França 2017: Os Outros (desta vez com direito a candidatos à segunda volta)

Os eurocéticos do DLR e os Verdes têm estado na casa dos 5% e não deverão incomodar. O histórico Movimento Democrático, que representa o centro liberal, será provavelmente liderado de novo por François Bayrou, presidente da Câmara de Pau e deverão repetir o comportamento de 2012, em que estiveram perto dos 10%. Por fim, a passar a barreira dos 10% estará o candidato do Partido de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, ex-deputado e ministro do PS. Todos estes votos passarão para os dois candidatos que chegarem à segunda volta, e 25/30% do eleitorado não é coisa pouca.
Passando ao que interessa, Emmanuel Macron abandonou a pasta da Economia do Governo de Manuel Valls e formou um movimento próprio chamado "En Marche". Ambicionando ocupar o centro político e tirar votos aos grandes partidos democráticos e a todos os referidos anteriormente. Macron é admirado pelo seu carisma, honestidade e vontade de reformar o enferrujado estado social francês e as suas arcaicas leis do trabalho. Conhecido por todo o país e muito popular, já é considerado para a segunda volta, seja com Le Pen, Sarkozy ou Juppé, ganhando a todos estes menos a Juppé nas sondagens. A sua candidatura poderia também atirar o PS para baixo dos 10%, sendo que a sua mensagem moderna e desprendida de máquinas partidárias é preferível para o futuro de França. É vital que apareçam mais partidos centristas na cena política europeia como o Ciudadanos ou a iniciativa de Macron para discutir ideias concretas e não andar a gritar chavões.
Por falar em gritar chavões, falta falar da Frente Nacional. Le Pen assusta muito mais que o seu pai, liderando muitas sondagens de 1ª volta, a recolher cerca de 30% das preferências, bem mais do que os 18% que o seu partido conseguiu em 2002. A mensagem é clara e coerente: culpar os imigrantes por todas as maleitas que afetam França e defender a saída das organizações internacionais, isolando França para a defender melhor do terrorismo. Tudo muito perigoso para a ordem mundial. Não obstante, é de se estar tranquilo. Quem não vota em Le Pen na 1ª volta, não vota na 2ª e todas as sondagens indicam isso com Le Pen sempre a perder por 70-30 ou 65-35 com quem quer que seja (menos Hollande). Com mais um ataque terrorista, nunca se sabe, e não deixam de ser assustadores os 30% de base que têm um partido fascista em França. A maneira de lidar com imigrantes e minorias terá de mudar, tal como a maneira como se acompanha a população branca do interior que sente que o mundo está a mudar muito rápido.
O futuro de França será risonho se se conseguir integrar melhor as minorias e acomodar as vontades da maioria. O fim da tensão étnica será o fim da ameaça terrorista interna e poderá levar ao desaparecimento da Frente Nacional. É preciso que França se foque no seu Estado descontrolado e na sua economia estagnada e não nas cores dos seus cidadãos ou no que estes vestem. Macron vem ajudar a pensar neste futuro melhor e mais construtivo, Le Pen é um obstáculo. Espera-se que os franceses tomem a decisão certa.
João Jonet
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