A Festa Continua


Começa hoje o processo eleitoral que conduzirá à escolha do novo Primeiro Ministro do Reino Unido. Na corrida, há 5 candidatos. Hoje, um deles terá de desistir do n.º 10 de Downing Street.

O processo de seleção do novo líder do Partido Conservador é algo complexo, tendo sido explicado por alto  no artigo "Quem quer ser Primeiro Ministro?". Explicando de forma mais aprofundada, o processo de escolha do novo 'Tory Leader' divide-se em duas grandes etapas:

- Na primeira etapa, o objetivo será reduzir o grupo dos 5 candidatos existentes (Michael Gove, Andrea Leadsom, Stephen Crabb, Theresa May e Liam Fox) a 2 grandes candidatos. Para tal, os deputados (e apenas os deputados) conservadores deverão votar no candidato que pretendem que chegue à 2.ª fase do processo eleitoral. Esta votação está a decorrer hoje, encerrando as urnas às 6 da tarde. O candidato menos votado da eleição de hoje será eliminado da corrida. Se nenhum candidato desistir entretanto, o grupo de candidatos fica reduzido a 4. Assim, será necessária nova votação entre os deputados conservadores para eliminar um dos 4 candidatos da corrida. Esta votação será na quinta-feira, dia 7. Restando ainda 3 candidatos, caso não haja desistências, será necessário eliminar um deles através do mesmo processo. Esta 3.ª votação ocorrerá na próxima terça-feira, ficando a restar os dois candidatos pretendidos. Assim, contando que não haverá desistências (que são bem possíveis), saberemos quem serão os dois candidatos finais na próxima terça-feira. Se houver desistências, saberemos antes, naturalmente.

- A segunda etapa do processo de escolha do substituto de David Cameron será aberta aos militantes do Partido Conservador. Cerca de 150 mil membros do partido estão autorizados a escolher qual dos dois "finalistas" querem que seja o novo PM britânico. O novo líder do Partido Conservador e Primeiro Ministro do Reino Unido será anunciado no dia 9 de setembro, a não ser que, até lá, haja tantas desistências que só reste um candidato.

Explicado o processo a pormenor, resta fazer previsões para hoje. Tudo aponta para que seja o candidato Liam Fox a ser eliminado. Fox esteve envolvido em escândalos que prejudicaram a sua imagem. Além disso, a cobertura mediática da sua 'campanha' tem sido quase inexistente. Assim, espera-se a sua eliminação. Será mais uma tentativa falhada de Liam Fox, que já se tinha candidatado em 2005.

Andrea Leadsom, a deputada e Ministra da Energia que se celebrizou com uma prestação francamente positiva na campanha do Referendo ao Brexit (Leadsom apoiava a saída do Reino Unido da UE), está a surpreender nesta corrida. Recentemente, Leadsom recebeu o apoio do quase-candidato Boris Johnson, que, por razões óbvias para quem tem seguido este processo, não apoiará Michael Gove. Este apoio deu força à sua candidatura e, como tínhamos avisado, a conservadora eurocética deve ser alvo da nossa atenção, pois tem sérias hipóteses de chegar à segunda fase do processo de escolha do líder Conservador.

A Ministra do interior, Theresa May, não tem motivos para preocupações, devendo focar-se já na segunda fase do processo eleitoral, uma vez que dificilmente não chegará à lista dos dois candidatos finais.

Já Stephen Crabb, o conservador da classe trabalhadora, tendo o apoio de personalidades como Sajid Javid e Ken Clarke, deverá conseguir 'aguentar' a sua candidatura por agora, mas não tem grandes hipóteses de chegar ao final da corrida.

Em relação a Michael Gove, no seguimento da 'facada nas costas' a Boris Johnson, gerou-se uma onda de desconfiança em torno da personalidade do Ministro da Justiça que talvez não permita a sua eleição como líder do Partido Conservador. A fação eurocética do Partido Conservador está progressivamente a voltar-se para Andrea Leadsom e a abandonar o barco de Gove. Fala-se, até, de uma possível desistência da candidatura de Michael Gove. Lá diz o ditado: quem tudo quer tudo perde...
S.G.


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