Competência Precisa-se

O mandato de Barack Obama está quase a acabar, e ainda bem. O Presidente nº 44 deixa um legado de falta de competência a lidar com adversários externos e internos absolutamente assustador. Obama abusou dos seus poderes constitucionais e afastou-se do papel de "polícia do Mundo" de forma rápida e irresponsável. Oito anos depois da primeira eleição de um homem que é melhor a criar vídeos virais do que a gerir as relações com a Rússia, há alguma esperança num mandato melhor para a sua sucessora.
Apesar das críticas (merecidas), Hillary Clinton chegará à presidência com muito mais experiência do que o seu antecessor. Tendo ajudado o seu marido na governação do Arkansas e do país inteiro, com uma agenda marcada pela defesa da família e das crianças, passando 8 anos como Senadora pelo 2º maior Estado do país e assumindo a política externa americana nos primeiros 4 anos do mandato de Obama (e com ela Putin não brincava), a futura primeira mulher Presidente contrasta (e de que maneira!) com o seu ex-patrão, que chegou ao cargo com a menor experiência política desde Jimmy Carter (igualmente desastroso).
Para além disso, o casal Clinton tem a fama de conseguir negociar com os Republicanos, tendo alcançado vários consensos nos anos 90, apesar da vincada animosidade. A experiência de Bill num Estado extremamente conservador e ao passado de Hillary como Republicana ajudam bastante. Relembramos que Obama teve uma relação terrível com os congressistas do GOP, situação que pode ser imputada à falta de tato do Presidente, mas também ao fundamentalismo ideólgico Republicano.
Hillary tem outra grande vantagem em relação a Obama, que em eleições é uma grande desvantagem. Ao contrário do seu futuro antecessor, a sua longa carreira permite-lhe ter uma rede de contactos e influências vital para operar em Washington. Isto resulta numa série de ataques ao seu estatuto de "insider", mas pode ser muito importante quando chegar à Casa Branca.
Um dos poucos campos em que Obama se destacou, a proteção do ambiente, é uma causa próxima do coração da nomeada Democrata, por isso também não se deve ficar a perder.
Por mais desonesta que Hillary possa ser (o que não deve ser muito), não lhe falta competência e experiência para se superiorizar ao homem que conseguiu a missão muito difícil de ser o mais ineficaz Presidente do séc.XXI. Mesmo assim, é de lamentar que as melhores opções do lado Republicano (Bush, Rubio e Kasich) não tenham conseguido a nomeação, porque seriam muito melhores opções.
Em suma, Hillary é melhor que Obama, mas isso não é grande coisa.
João Jonet
Clinton tem experiência em quê? Em provocar guerras desastrosas, como na Líbia e na Síria? Em ser uma grande fundraiser? Em mentir clamorosamente?
ResponderEliminarTambém podemos falar dos mais de 40 anos ao serviço das comunidades no Arkansas e depois no país inteiro, do trabalho enquanto Senadora de Nova Iorque a promover a economia do Estado e a ajudar no pós-11 de Setembro, do trabalho diplomático que fez para estrangular o Irão com sanções colaborando com a China e com a Rússia, do papel na coordenação de operações militares como a que levou à morte de Bin Laden. Mas sim, como comparar uma primeira-dama politicamente ativa que propunha legislação, que depois foi Senadora por 8 anos e deteve o 3º cargo executivo mais importante dos EUA (2º se não ligarmos a protocolos) durante 4 anos perfazendo 37 anos de política ativa com os 11 anos de experiência de Obama ou os 0 de Donald Trump.
ResponderEliminarAgradeço o comentário!
Cumprimentos!
Clinton é tão má candidata quanto Trump. Não queira se iludir. E não venha com essa conversa de que fulano ou sicrana 'trabalha' pelo bem do povo há sei lá quantos anos. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Quando se diz que alguém é muito bom ou muito honesto, é preciso desconfiar em dobro. A política atrai pessoas egocêntricas. Os Clinton, após saírem da Casa Branca, acumularam uma fortuna de 100 milhões de dólares, sem nunca terem feito nada que possa ser chamado de trabalho. Apenas, como a maior parte dos políticos de alto calibre do primeiro mundo, se dedicam a formas legalizadas de corrupção, fazem palestras pagas no valor de centenas de milhares de dólares, recebem adiantamentos quase-milionários para escreverem livros, fazem 'consultorias', como o homólogo político e moral dos Clinton na Grã-Bretanha, Tony Blair, se tornou conselheiro/consultor do presidente perpétuo do 'Boratistão' (segundo Blair, uma democracia). Obama certamente seguirá o mesmo caminho de enriquecimento a partir de janeiro de 2017, acumulando montanhas de dinheiro por palestras e adiantamentos por seu livro de memórias.
ResponderEliminarNão estou dizendo que os Clinton sejam piores do que a média da política americana. Se fosse americano, ainda votaria em Hillary se o candidato republicano fosse Jeb Bush. Mas de preferência votaria pra protestar em Jill Stein.
Quanto à Obama, diga o que quiser, mas torci por ele em 2008. Achei que ele ao menos representaria uma possível mudança de rumo em relação à arrogância belicista-livremercadista encarnada por Bush e pelo grosso da política americana. Infelizmente não foi. Então não há o que esperar de bom dos Clinton, assim como de Trump, assim como não havia nada a esperar de John Kerry em 2004. Toda a classe política americana nada tem a oferecer ao mundo além de mais guerras e mais empobrecimento.
E francamente dizer que Hillary Clinton teve um grande papel na morte de Bin Laden, e que Obama não teve, é de um ridículo tão grande que nem vou discutir. E de qualquer modo, não seria preferível prendê-lo vivo? E não seria melhor ainda tentar por um fim as causas profundas do terrorismo, ao invés de ficar na cômoda e estúpida crença de que os muçulmanos são inerentemente maus? Não é isso que criticamos em Trump? Não seria melhor que os americanos parassem de querer decidir quem pode ou não governar outros países, de querer desmembrar outros países com bases em critérios 'étnicos' saídos da cabeça de 'especialistas', como agora na Síria, e depois, segundo artigos na internet, no Irã e no Paquistão? Enquanto isso, as fronteiras de aliados americanos como a Ucrânia e a Índia são mais que sagradas.
O discurso da 'competência' é profundamente antipático. Eleições não são meras contratações de executivos, caso contrário poder-se-ia substituir a democracia por uma consultoria de recursos humanos, que cuidaria da seleção de currículos. Líderes devem fornecer um ideal a ser seguido. Lula, apesar da corrupção em seu governo, foi um melhor presidente do que poderia ter sido o 'competente' e 'moderado' José Serra (um corrupto e hipócrita da pior espécie).
ResponderEliminarJeb Bush é absolutamente detestado pelos americanos. Isto é um fato. Pode pesquisar na internet. Os americanos estão fartos da família Bush. Não importa o quanto a mídia diga que Jeb é 'competente'. Ele representa um modelo político distante do povo.
Os analistas políticos são incrivelmente incapazes de entender a mentalidade da gente comum. Limitam-se a fazer julgamentos de valor, como se as pessoas simples fossem crianças tolas que devessem a amoldar a suas considerações, e assim votar contra o "brexit", e eleger gente 'competente' como Romney, HR Clinton, ou, melhor que tudo, Jeb Bush, que 'cuidaria bem dos negócios', e trataria de 'enquadrar' o 'malvado' Putin. Para os sábios da mídia, não importa que nada de bom venha para o povo dessas 'sábias' escolhas.
Falar de Jill Stein como opção de voto (e de votos de protesto que é uma coisa abominável) ou da Presidência de Lula da Silva como algo positivo à partida faz com que eu perca alguma consideração pela sua capacidade de analisar com precisão o fenómeno político. Ignorando isso até levanta questões interessantes.
ResponderEliminarA questão do dinheiro que se faz com a política tem muito a ver com o mediatismo que a envolve, o que trouxe muito dinheiro a diversas áreas, como o desporto ou a cultura. Não acho preocupante que os Clinton tenham 100 milhões de dólares, são pessoas inteligentes e trabalhadoras que são muito respeitadas por todo o Mundo, é natural que capitalizem, tal como é normal que escritores, pintores ou futebolistas façam dinheiro com a sua fama. Tentar impedir que as pessoas façam dinheiro só por serem políticos respeitados faz parte de uma retórica populista que não subscrevo, mas vejo que é grande fã.
Seguindo na sua retórica populista, é contra a competência pelos vistos, a experiência na gestão da coisa pública não serve para nada, o que serve é a imagem de mudança não a capacidade para mudar coisas de facto. Já está imbuído dos valores da nova era política, sente que as coisas vão mudar com determinado candidato, sente que os políticos são corruptos, sente que ninguém se preocupa com o "povo". Não tem com provar, não tem factos que sustentem os seus sentimentos, mas segue-os na mesma. A verdade e a competência passam para segundo plano.
É importante lembrar a populistas como o senhor ou a senhora (ser anónimo torna isto mais difícil) que os média, as grandes empresas, os partidos políticos são conglomerados de pessoas e não de monstros alienígenas que desceram à Terra para vos fazer mal . É importante lembrar que a globalização e que o capitalismo trouxeram à humanidade maior prosperidade e melhor qualidade de vida do que em qualquer outro momento da História. É importante lembrar que o "belicismo" dos EUA salvou o Mundo já mais que uma vez. É importante lembrar que a democracia representativa é o sistema político que permite que mais pessoas sejam ouvidas de forma eficaz. É importante lembrar que a principal preocupação dos políticos é agradarem aos eleitores, senão não eram eleitos. É importante lembrar que os peritos são peritos por alguma razão, e é porque sabem mais dos assuntos que o senhor. As ideias interessam, a experiência interessa, os projetos interessam, os princípios interessam e os factos interessam. Preconceitos infundados, sobre assuntos dos quais não se sabe nada é que são totalmente inúteis. Se você representa a "gente comum" então estamos mesmo a precisar de algum paternalismo
P.S.: Essa ideia de que Bush é detestado é absolutamente infundada, o problema de Bush é não ter uma "aura" positiva, que parece ser a única coisa que interessa uma sociedade que não quer saber de projetos, mas sim de imagens e palpites.
P.P.S.:Em momento algum neguei a Obama o mérito de ter apanhado Bin Laden e o dei a Hillary, só disse que ela tem experiência em lidar com essas situações porque participou ativamente nessa operação. Experiência que Obama não tinha quando tomou posse.
P.P.P.S: Espero que essa sua desconfiança infundada relativamente a tudo o que mexe lhe passe, porque não pode ser bom para a saúde.
Agradeço sempre que comente porque não há nada melhor que uma troca de ideias.
Cumprimentos
Jeb Bush é detestado, sim, pela base republicana. Quanto aos democratas, não votariam nele de qualquer forma.
Eliminarhttp://www.slate.com/articles/news_and_politics/politics/2016/01/jeb_bush_is_deeply_disliked_by_republican_voters.html
http://all-len-all.com/poll-60-of-gopers-hate-jeb-bush-say-theyll-stay-home-in-2016-if-hes-the-nominee/
Sua afirmação apenas confirma a percepção que vinha tendo desse blog, profundamente desinformado, e limitado a moralizações que não se atém à realidade concreta. Os que permanecem na 'montanha mágica' não podem se queixar quando as coisas não saem conforme seus elevados desígnios.
Quanto ao belicismo americano ter salvo o mundo, tal coisa ignora convenientemente o fato de que em 1941 foi preciso que os Estados Unidos fossem atacados pelos japoneses e recebessem uma declaração de guerra da Alemanha - a única declaração formal de guerra assinada por Hitler - para iniciar os combates. De resto, isso ignora o fato de que a União Soviética desempenhou um papel muito maior na derrota de Hitler que a América. E não diga que os americanos forneceram ajuda significativa aos soviéticos, porque não é verdade. A ajuda americana foi escassa e ineficaz. De resto, os alemães jamais poderiam derrotar os soviéticos, a brutalidade estúpida dos nazistas inviabilizou a possibilidade de um colaboracionismo russo. Os nazistas temiam tanto a Rússia que nenhum regime títere seria suficientemente confiável para eles, por isso queriam simplesmente destruir o país.
E não tem sentido falar que os americanos 'salvaram o mundo mais de uma vez', a I Guerra foi uma concorrência entre imperialismos, seria indiferente que a Alemanha guilhermina vencesse. E o colonialismo espanhol era uma 'ameaça ao mundo'? E o México do general Santana em 1848?
A globalização trouxe riqueza para alguns e empobrecimento para muitos. O NAFTA tornou o México um estado falido. Em geral os defensores da globalização são aqueles que jamais perderão seus empregos na mídia e na Academia.
Sou um populista, sim, não tenho nenhum problema nisso. Nasci entre a gentalha e petenço a ela. Não tenho motivos para me pretender superior. Em geral nossas visões de mundo são reflexos de nossas pertenças e interesses de classe. Em geral não se é 'gauche caviar' quando não se tem dinheiro pra caviar.
Lula da Silva infelizmente fez um governo corrupto, mas foi muito mais benefício ao povo brasileiro que o intelectual pedante e liberal de limusine Fernando Henrique, também corrupto.
Voto de protesto faz sentido, sim, e muito mais nos Estados Unidos, onde práticas nefastas como 'o gerrymandering', e o colégio eleitoral desvirtuam o poder do eleitor. A não ser que se more num 'swing state', o voto do eleitor terá pouquíssimo peso na decisão eleitoral, porque nos demais estados há currais eleitorais republicanos e democratas, decididos de antemão. No Alabama ou no Wyoming, o candidato republicano ganham sempre, em Ney York o candidato democrata ganha sempre. O "gerrymandering" é a reformulação de distritos eleitorais de forma a assegurar regiões onde cada partido pode ganhar facilmente, por exemplo, ao invés de fazer um distrito só numa cidade grande onde os democratas teriam mais chance de eleger um congressista, divide-se a cidade em partes, e se anexa regiões agrárias mais conservadoras, para favorecer os republicanos.
Como deve calcular eu sei o que é "gerrymandering", mas obrigado.Também sei que não é uma prática exclusiva de nenhum partido e não beneficia ninguém em particular. Se consultar o resto do blogue tem a minha defesa do Colégio Eleitoral para ter noção da minha posição no assunto. A geografia política está sempre a mudar também por isso não me parece tão "preto no branco" como diz. Há poucos Estados mais Republicanos que o Tennessee e em 1996 estavam a votar em Bill Clinton. A Califórnia já foi um bastião Republicano (até 1988).
EliminarEu teria vergonha de ser populista e dizer coisas sem fundamentação nenhuma tipo "Lula da Silva infelizmente fez um governo corrupto, mas foi muito mais benefício ao povo brasileiro que o intelectual pedante e liberal de limusine Fernando Henrique, também corrupto. " Mas deve ser do meu amor pelos factos, pela razão e outras coisas elitistas desse género.
A sua ignorância relativamente à História do Mundo deixa-me pasmado. A I Guerra Mundial é uma luta entre modelos políticos. Se a Alemanha ganhasse imporia-se um sistema monárquico imperial, se ganhassem os Aliados teríamos a vitória do modelo de estado nação e da democracia. A pesar de ser causada pelo imperialismo o vencedor interessou e muito. Não percebo se quer defender o colonialismo , mas esteja à vontade.Já agora não percebo o comentário do México (já agora é Santa Anna que se escreve e ele não estava no poder em 1848). Sim, eu sei, factos são para fascistas... Parece-me irrelevante estar a discutir a política externa dos EUA no séc. XIX neste contexto (isto é um blog focado em política contemporânea) e nem percebo o seu ponto, mas se poder clarificar até podemos ter uma conversa.
Eu vivo num país que enriqueceu substancialmente com a entrada num acordo de comércio livre e vejo isso a acontecer no Resto do Mundo com frequência. Ou vai-me dizer que o México tinha uma economia pujante e uma situação doméstica controlada em 1992? Foi a NAFTA que os destruiu? Eu sei que o caro anónimo diz muitas barbaridades mais está é especialmente criativa.
Quando se recorre à Guerra está-se a ter um comportamento belicoso, sendo ou não provocado por terceiros. Se calhar falta-lhe conhecer melhor o português também. Vocês fala de belicismo americano no Afeganistão e aí é belicismo apesar de ser provocado pelos ataques de 11 de Setembro, mas se é provocado pelos ataque de Pearl Harbour já é belicismo, enfim os populistas não são conhecidos pela sua capacidade de argumentar com lógica.
Nunca tinha visto ninguém a questionar o papel vital dos EUA na vitória sobre o Eixo. Ninguém tinha a capacidade tecnológica, industrial e financeira para contrariar o poderio do Eixo que os EUA tinham. Ninguém planeou operações militares com tanta importância e eficácia. Ninguém fragilizou tanto a Alemanha (a Alemanha derrotou-se mais na Rússia do que a Rússia a derrotou) e a Itália. Ninguém para além dos Estados Unidos tinha capacidade para derrotar o Japão. O melhor era ler um bocadinho mais sobre os assuntos antes de se pronunciar. Eu sou uma pessoa com paciência e venho aqui responder aos seus desabafos desinformados, mas preferia que tivesse a humildade de querer aprender mais e tentar não viver na ignorância.
P.S.: Um dos seus links sobre Bush não vai dar a lado nenhum o outro bem que podia não ir dar a lado nenhum. Veja se consulta meios de comunicação convencionais para recolher informação para a próxima, não recantos obscuros da internet com referência a sondagens conduzidas por PACS que foram à falência, que dão a liderança a um candidato que não teve expressão nenhum nas primárias. Tenho sincera pena de pessoas com uma falta de sentido crítico e inteligência tão grande que não conseguem distinguir lixo de notícias fidedignas. Em fim, raramente encontrei alguém que personificasse tão bem tudo o que há de perigoso na política moderna. Le Pen, Trump e Farage devem estar orgulhosos. é de pessoas mal informadas como o senhor que eles vivem.
Cumprimentos e obrigado por comentar!
Não esperava outro tipo de coisa do autor desse blog. Pela leitura de seus textos já havia que se trata do típico exemplar de homem moderno, na definição de Orwell, que raciocina por slogans e se comunica através de balas. Não se preocupe, jamais pretendi lhe convencer de qaulquer coisa, apenas queria mostrar que nem todo mundo compartilha do seu mundo de ilusão.
ResponderEliminarO partdo republicano afundou por causa da sua própria eficiência na implantação de suas idéias. Seu fundamentalismo de livre mercado empobreceu a classe média americana, a tornou dependente de serviços públicos para educação e saúde. Robert Reich, ex-secretário do trabalho de Bill Clinton, explica isso:
http://robertreich.org/post/72770488951
http://robertreich.org/post/140181226720
O México antes do NAFTA tinha algum grau de soberania, que se perdeu. Sua agricultura foi destruída por uma avalanche de importação de produtos americanos subsidiados.
Pouco leio 'meios de comunicação convencionais', não tenho mais interesse em sua respeitabilidade de fachada. Todos os 'meios de comunicação convencionais' foram favoráveis à invasão do Iraque em 2003, todos aceitaram acriticamente todas as histórias fantasiosas sobre as armas de destruição em massa de Saddam. Assim como aceitaram e aceitam todas as alegações pra lá de duvidosas de Clinton e Obama.
ResponderEliminarNão se o que escreveste em 2003, ou se escreveu, mas suponho que tenha acreditado na necessidade imperiosa de invadir o Iraque, de salvar o mundo de Saddam, e tenha acreditado que o país tenha se tornado uma florescente democracia, como toda a grande mídia tentou dizer até que se tornou insustentável. Estou farto da grande mídia, de sua duplicidade de padrões, que denuncia atrocidades dos regimes que não gosta e ignora as dos regimes apoiados pelo ocidente, como o Egito do General Sisi, ou as da Arábia Saudita.
Como disse, a globalização enriqueceu alguns e empobreceu a muitos, de modo geral destruiu a independência econômica dos países, arruinou no terceiro mundo a agricultura de subsistência, forçando a adoção de culturas de exportação, sujeitas a quebras de safra e causando esgotamento dos solo, causando insegurança alimentar, e tornando as pessoas dependentes, para comer, de ganhos incertos. Se quiser, sei que não quer, leia "Late Victorian Holocausts" de Mark Davis, e o livro "Consumed" de Benjamin R. Barber
E também:
http://www.commondreams.org/views/2015/11/05/spiritually-rudderless
A globalização também pariu a onda moderna de nacionalismos, separatismos e fundamentalismos, pelo desenvolvimento desigual de regiões, e pela destruição de integração forçada de fim da autossuficiência - embora pobre - de localidades em grupos nacionais, forçando rivalidades e disputas de controle de recursos. Paul Collier, num estudo publicado pelo Banco Mundial, demonstrou que os conflitos civis pelo mundo afora tem motivações econômicas, e seus pretextos étnicos e religiosos são postiços, inventados, não passam de brigas pelo controle de petróleo, minérios, madeira, qualquer bem de valor. Um 'destruição criativa' neoliberal.
http://www.obeco-online.org/rkurz175.htm
O ideário neoliberal, para usar a frase de Talleyrand, é pior que um crime, é um erro. Não tem a mínima possibilidade de funcionar. Não pense que o mundo futuro será sua amável utopia neoliberal, de pessoas votando sabiamente em candidatos 'competentes' como Hillary Clinton e Jeb Bush (Jeb foi tão 'competente' que sua campanha em surdina para multifinanciar sua corrida presidencial inviabilizou que Mitt Romney pudesse se relançar em 2016 - seria um candidato mais viável, ao menos obteve 47% dos votos em 2012 poderia fazer algum avanço pra chegar à maioria), e se ocupar apenas com questões que a mídia seleciona como virtuosas. Para fora da bolha da sublimidade onde habitam Angelina Jolie e o resto da gente chic, restarão bilhões de pessoas empobrecidas e arruinadas, cujos modos e estilos de vida foram destruídos e sem nenhuma perspectiva, para o quais as almas nobres amantes de uma humanidade abstrata, pois se trata da orden natural das coisas, essa gente tem mesmo de ser atropelada pelo rolo compressor do progresso e não tem direito de se lamentar, a única lástima é que não desapareçam de uma vez como escreveu na National REview (um meio de comunicação convencional?) o Sr. Kevin Williamson:
ResponderEliminarhttp://www.nationalreview.com/article/432876/donald-trump-white-working-class-dysfunction-real-opportunity-needed-not-trump
Não se surpreenda que gente ignorante como eu não compartilhe de suas ilusões. Não vivemos em uma bolha de conforto onde podemos amar a humanidade de longe, não podemos acreditar que 'o mundo está muito melhor depois da invasão ao Iraque' porque vemos o que está acontecendo, não podemos acreditar que os Estados Unidos tem solução pra tudo, porque vemos as soluções que os americanos tem nos proporcionado.
ResponderEliminarTudo bem que Hillary Clinton vai ganhar, o problema nem é ela, mas toda a classe política americana, o imperialismo e a crença cega do liberalismo americano de que pode pela força transformar o mundo. Todos vimos o que a 'libertação' do Iraque e da Líbia, todos sabemos que a Bósnia e o Kosovo são países falidos, e prenhes de ódios étnicos que aflorarão mais dia menos dia. A não ser é claro, que sejamos pessoas de bem amantes dos 'fatos' e que só leem o New York Times e a National Review. Não me interessa ser esse tipo de gente, nada ganho com isso.
Para finalizar, muito mais vergonhoso que defender Lula é defender Ieltsin, como fez a grande mídia por ocasião de sua morte. E se lamentam de que os russos não sigam os sábios preceitos da mainstream media ocidental.
ResponderEliminarTodo este blog é um perfeito exemplo de 'gnosticismo liberal', do esnobismo que afetou grande parte da esquerda intelectual americana e mundial, e a tornou incapaz de se comunicar e compreender a gente simples. Não, apenas tolos, mal informados, estúpidos ignorantes e preconeituosos. O mundo não precisa deles, não é? Mas um dia haverá um mundo glorioso, apenas se todos 'soubessem'.
ResponderEliminar"Finding comfort in the notion that their former allies were disdainful, hapless rubes, smug liberals created a culture animated by that contempt."
http://www.vox.com/2016/4/21/11451378/smug-american-liberalism
Por onde começar...
ResponderEliminar-O mundo do populismo em que tudo é negro, tudo é corrupto e tudo está contra nós é que me parece um "mundo de ilusão".
-É importante ressalvar que o blog tem dois autores.
- Os EUA sempre adotaram um sistema com muito pouca intervenção do Estado portanto empobreceu em relação a quê? Ao que acha que a classe média americana devia ter só se for. As pessoas melhorram o nível de vida com o "New Deal" (se bem que foi muito menos eficaz do que o pintam) e não perderam conforto financeiro com as políticas "neoliberias" (como vocêss neopopulistas tanto neogostam de lhes chamar) das administrações subsequentes (Reagan, Bush, Clinton ,Bush). Tudo o que contradiga isto não terá base factual.
- Falar da perda de soberania do México nada tem a ver com falar do que a sua economia ganhou, igual para quando se fala de agricultura. Acordos económicos deve ser avaliados do ponto de vista da macro e não da microeconomia. A economia no seu tudo cresceu com a NAFTA.
- Eu tinha 5 anos em 2003, não tenho ideia de me ter pronunciado. Quanto à dualidade de critérios não me parece que seja assim tão escandalosa, eu vejo várias peças na grande imprensa a criticar esses regimes que referiu. Essa ideia de que a imprensa só mente e que nós é que sabemos parece-me revestida de grande arrogância e ignorância.
- Quanto à globalização, será sempre difícil convencerem-me que os países eram mais pobres e mais isolados mas vivia-se melhor. Parece-me apenas saudosismo retrógrado. A globalização e a liberalização da economia trouxe mais oportunidades a todos. Os sistemas protecionista ,corporativista ou socialista repletos de corrupção e concentração de poder é que eram o problema. Não há nenhum sistema que traga tanta riqueza e tantas possibilidades a tantas pessoas como o capitalismo. E todos os indicadores provam isto. O único problema é que muita gente não gosta de ser responsabilizada pelos seus erros, nem gosta de reconhecer que tem de trabalhar mais e/ou melhor, nem que há pessoas melhores que nós. Aí nascem movimentos (nacionalistas e fundamentalistas) que tanto agradam a populistas como o senhor ou senhora, que criticam as melhores coisas do capitalismo por pura inveja e egoísmo.
- Os conflitos foram sempre primordialmente causados por razões de poder, o poder mais importante é o económico. Não vejo porque é que o Mundo globalizado, por ter conflitos como a Humanidade sempre terá, é pior que todos os sistemas anteriores porque os conflitos são maioritariamente causados por ambições económicas. Vai-me dizer que isto é uma novidade na História?
-Dizer que Romney seria um candidato com hipóteses numa Geral não é descabido quando se compara com Trump, mas considero que Bush seria melhor. É mais moderado e conciliador, mais calmo e menos mórmon (a Religião condicionou muito Mitt Romney).
As sondagens provam esta diferança entre os dois:
http://www.realclearpolitics.com/epolls/2016/president/us/general_election_romney_vs_clinton-5278.html
http://www.realclearpolitics.com/epolls/2016/president/us/general_election_bush_vs_clinton-3827.html
-Sem qualquer desejo de recorrer à violência de facto preferia viver num Mundo sem demagogos.
-Quem não vê a realidade como o populista vive sempre numa bolha. O populista todo poderoso conhece o Mundo em todas as suas dimensões, conhece a "verdade" e sabe quando o estão a enganar e a explorar: Sempre. Só o populista é que consegue compreender a Sociedade e critica os "iluminados" que se atrevem a dizer-lhe que há que pensar mais um bocadinho sobre os assuntos. Como já conhece toda a minha vida e a minha personalidade com base em meia dúzia de comentários é normal que consiga dizer que eu vivo numa "bolha". O populista é um ser fantástico que faz muito com poquíssimo, pega em grãos de informação e edifica castelos de areia de teorias.
- Sim, todos os iraquianos e líbios, todos os kosovares e bósnios ficaram muito tristes com o fim dos regimes totalitários que os dominavam. Foram forçados a desfazerem-se dos seus amados ditadores pelos malandros dos americanos. Não percebo onde é que pode por estes 4 casos no mesmo saco sem ser neste aspeto, aliás. Não é possível responsabilizar os EUA pela desintegração da Jugoslávia e pelas consequências deste processo, só se pode elogiar a maneira como tentaram proteger as populações vítimas da desintegração de um Estado terrivelmente mal gerido por, imagine-se, populistas.
ResponderEliminar-A sustentabilidade da Bósnia e do Kosovo como Estados-Nação reside na sua unidade em termos de ideário nacional, apesar das diferenças étnicas. Portanto não prevejo grandes problemas de futuro para países que futuramente beneficiarão da integração no mercado europeu que tanto ajudou no desenvolvimento de outros países que estavam atrás da "Cortina de Ferro".
-Ainda bem que considera este pequeno bolg "grande mídia", mas nós ainda não tecemos quaisquer considerações sobre o primeiro presidente Russo enquanto o senhor ou senhora defendeu os méritos de um corrupto sem vergonha.
- Eu sei que quer usar palavras caras, mas usar o termo "gnoticismo liberal" para descrever este espaço mostra um profundo conhecimento dos termos que está a usar, do blog ou dos dois. Este blog não é para pessoas mais ou menos simples, é sim para pessoas com vontade de conhecer uma visão sobre a atualidade diferente. Não há aqui nenhuma vontade de excluir, há, bem pelo contrário, vontade de dar a conhecer conceitos e dinâmicas da política internacional a quem até agora dela estava alheado.
- Sim, o Mundo seria melhor "sem tolos, mal informados,estúpidos, ignorantes e preconceituosos", mas eu contentar-me ia com um Mundo em que quem faz parte desse grupo não queira lá estar. Não parece ser o caso.
Muito obrigado por comentar e sinta-se à vontade para o voltar a fazer. Este espaço está aberto a discussões e pontos de vista diferentes (de preferência com o mínimo de fundamentação).
Cumprimentos!