Um Olho no Burro e outro no Elefante: Last Man Standing
John
Kasich. Estamos perante o melhor candidato à Presidência dos Estados Unidos
neste momento, pelo currículo e pelas posições equilibradas em relação a
assuntos que dividem a sociedade americana.Contudo, há 6 meses o experiente
Governador do Ohio nem era considerado para a nomeação republicana, sendo que a
sua postura afável nos primeiros debates dava a entender que estava mais
preocupado com as duas filhas do que com a Convenção de Cleveland.
Com 18 anos
de experiência no Congresso, em que conseguiu equilibrar o Orçamento pela
primeira vez em 30 anos, uma campanha presidencial falhada em 2000, e 5 anos
como Governador de um Estado vital nas contas eleitorais, o homem que se dedica
à vida pública desde os 26 anos viu uma janela de oportunidade em 2016. O problema
é que mais ninguém a viu. Com uma campanha de "afetos" a fazer
lembrar Marcelo, o também católico, órfão desde tenra idade de pai checo e mãe
croata, tinha o "American Dream" escrito na testa. Mesmo assim, os
eleitores do Iowa gostaram mais dos "anti-establishment" Cruz, Trump
e Carson e mesmo os republicanos da velha guarda preferiram Rubio. John não se
importou, visto que nem foi muito ao estado, provavelmente para evitar os
fritos das feiras rurais. Focou-se antes em New Hampshire, onde organizou mais
de 100 eventos de campanha de contacto direto com o eleitor. Foi recompensado
com um 2º lugar que o punha à frente do super-favorito Bush e do "menino
bonito" Rubio, apenas atrás de Trump. Ignorou quase por completo o Sul, o
que fez com que passasse despercebido durante quase um mês sempre focado no seu
grande objetivo: ganhar o seu Estado natal e assumir-se como o principal
candidato da "máquina". Conseguiu e ainda viu Rubio sair da corrida
depois de ser derrotado a "jogar em casa" na Florida. Cabe agora a
Kasich mobilizar os eleitores mais centristas do Partido, pois segundo as
sondagens, é o único republicano que conseguirá vencer Hillary na Geral. E com
Estados bem mais moderados no horizonte, o Governador poderá ir à Convenção com
boas hipóteses de ser o nomeado, mesmo que seja apenas ao fim de algumas
votações.
João Jonet

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