A Terrível Semana de Trump

Desde segunda-feira que o futuro Presidente dos EUA e a sua Administração começaram uma demonstração assustadora do caos que nos espera nos próximos 4 anos. Contradições, polémicas desnecessárias, descontrolos, nepotismo e espetáculo desnecessário estiveram em oferta no que foram os piores 5 dias consecutivos de um homem que parece querer ser um eterno candidato.
Começando por segunda-feira, o dia em que o homem que será o líder do Mundo Livre se deu ao trabalho de insultar Meryl Streep por esta ter dado um discurso a condenar o seu comportamento inaceitável em campanha (especificamente por ter ridicularizado um repórter com deficiência), negando de seguida as acusações da atriz, apesar de termos provas irrefutáveis em vídeo que dizem o contrário. É assustadora a maneira como o homem mente com "os dentes todos".
Terça-feira saiu um relatório não verificado no site "BuzzFeed" que expõe uma série de acontecimentos embaraçosos ou ligações de negócios que alegadamente permitiriam ao governo russo chantagear Donald Trump. Apesar de nem a CNN nem o Buzzfeed terem relatado a história como se fosse verdade, mas apenas como rumores, o histérico e inseguro senhor que controlará a maior potência militar do Mundo lançou-se numa espiral de vitimização, afirmando que era vítima de uma conspiração e de "fake news"... a ironia é uma coisa fantástica.
Quarta-feira era dia de conferência de imprensa, e Trump aproveitou o seu tempo livre antes do evento para se queixar, porque os serviços secretos não censuravam a imprensa em seu favor, dizendo que o facto de deixarem histórias inflamatórias contra si serem publicadas tornava os EUA parecidos com a Alemanha Nazi por alguma razão. Já na insólita conferência de imprensa, Trump impediu a CNN de o questionar chamando-lhes "fake news". Isto vindo de um homem que escolheu o líder de uma empresa de "fake news" para principal conselheiro na Casa Branca. Na dita conferência, Trump fez-se acompanhar por uma montanha de papelada, que supostamente eram os contratos de cedência da sua empresa aos seus filhos, garantindo, portanto, que uma empresa com interesses globais fica na família durante o seu mandato, indo contra os princípios éticos por que se regem há 200 anos os Presidentes dos EUA (deixando os seus interesses económicos num "blind-trust" até ao fim do seu mandato), isto depois de dias antes ter nomeado o seu cunhado para um cargo na Casa Branca.
Quinta-feira foi dia de usar a Presidência para fazer publicidade a uma empresa do Maine que apoiara a sua campanha, de gozar com os "ratings" da CNN e de se congratular com uma precipitada e universalmente criticada moção para acabar com o Obamacare sem substituto à vista.
Isto tudo enquanto no Senado quase todos os seus nomeados enfrentavam difíceis perguntas nas audições de confirmação. Marco Rubio destruiu Rex Tillerson com perguntas sobres Putin e parece inclinado a votar contra o nomeado. Um voto desfavorável de Rubio inviabilizaria a nomeação de Tillersson e seria uma grande humilhação para Trump. Os nomeados para Diretor da CIA (Mike Pompeo) e Secretário da Defesa (James Mattis) dedicaram as suas audições a reforçar a importância da NATO, a criticar a Rússia e a desencorajar técnicas de tortura, ou seja, foram contra tudo o que Trump defende.
Ainda por cima, Obama deu um discurso fantástico de despedida, pondo toda a sua eloquência e inteligência em demonstração, traçando uma clara diferença com o discurso neandertal do futuro detentor do seu cargo.
Foi uma semana difícil para Trump, e algo me diz que não será a última.
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