A espera interminável

Já se passaram mais de 3 meses desde que o povo espanhol foi chamado às urnas para votar nas eleições legislativas e não há fumo branco.
Contrariamente ao que as sondagens previam, o Ciudadanos não ficou em segundo mas sim em quarto e impossibilitado de se coligar com o PP, o partido de que está ideologicamente mais próximo.
A plataforma liberal a nível económico e social, a juntar à promessa de um Governo Central mais pequeno e menos corrupto do partido de Albert Rivera, cativou muitas pessoas pelo mundo fora. A imprensa  apaixonou-se pelo novo partido, levando o "The Economist" a declarar a nova força a melhor opção para os espanhóis. Só que os jornalistas estrangeiros não votam, e, por isso, o resultado foi um 4º lugar atrás do populista e vazio de conteúdo Podemos e um PSOE à beira da morte. Assim, uma crise política estava à porta. O esquerdismo demagogo do Podemos não se coaduna com o liberalismo do "C's". Rajoy tornou-se numa figura polarizante e, portanto, é impossível uma super coligação com o partido de Pedro Sánchez, sendo que o Podemos está por (irresponsável) decisão própria fora destas contas. Estando Rajoy impossibilitado de formar um governo maioritário, a "batata quente" passou para Sánchez, que ainda ontem dizia ser possível uma coligação com Rivera e Iglesias, mesmo havendo claras diferenças ideológicas nesta coligação. O PSOE parece querer seguir a estratégia do partido-irmão português e criar um governo sustentado por forças que chegam a nutrir um ódio mútuo. Em princípio, a "super-coligação" não será possível e a solução deverá passar por novas eleições, sendo que a solução que considero mais viável é a demissão de Rajoy, que está manchado pelos escândalos de corrupção dentro do partido, e a entrada em cena da sua número dois, María Dolores de Cospedal, que está livre desses fantasmas e que poderia formar um governo com o Ciudadanos e a abstenção do PSOE. 
Neste momento, o cenário é insustentável e Espanha não pode estar tanto tempo neste caos político, porque até cria mais um argumento para a independência da Catalunha e do País Basco. Dificilmente se encontrará uma solução para este problema e o orgulho de Rajoy é uma das razões para o arrastar desta situação, tal como a intransigência de Sánchez. Parece que só resta a Filipe VI convocar de novo eleições.
João Jonet

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