The Land Down Under
Amanhã realiza-se mais um sufrágio que terá muita influência numa das maiores economias mundiais, inserida numa das zonas económicas mais prósperas do planeta. No entanto, são poucas ou nenhumas as referências a um dos acontecimentos políticos do Verão. Falo das Eleições Federais da Austrália. É nesta fase em que o leitor toma consciência de que deverá haver um sistema político que faça a gestão dos cangurus.
Sim, a Austrália é um país peculiar. A 13ª maior economia do Mundo e um dos países com melhores condições de vida e de trabalho passa muitas vezes despercebido aos olhos do Ocidente, do qual culturalmente faz parte. A humildade e a vontade de não dar muito nas vistas correm nas veias do povo da ex-colónia britânica, exemplo que não tem sido seguido pela sua classe política. Desde 2010 foram 4 os líderes de Governo e nunca nenhum acabou um mandato, estando o país em risco de conhecer mais um líder a partir de amanhã.
Para já, dá jeito conhecer a política australiana. Num sistema que mistura o exemplo inglês com o americano, sobressaem dois partidos: Os Liberais, que formam com alguns partidos nacionalistas a Liberal/National Coalition e Os Trabalhistas, azuis e encarnados, respetivamente, e os clones dos Conservadores e Trabalhistas ingleses. O sistema é bi-camarário, com uma Casa dos Representantes com 150 deputados eleitos por círculos uni-nominais baseados em população e um Senado com 76 Senadores,12 por cada Estado e 1 por cada uma das duas regiões autónomas. O Senado australiano é a Câmara Alta com mais poder de entre as dos países que adotaram um sistema "à la Westminster", sendo determinante para a Governação, ao contrário dos seus congéneres da Commonwealth.
Dos 150 deputados, os Liberais contam com 88, necessitando os trabalhistas de roubar 19 para atingir a maioria. Malcolm Turnbull é o Chefe do Governo, tendo sucedido a Tony Abbott, que, em 2013, foi eleito Primeiro-Ministro, sendo depois "traído" por Turnbull (membro do seu Governo) em 2015, que alegou que Abbott "não dava a liderança económica que o país necessitava". Este golpe teve muito apoio popular devido ao apoio do atual Primeiro-Ministro à igualdade de casamento (Abbott apoiava uma união reconhecida pelo Estado que garantia os mesmos direitos em termos de rendimentos, benefícios fiscais e sociais e imigração), à causa republicana ( Abbott é um monárquico assumido, tendo aconselhado a Rainha a recuperar os títulos nobiliárquicos da Ordem da Austrália e a tornar o Duque de Edimburgo membro da Ordem, depois abolidos pelo seu sucessor) e à maneira de resolver o problema das emissões de carbono (Turnbull é a favor de taxar as emissões tal como os Trabalhistas, enquanto Abbott é a favor de incentivos fiscais para quem reduz as emissões). Turnbull, que tinha sido derrubado por Abbott em 2009, está um pouca à esquerda do seu partido, enquanto que Abbott é o protótipo do que se espera dos Liberais, apesar das suas constantes polémicas que o levam a ser altamente impopular.
Já do lado dos Trabalhistas, vencedores em 2010 com Julia Gillard na liderança, para continuar o legado do seu camarada Kevin Rudd, eleito em 2007, viram a sua líder pautar o seu mandato por escândalos e uma falta de tato e responsabilidade incríveis para uma detentora de cargos públicos. Por isso, a sua liderança do partido foi a votos 3 vezes durante o seu mandato de 3 anos. Em 2012 abafou Rudd, que tentou recuperar a liderança do partido, em Março de 2013 foi a votos sem oposição para testar a confiança que tinham em si, mas em Junho já perdia a liderança para Rudd, que seria, assim, o líder nas eleições de 2013, perdidas com estrondo para os Liberais de Abbott.
"Facadas nas costas", mudanças constantes na liderança do País, vinganças, eleições constantes. A política australiana é uma boa maneira de uma pessoa se distrair enquanto espera por uma nova temporada de "House of Cards".
Bill Shorten é o novo líder dos Trabalhistas e procura vencer umas eleições que Turnbull convocou para se legitimar, estando o plano a sair furado, com as sondagens a apontar para um empate técnico.
Qualquer que seja o vencedor, o facto de os dois partidos apresentarem ideias similares não deixa muitas alternativas ao povo australiano, que não conta com uma alternativa de direita pela primeira vez em muitos anos e vê a lealdade à monarquia a desaparecer da sua política. O resultado é incerto, mas as diferenças entre os dois não são substanciais, sendo garantida mais responsabilidade e experiência da parte de Turnbull.
João JonetSim, a Austrália é um país peculiar. A 13ª maior economia do Mundo e um dos países com melhores condições de vida e de trabalho passa muitas vezes despercebido aos olhos do Ocidente, do qual culturalmente faz parte. A humildade e a vontade de não dar muito nas vistas correm nas veias do povo da ex-colónia britânica, exemplo que não tem sido seguido pela sua classe política. Desde 2010 foram 4 os líderes de Governo e nunca nenhum acabou um mandato, estando o país em risco de conhecer mais um líder a partir de amanhã.
Para já, dá jeito conhecer a política australiana. Num sistema que mistura o exemplo inglês com o americano, sobressaem dois partidos: Os Liberais, que formam com alguns partidos nacionalistas a Liberal/National Coalition e Os Trabalhistas, azuis e encarnados, respetivamente, e os clones dos Conservadores e Trabalhistas ingleses. O sistema é bi-camarário, com uma Casa dos Representantes com 150 deputados eleitos por círculos uni-nominais baseados em população e um Senado com 76 Senadores,12 por cada Estado e 1 por cada uma das duas regiões autónomas. O Senado australiano é a Câmara Alta com mais poder de entre as dos países que adotaram um sistema "à la Westminster", sendo determinante para a Governação, ao contrário dos seus congéneres da Commonwealth.
Dos 150 deputados, os Liberais contam com 88, necessitando os trabalhistas de roubar 19 para atingir a maioria. Malcolm Turnbull é o Chefe do Governo, tendo sucedido a Tony Abbott, que, em 2013, foi eleito Primeiro-Ministro, sendo depois "traído" por Turnbull (membro do seu Governo) em 2015, que alegou que Abbott "não dava a liderança económica que o país necessitava". Este golpe teve muito apoio popular devido ao apoio do atual Primeiro-Ministro à igualdade de casamento (Abbott apoiava uma união reconhecida pelo Estado que garantia os mesmos direitos em termos de rendimentos, benefícios fiscais e sociais e imigração), à causa republicana ( Abbott é um monárquico assumido, tendo aconselhado a Rainha a recuperar os títulos nobiliárquicos da Ordem da Austrália e a tornar o Duque de Edimburgo membro da Ordem, depois abolidos pelo seu sucessor) e à maneira de resolver o problema das emissões de carbono (Turnbull é a favor de taxar as emissões tal como os Trabalhistas, enquanto Abbott é a favor de incentivos fiscais para quem reduz as emissões). Turnbull, que tinha sido derrubado por Abbott em 2009, está um pouca à esquerda do seu partido, enquanto que Abbott é o protótipo do que se espera dos Liberais, apesar das suas constantes polémicas que o levam a ser altamente impopular.
Já do lado dos Trabalhistas, vencedores em 2010 com Julia Gillard na liderança, para continuar o legado do seu camarada Kevin Rudd, eleito em 2007, viram a sua líder pautar o seu mandato por escândalos e uma falta de tato e responsabilidade incríveis para uma detentora de cargos públicos. Por isso, a sua liderança do partido foi a votos 3 vezes durante o seu mandato de 3 anos. Em 2012 abafou Rudd, que tentou recuperar a liderança do partido, em Março de 2013 foi a votos sem oposição para testar a confiança que tinham em si, mas em Junho já perdia a liderança para Rudd, que seria, assim, o líder nas eleições de 2013, perdidas com estrondo para os Liberais de Abbott.
"Facadas nas costas", mudanças constantes na liderança do País, vinganças, eleições constantes. A política australiana é uma boa maneira de uma pessoa se distrair enquanto espera por uma nova temporada de "House of Cards".
Bill Shorten é o novo líder dos Trabalhistas e procura vencer umas eleições que Turnbull convocou para se legitimar, estando o plano a sair furado, com as sondagens a apontar para um empate técnico.
Qualquer que seja o vencedor, o facto de os dois partidos apresentarem ideias similares não deixa muitas alternativas ao povo australiano, que não conta com uma alternativa de direita pela primeira vez em muitos anos e vê a lealdade à monarquia a desaparecer da sua política. O resultado é incerto, mas as diferenças entre os dois não são substanciais, sendo garantida mais responsabilidade e experiência da parte de Turnbull.

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