A Cultura do Medo


Os ataques de Bruxelas abalaram de novo o mundo Ocidental, que no espaço de meio ano, já teve dois ataques em dois grandes centros urbanos.
Por mais tristes que os acontecimentos possam ser, ainda mais deprimentes são os discursos preparados por extremistas como Donald Trump, que usa o medo que estes ataques provocam para desacreditar os moderados e fazer valer as suas ideias isolacionistas.
Quanto mais vezes se vir o vídeo do ataque, mais plausível vai parecer  a proposta do bilionário de impedir muçulmanos de entrar nos Estados Unidos. Perante esta situação, é impossível perceber qual é a reação apropriada a um ataque terrorista. Se não dermos importância a um acontecimento desta gravidade, podemos impedir este tipo de aproveitamento político e evitar que se espalhe o medo, que é o principal objetivo destas iniciativas. Por outro lado, desvalorizar o desaparecimento de seres humanos e negar informação às massas significaria distorcer os valores fundadores das Democracias liberais, que é também o que estes extremistas dentro e fora de portas querem. Estamos perante um dos maiores dilemas da Era Moderna. Um que possivelmente não terá solução sem a perda de muitas vidas humanas, liberdades ou ambas.
João Jonet


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