Cábula: Primárias: A calma antes da tempestade (ou não?)

Feitas todas as distribuições e realizados todos os 56 processos de eleição e vinculação de delegados, também conhecidos como primárias, é altura de fazer as contas.
No caso Republicano, estas são mais fáceis de fazer, visto  que, a partir dos idos de Março, a maioria das eleições são no sistema "winner-take-all" ou "winner-take-most". Assim, quem está à frente pode ir negando aos outros a possibilidade de amealhar delegados, enquanto os conquista em grande número.

Do lado Democrata, devido à predominância do sistema proporcional, a luta pode ir até ao fim, como aconteceu em 2008. Esta luta é apimentada pela existência de 714 super-delegados, que podem mudar de ideias à ultima da hora e mudar o sentido de uma eleição. Por exemplo, contra Obama, Hillary tinha a maioria dos super-delegados, mas como o atual Presidente criou à sua volta uma dinâmica vencedora, foram estes que lhe deram a vitória e forçaram a desistência da ex-Primeira Dama no último dia das primárias.
O que é um super-delegado? É um tipo de delegado que apenas existe no Partido Democrata e que está livre de votar em quem quiser na Convenção. O estatuto de super-delegado pertence a figuras proeminentes do partido, como ex-Presidentes, a responsáveis locais do Partido e a membros eleitos para cargos públicos relevantes (Governadores, Senadores, Representantes, entre outros). Estes representam cerca de 15% do total de delegados.
Feitas as contas, normalmente já existe um vencedor antes da Convenção e, portanto, esta é organizada como se fosse um comício do candidato vencedor (nomeado), que conta com a escolha de um candidato à Vice-Presidência, também cerimonial, porque este será o candidato apoiado pelo nomeado.
As Convenções são as reuniões magnas dos partidos, onde os seus membros mais relevantes fazem grandes  discursos (por vezes históricos), que fazem a antevisão da natureza das propostas na campanha do Outono.
Este ano, na Convenção Republicana, há a possibilidade de acontecer algo que não acontece há 40 anos. Uma Convenção em que não se sabe quem será o nomeado.
Se este acontecimento se der, os delegados, que estavam obrigados a votar no candidato pelo qual tinham sido eleitos, vão ficando livres, à medida que se vão fazendo votações que não dão maioria a nenhum candidato, até se encontrar alguém que atinja o número mágico: 1237 delegados.
Quanto ao Partido Democrata, deve ser mais pacífica a chegada de Hillary ao seu objetivo (2383 delegados) sem se recorrer a uma Convenção aberta.
João Jonet

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