Hillary 3-1 Trump: A implosão estava tão perto...

O debate desta madrugada ficou na História da política americana como o debate mais sujo de sempre. Trump fez questão de começar com um "auto-golo", mesmo antes de entrar no estúdio, fazendo uma conferência de imprensa em direto no Facebook com as mulheres que acusam Bill Clinton de abusos sexuais totalmente infundados. Mesmo Paula Jones, que recebeu 850 mil dólares num processo judicial contra o ex-Presidente (como Trump referiu apesar de esta só ter recebido 200 mil dólares, porque o juiz concluiu que o dinheiro teria de pagar os custos do processo) não os recebeu por Clinton ser culpado, se assim fosse este teria sido preso, mas para que parasse com recursos que estavam a limitar Bill Clinton no exercício das suas funções.
Gastei um parágrafo do meu texto a provar que UMA acusação de Trump não tem qualquer tipo de base na realidade e esse é o problema! Durante o debate o nomeado Republicano deve ter batido o recorde mundial de mentiras por minuto. Era uma novidade quando fazia uma afirmação baseada em factos. Ora, nem Hillary nem os moderadores conseguem estar constantemente a corrigir todas as falsidades despejadas por esta abjeta criatura. Segundo o "fact checking" do New York Times, só 2 das 21 afirmações controversas de Trump analisadas foram consideradas verdadeiras. Isto é chocante e, quando comparado com apenas 5 afirmações controversas de Hillary (2 consideradas falsas ou enganadoras), deixa clara a imagem de quem é que tem o mínimo de qualificações para liderar o "Mundo Livre".
O debate de estilo "town hall" (com perguntas de um público de independentes selecionados por uma agência de sondagens) é uma tradição americana que Hillary muito aprecia, ganhando claramente pontos na maneira humana como respondia às perguntas da audiência. Já para Trump, que prefere comícios, parecia ser indiferente a presença de pessoas à sua volta, falando sempre para as câmaras. Quando não estava a falar, Trump ficava de pé e seguia Hillary, mostrando o seu desconforto com o formato, já a Democrata estava calma no seu "habitat natural".
Nos primeiros 20 minutos, Trump mostrou a falta de nível que tem para estas andanças (leia-se, o mundo civilizado) ameaçando Hillary com uma perseguição política se fosse eleito e falando das acusadoras de Bill Clinton que sentou ao lado do nº 2 Democrata no Senado, numa demonstração clara da sua personalidade grosseira e desrespeitadora. Hillary ignorou a maioria dos ataques, tentando focar as atenções na gravação de Trump a falar de abusar mulheres que já destruiu a campanha do seu adversário (Só para dar uma ideia, na primeira sondagem desde que o vídeo se tornou público, a vantagem Democrata subiu dos 6% para os 11% desde dia 2).
Um pouco de animosidade era esperada de pessoas que nem se cumprimentaram ao início, mas acabou por ser chocante. À medida que o debate avançou, Hillary voltou a mostrar um maior conhecimento de tudo o que é assunto, mas os ataques pessoais de Trump foram muito mais eficazes e diversificados do que no primeiro debate, se bem que assuntos como o "Caso Benghazi" já estão um bocadinho gastos. A estratégia de Trump era conseguir uma vitória tão clara que encarrilasse de novo a campanha. A estratégia de Hillary era conseguir que Trump se destruísse sozinho, dando o golpe de morte na sua campanha. Nenhuma das estratégias resultou. Trump esteve muito melhor, no máximo empatou (eu achei que perdeu), mantendo a sua campanha moribunda, mas à "tona de água".
Apesar de o resultado do debate não ir de acordo com o que Hillary tinha planeado, poderá acabar por ser melhor assim. Desta maneira, os Republicanos não têm justificação para forçar uma desistência de Trump e fazer um esforço legal tremendo para o trocarem por um candidato que pode ganhar (nem sei se é preciso estar vivo, Richard Nixon, morto e enterrado, ganhava isto). Assim, Clinton aumenta a sua liderança e põe-se a jeito para uma vitória histórica. Tudo está bem quando acaba bem.
João Jonet
Obrigada pelo resumo :) estás muito bom e com muita graca. Congrats
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