mesmo tendo o PP saído vencedor de 2 eleições no espaço de 6 meses, fragilizou muito a imagem de um líder que já tinha conseguido o feito histórico de perder a Andaluzia, uma bastião socialista que muitos consideravam impossível de conquistar.
Mesmo com um PP desmembrado por escândalos de corrupção, que é culpado por todo o processo de austeridade e que tem um líder que nem sequer vai a debates, o jovem líder falhou redondamente e ainda foi teimoso e orgulhoso ao ponto de levar a Espanha a uma eleição suplementar e a ameaçar oferecer-lhe outra.
Agora, graças a um daqueles golpes palacianos a que ninguém sobrevive (a não ser que essa pessoa se chame Jeremy Corbyn), Susana Díaz assumirá muito provavelmente a liderança. A Presidente da Andaluzia prefere deixar Rajoy governar em minoria do que levar o país a novo sufrágio, temendo-se até que o PP consiga uma maioria absoluta nesse cenário
Apesar de a possível nova líder do PSOE agradar muito mais à direita como parceira negocial, temos o lado do PP, que neste momento sente que eleições até podiam ser benéficas para fortalecer a sua posição e a dos Ciudadanos nas Cortes e fragilizar a esquerda (Podemos incluído), rotulando-a de irresponsável e pouco patriótica.
Claro que isto é um jogo perigoso, tanto para PP como para PSOE. Quanto mais o PSOE se mostrar como um partido defensor das instituições e do "status quo", mais se vai afastar do novo eleitorado esquerdista que tem perdido para o podemos. Quanto ao PP, se mostrarem que realmente querem novas eleições poderão perder todo o crédito ganho nesta embrulhada.
É preciso gerir esta situação de forma muito delicada para que Rajoy não perca uma aura que nunca teve e que de repente ganhou. Se o PP conseguir, garantirá o espaço da direita histórica no panorama político espanhol, se não também poderão aparecer ameaças do seu lado do espectro.
João Jonet
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