O Legado de Obama
Muito pelo contrário, ainda há menos de uma semana, Obama tornou-se o primeiro Presidente dos EUA a pisar solo Cubano em 88 anos, normalizando as relações entre estes dois países.
Foi uma visita histórica e, dadas as circunstâncias, naturalmente foi objeto de rasgados elogios e de enormes críticas. O que é de salientar é que Obama "cicatrizou mais uma ferida da Guerra Fria", e que esta normalização de relações é a melhor forma de liberalizar um regime autoritário, que teve a oportunidade de se consolidar devido ao isolamento que vinha sendo preservado até hoje.
Foi uma visita histórica e, dadas as circunstâncias, naturalmente foi objeto de rasgados elogios e de enormes críticas. O que é de salientar é que Obama "cicatrizou mais uma ferida da Guerra Fria", e que esta normalização de relações é a melhor forma de liberalizar um regime autoritário, que teve a oportunidade de se consolidar devido ao isolamento que vinha sendo preservado até hoje.
Obama é caracterizado pela sua tolerância, a sua moderação, o seu temperamento sereno, a sua Fé na Humanidade, altamente contrastantes com a atitude intervencionista do seu antecessor. Esta diferença de atitudes refletiu-se no terreno. Bush envolveu-se em guerras que Obama abandonou. Bem ou mal, o primeiro presidente Afro-Americano contribuiu para um período de acalmia em termos internacionais, mesmo que significativamente conturbado por uma constante desestabilização do Médio Oriente. Nesse campo, as críticas atribuídas a um pacifismo exagerado serão, provavelmente, justas. No entanto, tal desestabilização é fruto de um intervencionismo Americano que vem de há várias décadas, acentuado na era Bush filho, e de que Obama se quis afastar. Talvez Obama não tenha conseguido gerir o processo do Médio Oriente da melhor forma, mas a sua atitude, em termos de fundo, parece-me correta.
Claro que nem tudo foi positivo. Obama não foi o presidente mais eficaz a gerir o contrapeso que o Congresso lhe impôs, também muito por culpa do fanatismo de alguns republicanos; talvez tenha sido demasiado permissivo nas questões internacionais, mas a sua atitude é claramente preferível à do seu antecessor; Obama pode ter sido uma desilusão para a comunidade negra dos Estados Unidos, mas deixa uma marca indelével na História Americana como o primeiro presidente negro dos EUA; o Obamacare é um assunto incontornável. Pode não ter sido a medida mais popular nos EUA, mas há, hoje, mais 10 milhões de americanos com Seguro de Saúde, há mais empresas seguradoras, havendo mais concorrência no mercado dos Seguros de Saúde, e o portal do Governo Federal healthcare.gov, que teve uma "estreia" desastrosa, funciona agora sem grandes problemas.
Não obstante todas as críticas que podem ser apontadas à sua presidência, Obama deixará a Casa Branca como alguém que teve uma abordagem correta (pelo menos, não silenciosa) em relação ao Aquecimento Global, alguém em cujo mandato se legalizou o casamento homossexual, alguém que soube gerir as consequências da maior crise mundial desde os anos 30, alguém que viu o número de desempregados no seu país diminuir em 4 milhões, alguém que reduziu o défice em 2/3, alguém que estabilizou relações com o Irão e Cuba, alguém que eliminou Osama Bin Laden e isolou Vladimir Putin...
Obama deixará a presidência dentro de menos de um ano e, gostemos, ou não, do seu estilo, apreciemos, ou não, a sua ideologia, admiremos, ou não, a sua abordagem em relação às grandes questões internacionais, sabemos que, qualquer que seja o candidato eleito em novembro de 2016, muito provavelmente não conseguirá superar o Legado de Obama.
S.G.
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