Corrida ao Senado: Parte III

Regressa a análise às eleições mais importantes e interessantes deste ano nos Estados Unidos. Com que Senado irá a presidente Hillary Clinton contar? Com um que colabora ou com um que se coordena com a Câmara baixa Republicana para ir contra todas as suas iniciativas?
Com as Presidenciais mais que decididas, estas eleições vão marcar-se por uma diferenciação grande entre os Republicanos, que querem manter o emprego e o idiota que aparece antes deles no boletim. Conseguir o equilíbrio entre o extremismo de Trump e as ideias próprias de cada candidato parece a receita ideal,mas Rob Portman (Ohio), que num "post" anterior tinha sido apontado como favorito à derrota por se afastar de Trump e da base mais radical do Partido, tem surpreendido tudo e todos com uma campanha fantástica e totalmente afastada das ideias de Trump, liderando confortavelmente nas sondagens e vendo os Democratas a desinvestir na campanha do seu adversário.
Hoje, contarei a história de mais três eleições imprevisíveis e lançarei os meus palpites sobre o resultado de cada uma. Inicialmente, apenas iria falar de 2, mas confirmou-se uma grande surpresa desde que pensei nesta rubrica em Maio.
Começando pelo mais surpreendente, no Indiana, um Estado muito conservador e há muito tão Republicano como o Texas, parecia uma vitória fácil, até que entra em cena um tal de Evan Bayh. Quem? Pergunta o leitor, que provavelmente não é do Indiana. Evan Bayh é o político mais reputado lá do sítio, tendo sido Governador durante 8 anos, Senador durante 12 e filho de um Senador que serviu o Estado durante 18 anos. Bayh nasceu a fazer campanha no Indiana e não será uma pessoa de valia intelectual duvidosa como Todd Young, o seu adversário Republicano, escolhido para suceder ao também lendário Dan Coats. Para espanto de todos, o Estado que é dos com maior percentagem de Republicanos será pintado de azul de certeza.
Depois, temos o Nevada, onde o lugar que é há 29 anos do Democrata e líder do seu Partido no Senado, Harry Reid, vai a votos. Com a reforma do estandarte progressista, prefilam-se dois sucessores de grande valia, raro na política americana recente. A Procuradora-Geral do Estado onde fica Las Vegas, Catherine Cortez Masto, candidata-se com 8 anos de experiência no seu cargo anterior e com a aura de "menina dos olhos"do seu antecessor. Contra si tem um dos mais competentes políticos Republicanos a ir a votos neste ciclo. Joe Heck, que representa o a zona sul de Las Vegas e áreas rurais circundantes, tem-se pautado pela moderação, capacidade de dialogar com Democratas e de dizer não aos laivos extremistas do seu Partido. O nova-iorquino de origem consegue estar empatado nas sondagens com uma mulher com uma máquina política muito mais apetrechada, num Estado que é Democrata e com grande população latina (que a sua opositora representa). Um feito inolvidável no ano de Trump de um homem que, apesar de estar destinado a perder, merece o meu apoio.
Por fim, a eleição que fez correr mais tinta, a Florida, já esmiuçada aqui anteriormente (ler aqui), viu Marco Rubio regressar triunfalmente para derrotar os trumpsitas e por o seu Partido de volta no caminho da vitória. O ex-Republicano Patrick Murphy é o seu adversário e a eleição não será fácil, mas no fim, a experiência de Rubio aliada ao facto de ser o incumbente e ser conhecido por todo o País deverá fazer a diferença. Ainda bem, porque Rubio é um dos últimos centristas do seu Partido e também dos poucos que tem uma visão boa para este.
Resumindo, e reconhecendo que errei redondamente na minha previsão do Ohio, ficamos entre os 50-50, se os Democratas vencerem o Illinois, Pensilvânia e o Wisconsin e mantiverem o Nevada ou 49-51 se perderem o Nevada. Com a certa vitória de Hillary e num cenário provável de 50-50, o voto do Vice-Presidente Democrata fará a diferença, confirmando-se que será o "Partido do Burro" a ficar com o controlo do Senado. As notícias vão ficando cada vez melhores para a Srª Clinton.
João Jonet
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