As Vantagens do Pânico

Donald Trump anunciou a sua campanha há mais de um ano e desde aí ninguém se tem aproveitado melhor do pânico que ele. Explorando o medo de perder o trabalho para imigrantes presente nos trabalhadores do setor primário e secundário, o receio pós-11/09 em relação aos muçulmanos, o temor em relação ao crescente poderio económico da China e militar da Rússia, o Republicano tem-se mostrado perito na exploração do pânico dos eleitores, especialmente dos menos informados. Apesar de tudo isto, quem pode neste momento usar o pavor alheio para vencer as eleições é Hillary Clinton.
Desde que Hillary quase caiu a entrar no carro há duas semanas e disse que metade dos apoiantes de Trump podia ser posta num "cesto de deploráveis" (o que, apesar de parecer apropriado, foi bastante polémico) as sondagens não têm sido meigas. Neste momento, a eleição parece próxima, com Trump a vencer todos os swing-states fáceis para um Republicano normal nesta eleição (Florida, Ohio, Carolina do Norte, Nevada e Iowa), mas que pareciam missão impossível para uma pessoa tão "deplorável" como o excêntrico bilionário. Resta agora a Trump virar um Estado muito Democrata em Presidenciais para se por em vantagem no Colégio Eleitoral (pode ser a Pensilvânia, o New Hampshire ou o Wisconsin).
Ora, para uma eleição que parecia em Agosto (e, calma, estava e está) resolvida, esta mudança repentina de paradigma, que a tornam uma eleição totalmente imprevisível, estão a por Democratas, independentes e todas as pessoas com senso comum do Mundo em estado de pânico. Um pânico que não é de todo justificado visto que as desvantagens em termos de financiamento, estrutura, mensagem e qualidade da candidatura Republicana ainda são demasiado evidentes para levarem o Partido à vitória. Mas, este terror infundado pode ser uma ótima notícia para Hillary, que conseguirá assim mobilizar muita gente que não tinha vontade nenhuma de a apoiar, apesar do desprezo que têm por Donald Trump.
Uma mobilização eleitoral para "salvar os EUA" de um incompetente de proporções monstruosas pode ser muito negativa para os candidatos dos Libertários e dos Verdes, podendo também ter o condão de reduzir a abstenção e levar a uma vitória de proporções épicas.
Hillary vai ganhar seja por pouco ou por muito, mas se for por pouco ficará muito mais fragilizada.
Este pânico pode servir para varrer o "Trumpismo" do mapa com uma onda de apoio pouco entusiástica mas muito eficaz.
João Jonet
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