França 2017: PS e a deprimente queda de Hollande


As eleições de 2017 em França já estão a aquecer. Numa altura em que as primárias de cada partido já fazem correr muita tinta, e em que todos os analistas políticos parecem já ter o cenário da 2ª volta desenhado, pomo-lo a par de todos os acontecimentos.

Começando pelo PS, o Partido que tem governado o país com muitos escândalos à mistura desde 2012. Uma gestão fraquíssima da economia e dos parceiros sociais impediu um crescimento mais pujante e criou um clima de insustentável instabilidade social durante largos períodos. O tão apregoado regresso à social-democracia teve resultados desastrosos, com o desemprego a crescer desde 2012, em contraste com o resto do Mundo, um êxodo das grandes fortunas, que foram taxadas em demasia, e uma economia estagnada e pouco competitiva. Juntando as controvérsias amorosas de Hollande a este descalabro, nem a ideia de um Presidente em tempos de guerra o pode salvar.

Normalmente, nem haveria primária no Partido do incumbente, mas Hollande tem uma popularidade tão baixa que ninguém sabe se se vai sequer candidatar. Se cumprisse o que prometeu, não se candidataria, pelo menos. Em 2015, disse que se não conseguisse baixar o desemprego para níveis inferiores aos de quando tomou posse (como prometera na campanha eleitoral de 2012) até ao fim do mandato, não teria legitimidade para ir às urnas. Alguns dizem que, mesmo que se candidatasse, não seria o nomeado. Manuel Valls, o Primeiro-Ministro que goza de alguma popularidade, poderia pensar em candidatar-se, mas sendo a derrota certa para o seu Partido, mais vale "queimar" um "ator secundário. Se nenhum dos dois se quiser martirizar em Janeiro, o mais provável é que Marie-Noëlle Lienemann (Senadora por Paris) ou os ex-ministros Benoît Hamon e Arnaud Montebourg (o favorito na ausência de Hollande) disputem a nomeação e fiquem em 3º na 1ª volta, atrás do candidato dos Republicanos (Direita) e de Marine Le Pen, que disputariam uma 2ª volta similar à de 2002 entre Chirac e Le Pen.

O Partido parece condenado a repetir a dose de 2002, seja quem for seu candidato (Hollande é o Presidente mais impopular da História). Especialmente porque Emmanuel Macron, que deixou o Partido em 2009 e o Ministério da Economia no mês passado, vai, ao que tudo indica, candidatar-se como principal representante do centro, mas tirando muito do lastro ao PS. E tem algumas hipóteses, estando entre os 15 e os 20% nas últimas sondagens, tendo Hollande sido excluído de algumas sondagens que o incluíam e ficando a cerca de 4-5% de distância nas sondagens em que estão os dois presentes.

Não deixa de ser triste ver a esquerda social-democrata europeia a desaparecer e dar lugar a extremismos, deixando a direita democrática sem oposição real.
É este o caso em Espanha, Portugal, Reino Unido e França e, se não aparecerem novas forças centristas para equilibrar a cena política (um regresso à proeminência dos Partidos Liberais?), isto pode acabar muito mal.

João Jonet

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