Holanda 2017: A Véspera


Um dia antes do primeiro de três (ou quatro, dependendo de Itália) atos eleitorais que decidirão o futuro da União Europeia, faço as minhas previsões e o rescaldo da campanha. Numa eleição que não terá um vencedor, ou sequer um pequeno grupo de partidos que se possam considerar vencedores, as hipóteses estarão totalmente em aberto muito para além do dia de amanhã. Assim sendo, estou aqui para falar do que se vai passar amanhã, por isso aqui vai:

1º. VVD - 28 a 32 deputados - O partido do primeiro-ministro Mark Rutte deverá perder cerca de dez deputados. Ainda assim, uma posição mais nacionalista e o "finca pé" feito a Erdogan ganharam-lhe pontos junto do eleitorado mais radical do PVV e do partido dos reformados. Isto e a sua vitória no debate com Wilders, devem chegar para o manter como o maior partido da Câmara dos Representantes, e portanto como o mais provável líder do próximo governo holandês.

2º. CDA - 19 a 23 deputados - Aquele que foi até há bem pouco tempo o maior partido de direita holandês está de volta, e com uma excelente reta final de campanha, pôs-se em posição para ser o segundo partido mais votado e parceiro vital da futura coligação de governo. Será que a democracia cristã está de volta?

3º. PVV - 19 a 23 deputados - A luta com a CDA será difícil, mas a terrível semana de Wilders, que é um político limitado e universalmente odiado (derrubou o primeiro governo de Rutte por puro oportunismo político e isso não caiu muito bem), deverá ser suficiente para o encostar ao 3º lugar. Pode dizer-se que estava melhor calado, porque enquanto se encontrou impedido de fazer campanha, colocou-se em primeiro nas sondagens. O facto de o PVV ter tido resultados aquém dos números projetados também não deve ajudar.

4º. D66 - 16 a 20 deputados - Um partido que percebe na perfeição o que o mundo precisa atualmente - política económica responsável e liberal, e uma maior liberdade para o indivíduo - que afirma sem vergonha os valores do liberalismo, tem tudo para cair nas minhas boas graças. Em crescendo, este grupo será muito importante na próxima solução de governo, e vai ganhando mais preponderância no espaço político holandês.

5º. GL - 15 a 19 deputados - Os Verdes estão a ganhar força, e numa eleição muito sectária em que os eleitores não se estão a mostrar importados com partidos que se focam muito num só assunto, o  seu jovem e carismático líder tem se mostrado suficiente para levar o seu partido a quadruplicar a representação parlamentar. Tal como o PVV, não devem fazer parte de nenhuma coligação, já que a solução deve passar por um grupo de partidos de centro a centro-direita.

Estes números baseiam-se num misto de média das sondagens e palpites do autor. Nota para o PvdA (9 a 13 deputados) e CU (4 a 7) que podem ser o quarto e quinto partido de apoio ao governo, tal como o partido dos reformados 50+ (4 a 6). O Partido Socialista (12 a 15) terá grande representação, mas muito pouca importância para o futuro político do país das túlipas.

De resto, é esperar para ver o que acontece amanhã.

João Jonet


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