Hillary 1-0 Trump: Superioridade com classe

Um dia depois, faço uma análise a frio do primeiro debate Presidencial. Um debate em que Hillary esteve mais calma, mais humana e mais preparada e se superiorizou a um Trump que não se afastou quase nada da sua mensagem das Primárias, o que teria sido vital pra ter uma hipótese.
O debate começa com Trump a tratar Hillary por "Secretary" em vez de usar a alcunha que tanto gosta "Crooked Hillary" (Hillary Desonesta, se tentarmos traduzir um expressão muito típica). Este sinal de respeito e uma tentativa de se manter na mensagem de proteção da economia e das pessoas mostrava um Trump que podia exceder as expectativas nos primeiros 10 minutos. Com o passar do tempo, Trump foi-se afundando cada vez mais. Mostrando uma clara falta de preparação e muito nervosismo.
Cada provocação de Hillary, por mais pequena que fosse, parecia pegar sempre. A Democrata nem teve de se esforçar muito, porque parecia que Trump queria mesmo estar na defensiva e só falar de si.
No entanto, nem para se defender estava preparado. A resposta tosca a uma questão mais que previsível relativa ao seu movimento para provar que Obama não tinha nascido nos EUA é o exemplo máximo disto. Mentiu sobre a sua oposição à Guerra do Iraque, disse que era esperto por não pagar impostos e Hillary foi atirando carvão para o fogo onde ele se queimava. Acusou-o de racismo nos anos 70, mas quando lhe bastava dizer que eram acusações infundadas e que não tinha sido sequer julgado num processo de discriminação, optou por dizer que não tinha sido o único , um pouco como uma criança apanhada a falar numa sala de aula.
Trump foi mal educado, interrompendo Hillary (que não se deixou afetar) frequentemente, e ficou muito mal visto na ótica dos indecisos. E ainda nem cheguei à pior parte. Devido aos seus 40 anos de vida política ativa, não havia ninguém com mais telhados de vidro que Hillary. Trump não aproveitou quase nada. Não falou muito dos e-mails, não falou de todo do facto de Hillary já ter estado nos dois lados da discussão em todos os assuntos polémicos nos EUA, desde a imigração ao aborto, não explorou nada bem a oposição da candidata ao acordo do comércio livre do Pacífico, que é um projeto de Obama, ou as guerras da Síria e da Líbia. Um candidato republicano preparado tinha destruído Clinton; contra Trump nem um arranhão.
A ex-Primeira Dama, por seu lado, esteve muito bem. Provocou e destruiu o plano de Trump. Divertiu e interagiu bem com o público. Muito competente a explicar tudo o que queria, apesar de às vezes os seus planos serem algo vagos. Quando a polémica dos e-mails surgiu, pediu desculpa pelo erro e seguiu em frente. Ridicularizou Trump por comparação, parecia divertida e energética e ele fungava a torto e a direito enquanto fazia caretas. A resposta ao ataque demorado de Trump ao seu temperamento (o já famoso "shimmy") só lhe deus mais crédito. Apenas falhou quando foi para falar de tensões raciais, muito fria e política, a mostrar o seu pior lado no que toca a fazer campanha e a relacionar-se com o eleitorado.
Hillary ganhou em preparação, conhecimento dos assuntos, imagem e capacidade para passar a mensagem de forma eficaz. Se for nesta forma para os próximos debates, Trump sairá muito fragilizado. Resta ver as sondagens para saber se já fez mossa.
João Jonet
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