O Legado de Obama

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Dentro de 8 meses, os EUA terão eleito o sucessor de Barack Obama para a Presidência da República. Será uma eleição interessante, especialmente se Donald Trump conseguir a nomeação Republicana. Nesse caso, só nos restará esperar que Hillary Clinton saia vencedora e, já agora, que vença de forma inequívoca, para que ainda reste alguma esperança na sensatez do povo americano. As atenções têm-se centrado muito nas baboseiras de Trump, o que até poderia levar a crer que Obama tem exercido um mandato aborrecido. Nada disso!
Muito pelo contrário, ainda há menos de uma semana, Obama tornou-se o primeiro Presidente dos EUA a pisar solo Cubano em 88 anos, normalizando as relações entre estes dois países.
Foi uma visita histórica e, dadas as circunstâncias, naturalmente foi objeto de rasgados elogios e de enormes críticas. O que é de salientar é que Obama "cicatrizou mais uma ferida da Guerra Fria", e que esta normalização de relações é a melhor forma de liberalizar um regime autoritário, que teve a oportunidade de se consolidar devido ao isolamento que vinha sendo preservado até hoje.
Obama é caracterizado pela sua tolerância, a sua moderação, o seu temperamento sereno, a sua Fé na Humanidade, altamente contrastantes com a atitude intervencionista do seu antecessor. Esta diferença de atitudes refletiu-se no terreno. Bush envolveu-se em guerras que Obama abandonou. Bem ou mal, o primeiro presidente Afro-Americano contribuiu para um período de acalmia em termos internacionais, mesmo que significativamente conturbado por uma constante desestabilização do Médio Oriente. Nesse campo, as críticas atribuídas a um pacifismo exagerado serão, provavelmente, justas. No entanto, tal desestabilização é fruto de um intervencionismo Americano que vem de há várias décadas, acentuado na era Bush filho, e de que Obama se quis afastar. Talvez Obama não tenha conseguido gerir o processo do Médio Oriente da melhor forma, mas a sua atitude, em termos de fundo, parece-me correta.
Claro que nem tudo foi positivo. Obama não foi o presidente mais eficaz a gerir o contrapeso que o Congresso lhe impôs, também muito por culpa do fanatismo de alguns republicanos; talvez tenha sido demasiado permissivo nas questões internacionais, mas a sua atitude é claramente preferível à do seu antecessor; Obama pode ter sido uma desilusão para a comunidade negra dos Estados Unidos, mas deixa uma marca indelével na História Americana como o primeiro presidente negro dos EUA; o Obamacare é um assunto incontornável. Pode não ter sido a medida mais popular nos EUA, mas há, hoje, mais 10 milhões de americanos com Seguro de Saúde, há mais empresas seguradoras, havendo mais concorrência no mercado dos Seguros de Saúde, e o portal do Governo Federal healthcare.gov, que teve uma "estreia" desastrosa, funciona agora sem grandes problemas.
Não obstante todas as críticas que podem ser apontadas à sua presidência, Obama deixará a Casa Branca como alguém que teve uma abordagem correta (pelo menos, não silenciosa) em relação ao Aquecimento Global, alguém em cujo mandato se legalizou o casamento homossexual, alguém que soube gerir as consequências da maior crise mundial desde os anos 30, alguém que viu o número de desempregados no seu país diminuir em 4 milhões, alguém que reduziu o défice em 2/3, alguém que estabilizou relações com o Irão e Cuba, alguém que eliminou Osama Bin Laden e isolou Vladimir Putin...
Obama deixará a presidência dentro de menos de um ano e, gostemos, ou não, do seu estilo, apreciemos, ou não, a sua ideologia, admiremos, ou não, a sua abordagem em relação às grandes questões internacionais, sabemos que, qualquer que seja o candidato eleito em novembro de 2016, muito provavelmente não conseguirá superar o Legado de Obama. 
S.G.

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