Um Olho no Burro e outro no Elefante: Duas faces da mesma moeda

"Os extremos tocam-se". Das leis herméticas, é a que melhor se aplica a este caso. Dois demagogos surgiram da base dos dois mais antigos partidos políticos do Mundo.
Donald Trump e Bernie Sanders apelam ao descontentamento, principalmente do caucasiano, com propostas que, por vezes, são muito parecidas (se é que se pode dizer que o homem cor-de-laranja apresenta propostas) principalmente na vertente económica, onde ambos apregoam um  regresso ao protecionismo.
Claro que Sanders não partilha das ideias militaristas e racistas de Trump, e o bilionário não comunga das ideias de educação e saúde gratuitas do Senador. Mas dá-se um fenómeno curioso: muitas das pessoas que votam no "socialista democrático" do Vermont, que defende que os EUA deviam ser mais como a Dinamarca, dizem que, num cenário Hillary vs Trump, votariam em Trump, mesmo  não sabendo este o que é a Dinamarca.
Ambos têm reunido grandes multidões e ambos estão a superar as expectativas, ambos estão a apelar a uma mudança e a uma luta contra o poder instalado e, por isso, no meio desta demagogia toda, fica difícil traçar uma distinção entre os dois numa campanha em que parecem importar mais os gritos de revolta do que as propostas concretas.
Sendo quase certo que Bernie  Sanders não vai conseguir a nomeação e que Trump vai chegar à Convenção Republicana, pelo menos, com o maior número de delegados, vem-nos à cabeça outra lei hermética: "O que está em cima é como o que está em baixo. E o que está em baixo é como o que está em cima".
Será que a "Revolução" de Sanders vai dividir o Partido Democrata e ajudar Trump na Geral? Ou será que Hillary engole o sapo e convida o seu rival para a Vice-Presidência, unificando assim o partido?
João Jonet

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