To leave or not to leave...

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Aquilo que parecia bastante improvável há apenas alguns meses assemelha-se cada vez mais uma forte possibilidade. O famoso Brexit pode acontecer, se os Britânicos decidirem votar "Out" no referendo à permanência do RU na União Europeia, que se realizará em junho deste ano.
Há muito em jogo: desde logo, uma oposição interessante entre 2 conservadores carismáticos: David Cameron, Primeiro Ministro desde 2010, que faz campanha para que o RU permaneça na UE, e Boris Johnson, Mayor de Londres, defensor do Brexit  e, porventura, o mais significativo representante da fação opositora à liderança de Cameron. Uma vitória do "In" pode significar um reforço da autoridade política de David Cameron, tanto enquanto líder Conservador, como enquanto Primeiro Ministro. Uma vitória do "Out" pode simultaneamente dar força ao setor que critica a atual liderança do Partido Conservador, oficiosamente liderado por Boris, e encorajar os independentistas escoceses, que no Brexit veem uma oportunidade de exigirem novo referendo à Independência Escocesa do Reino Unido.
David Cameron apoia-se no acordo que conseguiu com os burocratas da União Europeia e, pela Europa continental fora, nota-se uma certa revolta - "Lá estão estes tipos a achar que são diferentes!" ouve-se e lê-se frequentemente... A verdade é que estes tipos são realmente diferentes. Nem que seja pelo simples facto de terem um sentido de Democracia e de Soberania mais apurado do que a maioria das restantes nações europeias. Para os Britânicos, esta Europa Continental, mais especificamente, esta União Europeia que defende o Euro, esta União Europeia muito pouco democrática, altamente burocratizada, cujos líderes são eleitos por não se sabe quem, esta União Europeia que caminha para uma cada vez mais feroz federalização, esta União Europeia que retira poder aos parlamentos nacionais, esta União Europeia que promulga Tratados sem consultar os europeus, esta União Europeia que força votações até conseguir os resultados desejados, esta União Europeia que chama fascistas àqueles que criticam a sua estrutura, esta União Europeia que cria bandeiras e hinos e cargos políticos com fartura... esta Europa de Bruxelas é a mesma Europa da Invencível Armada, de Napoleão, ou de Adolf Hitler. É a Europa de que os Britânicos sempre quiseram alguma distância, e, em grande parte das vezes, com razão. Afinal, enquanto a Alemanha de Hitler ameaçava afundar grande parte da Europa nas trevas do autoritarismo, era a Grã-Bretanha de Churchil que andava ocupada a libertar o Continente dessas mesmas trevas. Democracia e Soberania são duas tradições de que o Reino Unido tem todo o direito de se orgulhar, e o Continente só pode estar agradecido por isso.
Por mais que não concordemos com a atitude desafiadora dos Britânicos, por mais que desprezemos "estes bifes arrogantes", por mais que achemos abominável a ideia de comer peixe com batatas fritas, por mais que cantemos "Contra os Bretões marchar, marchar!" temos que aceitar que este referendo representa aquilo que se preza muito naqueles lados e muitas vezes falta na Europa Continental, nomeadamente, na União Europeia: Democracia.
S.G.

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