Mas quem será?
As eleições gerais do Reino Unido são já amanhã.
Sem demoras, olhemos para os candidatos que se apresentam ao cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido.
Theresa May
Pelos Conservadores apresenta-se-nos Theresa May, atual Primeira Ministra do Reino Unido. Chegou ao cargo, não através de Eleições Gerais, mas por ter sido eleita líder do Partido, depois da demissão do seu antecessor, David Cameron, na sequência da vitória do 'Leave' no referendo.
Tem tentado passar a imagem de uma líder forte, determinada, estável; mas nem sempre tem conseguido. Alterações do program eleitoral, tomadas de posição vagas e indefinidas ('Brexit means Brexit', por exemplo...), ausência de números em algumas políticas propostas, e a não participação em debates televisivos não têm ajudado muito à imagem que May tenta desesperadamente passar.
May marca também o regresso de um conservadorismo que andava adormecido - 'Red Conservatism', que apresenta propostas e adota termos (como 'estratégia industrial') que há apenas dois anos, nas eleições gerais de 2015, pertenciam inequivocamente ao Labour e à esquerda do Parlamento Inglês. Para ler mais sobre as propostas dos conservadores, ler aqui.
Finalmente, uma não muito entusiástica (mas ainda assim) Remainer na campanha que antecedeu o referendo do Reino Unido à permanência na União Europeia, Theresa May revela-se, agora, uma indefetível Brexiteer, uma 'Hard Brexiteer', que não acredita em meias-permanências. Não tendo bem a certeza do que isto significa (o que, mais uma vez, não abona a favor de May), a tendência é que o Reino Unido abandone a União Europeia e todas as instituições e organizações associadas, incluindo, por exemplo, o Espaço Económico Europeu (Mercado Comum). Se tal acontecer, Theresa May terá nas suas mãos uma redefinição quase total do paradigma económico do Reino Unido - e poderá, não se sabe bem como ainda (e, a bem da verdade, estas indefinições já não dependem apenas da vontade/atitude de Theresa May), tornar o Reino Unido num país ainda mais internacionalista e com uma visão global (que é a sua intenção, ao que afirma), ou poderá entrar num gradual processo de isolamento da Grã-Bretanha.
Jeremy Corbyn

Líder do Partido Trabalhista, provavelmente o mais esquerdista de todos os que já ocuparam o cargo. Jeremy Corbyn supera mesmo os seus 'mentores' políticos, Michael Foot e Tony Benn, em alguns aspetos. Por exemplo, Corbyn promete nacionalizar os correios (Royal Mail), empresas de abastecimento energético, de água e os Transportes Ferroviários. As propostas de Foot e Benn, nos anos 80, fazem-nos parecer meninos ao lado de Corbyn. Nos anos 80, a promessa era apenas a de obter 'participações públicas significativas na indústria eletrónica, farmacêutica, de equipamento de saúde e materiais de construção" e apenas reservava o direito de intervir em qualquer outro setor de interesse público quando necessário.
Um opositor de longa data à globalização e ao mercado livre, desobedeceu às recomendações de voto do seu partido vezes sem conta, dado o seu esquerdismo indomável, quase sempre demasiado à esquerda. Chega à liderança do partido depois da Demissão do seu antecessor, Ed Miliband, que abandona a liderança depois da derrota nas eleições gerais de 2015. Chega quase por acidente. Segundo Margaret Beckett (também ela foi líder do Partido Trabalhista, em 1994) , Corbyn torna-se líder porque o partido queria dar uma 'oportunidade à ala esquerda' do Labour. Nunca imaginava a ala moderada que, por um lado, houvesse eleições e Corbyn ainda lá estivesse (supostamente, só haveria eleições em 2020), e, por outro, Corbyn conseguisse angariar uma base de apoio junto dos membros do partido como conseguiu, de tal maneira que, quando a ala centrista se quis ver livre dele e conseguiu convocar eleições internas para a liderança do partido em outubro de 2016, Corbyn venceu-as de forma esmagadora.
Ainda que o programa apresentado pelo Labour seja o mais esquerdista de sempre, Corbyn teve de domar alguns dos seus instintos revolucionários socialistas (um bocadinho acima, referi o 'esquerdismo indomável' de Corbyn... parece que o poder tudo doma, e até o camarada Jeremy teve, afinal, de suprimir alguns dos seus ímpetos mais revolucionários) . Mas isso não esconde a sua admiração por tiranos como Hugo Chávez e Fidel Castro, nem apaga as simpatias que Corbyn (e outros membros da sua equipa) em tempos demonstraram por organizações terroristas como o IRA, o Hamas ou o Hezbollah (em relação a estas últimas duas, Corbyn já afirmou arrepender-se de lhes chamar organizações 'amigas', mas este arrependimento sabe a pouco quando vem acompanhado de tudo o resto).
A sua tentativa de se mostrar, agora, o candidato amigo da União Europeia também não pega. Crítico do capitalismo, do mercado livre, do liberalismo, Corbyn nunca gostou da União Europeia. Em 1975, quando houve um referendo semelhante ao de 2016, que consultava o público britânico sobre se o Reno Unido deveria pertencer à Comunidade Europeia, Corbyn votou, pasme-se!, 'Não'. Hoje, que a União Europeia é o que era em 1975 e muito mais, Corbyn quer-nos fazer acreditar que um voto em si é um voto 'eurofilo'.
É o candidato da despesa pública, das nacionalizações, das subidas insensatas do salário mínimo, de uma carga fiscal só comparável à que havia na altura da Segunda Grande Guerra. Revela uma total incapacidade de se adaptar aos tempos e às exigências do século XXI, apresentando propostas que Margaret Thatcher, que foi Primeira Ministra há mais de 30 anos, acharia obsoletas. No entanto, cativa os jovens de uma forma que, confesso, não consigo compreender. Um pouco como o que aconteceu com Bernie Sanders, a nova geração parece deslumbrar-se com velhinhos que vociferam contra valores que essa mesma geração diz incorporar e defender (no caso de Sanders, de realçar o seu protecionismo, que só funciona com um modelo de economia isolada que nega e quer estancar o progresso e a dinâmica da globalização; no caso de Corbyn, juntem a isto a tal admiração por tiranos que deixaram os seus países na miséria, e por organizações criminosas).
Os outros
Por fim, deixo este espaço reservado aos pequeninos. O partido liberal (de centro), os 'Liberal Democrats', parece (ao que indicam as sondagens) não ser capaz de recuperar da violentíssima derrota eleitoral experienciada nas eleições de 2015. O partido que se costuma encontrar ideologicamente entre o Labour e os Conservadores sofreu perdas tão significativas em 2015, em termos de número de eleitores e número de deputados, que deixou de ser a terceira força política do parlamento e se tornou negligenciável. É, supostamente, o partido liberal, mas não tem feito muito por esse epíteto nesta campanha. É liderado por um homem que não conseguiu responder a alto e bom som que a homossexualidade não é um pecado na primeira vez que lhe fizeram essa pergunta; mais recentemente, uma candidata pelos Liberal Democrats conseguiu ser ainda mais energúmena, afirmando que a água da torneira está a 'alterar a sexualidade das pessoas' e faz com que vários homens fiquem gays. Afinal era isto... Tivessem dito isto ao Alan Turing, e o rapaz passava a encomendar água engarrafada e poupava-se à castração química. Embora seja um partido que, na sua tradição e história, merece respeito, os Liberal Democrats não merecem recuperar amanhã do opróbio eleitoral que sofreram em 2015.
Uma linha para o UKIP, que está a desaparecer (pelo menos por agora... o fantasma Farage anda aí).
Outra para os Verdes, que hoje em dia se parecem muito com o Labour: mérito de Corbyn.
Finalmente, o SNP, partido Nacionalista Escocês, liderado por Nicola Sturgeon. Partido de centro esquerda, mas isso interessa pouco para estas eleições. Interessa apenas que estão unicamente focados na realização de outro referendo à Independência da Escócia do Reino Unido. Se o partido tiver sucesso nestas eleições, então a exigência de um novo referendo pode ganhar força. Mas Sturgeon tem uma muitíssimo carismática líder conservadora escocesa a complicar-lhe a vida - Ruth Davidson -, que tem tido uma grande capacidade mobilizadora e lhe tem feito uma forte oposição no parlamento Escocês. Embora seja claro que o SNP obterá mais votos na Escócia, para que o movimento independentista perca força, basta-lhe perder votos (e, de preferência, lugares em Westminster), mesmo que acabe em primeiro lugar.
Concluo como concluí o meu texto anterior. A escolha custa, não é a ideal, mas só Theresa May oferece condições para uma liderança credível, ainda que não seja tão credível quanto ela quer fazer parecer.
S.G.
Sem demoras, olhemos para os candidatos que se apresentam ao cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido.
Theresa May
Pelos Conservadores apresenta-se-nos Theresa May, atual Primeira Ministra do Reino Unido. Chegou ao cargo, não através de Eleições Gerais, mas por ter sido eleita líder do Partido, depois da demissão do seu antecessor, David Cameron, na sequência da vitória do 'Leave' no referendo.
Tem tentado passar a imagem de uma líder forte, determinada, estável; mas nem sempre tem conseguido. Alterações do program eleitoral, tomadas de posição vagas e indefinidas ('Brexit means Brexit', por exemplo...), ausência de números em algumas políticas propostas, e a não participação em debates televisivos não têm ajudado muito à imagem que May tenta desesperadamente passar.
May marca também o regresso de um conservadorismo que andava adormecido - 'Red Conservatism', que apresenta propostas e adota termos (como 'estratégia industrial') que há apenas dois anos, nas eleições gerais de 2015, pertenciam inequivocamente ao Labour e à esquerda do Parlamento Inglês. Para ler mais sobre as propostas dos conservadores, ler aqui.
Finalmente, uma não muito entusiástica (mas ainda assim) Remainer na campanha que antecedeu o referendo do Reino Unido à permanência na União Europeia, Theresa May revela-se, agora, uma indefetível Brexiteer, uma 'Hard Brexiteer', que não acredita em meias-permanências. Não tendo bem a certeza do que isto significa (o que, mais uma vez, não abona a favor de May), a tendência é que o Reino Unido abandone a União Europeia e todas as instituições e organizações associadas, incluindo, por exemplo, o Espaço Económico Europeu (Mercado Comum). Se tal acontecer, Theresa May terá nas suas mãos uma redefinição quase total do paradigma económico do Reino Unido - e poderá, não se sabe bem como ainda (e, a bem da verdade, estas indefinições já não dependem apenas da vontade/atitude de Theresa May), tornar o Reino Unido num país ainda mais internacionalista e com uma visão global (que é a sua intenção, ao que afirma), ou poderá entrar num gradual processo de isolamento da Grã-Bretanha.
Jeremy Corbyn

Líder do Partido Trabalhista, provavelmente o mais esquerdista de todos os que já ocuparam o cargo. Jeremy Corbyn supera mesmo os seus 'mentores' políticos, Michael Foot e Tony Benn, em alguns aspetos. Por exemplo, Corbyn promete nacionalizar os correios (Royal Mail), empresas de abastecimento energético, de água e os Transportes Ferroviários. As propostas de Foot e Benn, nos anos 80, fazem-nos parecer meninos ao lado de Corbyn. Nos anos 80, a promessa era apenas a de obter 'participações públicas significativas na indústria eletrónica, farmacêutica, de equipamento de saúde e materiais de construção" e apenas reservava o direito de intervir em qualquer outro setor de interesse público quando necessário.
Um opositor de longa data à globalização e ao mercado livre, desobedeceu às recomendações de voto do seu partido vezes sem conta, dado o seu esquerdismo indomável, quase sempre demasiado à esquerda. Chega à liderança do partido depois da Demissão do seu antecessor, Ed Miliband, que abandona a liderança depois da derrota nas eleições gerais de 2015. Chega quase por acidente. Segundo Margaret Beckett (também ela foi líder do Partido Trabalhista, em 1994) , Corbyn torna-se líder porque o partido queria dar uma 'oportunidade à ala esquerda' do Labour. Nunca imaginava a ala moderada que, por um lado, houvesse eleições e Corbyn ainda lá estivesse (supostamente, só haveria eleições em 2020), e, por outro, Corbyn conseguisse angariar uma base de apoio junto dos membros do partido como conseguiu, de tal maneira que, quando a ala centrista se quis ver livre dele e conseguiu convocar eleições internas para a liderança do partido em outubro de 2016, Corbyn venceu-as de forma esmagadora.
Ainda que o programa apresentado pelo Labour seja o mais esquerdista de sempre, Corbyn teve de domar alguns dos seus instintos revolucionários socialistas (um bocadinho acima, referi o 'esquerdismo indomável' de Corbyn... parece que o poder tudo doma, e até o camarada Jeremy teve, afinal, de suprimir alguns dos seus ímpetos mais revolucionários) . Mas isso não esconde a sua admiração por tiranos como Hugo Chávez e Fidel Castro, nem apaga as simpatias que Corbyn (e outros membros da sua equipa) em tempos demonstraram por organizações terroristas como o IRA, o Hamas ou o Hezbollah (em relação a estas últimas duas, Corbyn já afirmou arrepender-se de lhes chamar organizações 'amigas', mas este arrependimento sabe a pouco quando vem acompanhado de tudo o resto).
A sua tentativa de se mostrar, agora, o candidato amigo da União Europeia também não pega. Crítico do capitalismo, do mercado livre, do liberalismo, Corbyn nunca gostou da União Europeia. Em 1975, quando houve um referendo semelhante ao de 2016, que consultava o público britânico sobre se o Reno Unido deveria pertencer à Comunidade Europeia, Corbyn votou, pasme-se!, 'Não'. Hoje, que a União Europeia é o que era em 1975 e muito mais, Corbyn quer-nos fazer acreditar que um voto em si é um voto 'eurofilo'.
É o candidato da despesa pública, das nacionalizações, das subidas insensatas do salário mínimo, de uma carga fiscal só comparável à que havia na altura da Segunda Grande Guerra. Revela uma total incapacidade de se adaptar aos tempos e às exigências do século XXI, apresentando propostas que Margaret Thatcher, que foi Primeira Ministra há mais de 30 anos, acharia obsoletas. No entanto, cativa os jovens de uma forma que, confesso, não consigo compreender. Um pouco como o que aconteceu com Bernie Sanders, a nova geração parece deslumbrar-se com velhinhos que vociferam contra valores que essa mesma geração diz incorporar e defender (no caso de Sanders, de realçar o seu protecionismo, que só funciona com um modelo de economia isolada que nega e quer estancar o progresso e a dinâmica da globalização; no caso de Corbyn, juntem a isto a tal admiração por tiranos que deixaram os seus países na miséria, e por organizações criminosas).
Os outros
Por fim, deixo este espaço reservado aos pequeninos. O partido liberal (de centro), os 'Liberal Democrats', parece (ao que indicam as sondagens) não ser capaz de recuperar da violentíssima derrota eleitoral experienciada nas eleições de 2015. O partido que se costuma encontrar ideologicamente entre o Labour e os Conservadores sofreu perdas tão significativas em 2015, em termos de número de eleitores e número de deputados, que deixou de ser a terceira força política do parlamento e se tornou negligenciável. É, supostamente, o partido liberal, mas não tem feito muito por esse epíteto nesta campanha. É liderado por um homem que não conseguiu responder a alto e bom som que a homossexualidade não é um pecado na primeira vez que lhe fizeram essa pergunta; mais recentemente, uma candidata pelos Liberal Democrats conseguiu ser ainda mais energúmena, afirmando que a água da torneira está a 'alterar a sexualidade das pessoas' e faz com que vários homens fiquem gays. Afinal era isto... Tivessem dito isto ao Alan Turing, e o rapaz passava a encomendar água engarrafada e poupava-se à castração química. Embora seja um partido que, na sua tradição e história, merece respeito, os Liberal Democrats não merecem recuperar amanhã do opróbio eleitoral que sofreram em 2015.
Uma linha para o UKIP, que está a desaparecer (pelo menos por agora... o fantasma Farage anda aí).
Outra para os Verdes, que hoje em dia se parecem muito com o Labour: mérito de Corbyn.
Finalmente, o SNP, partido Nacionalista Escocês, liderado por Nicola Sturgeon. Partido de centro esquerda, mas isso interessa pouco para estas eleições. Interessa apenas que estão unicamente focados na realização de outro referendo à Independência da Escócia do Reino Unido. Se o partido tiver sucesso nestas eleições, então a exigência de um novo referendo pode ganhar força. Mas Sturgeon tem uma muitíssimo carismática líder conservadora escocesa a complicar-lhe a vida - Ruth Davidson -, que tem tido uma grande capacidade mobilizadora e lhe tem feito uma forte oposição no parlamento Escocês. Embora seja claro que o SNP obterá mais votos na Escócia, para que o movimento independentista perca força, basta-lhe perder votos (e, de preferência, lugares em Westminster), mesmo que acabe em primeiro lugar.
Concluo como concluí o meu texto anterior. A escolha custa, não é a ideal, mas só Theresa May oferece condições para uma liderança credível, ainda que não seja tão credível quanto ela quer fazer parecer.
S.G.
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