Um Mundo de Mulheres

Estamos a caminho de um momento único na História do Mundo. Ao que tudo indica, quando chegarmos ao Natal, três mulheres serão líderes de 3 das 5 maiores economias do Planeta. Sendo os outros países o Japão e a China, não era expectável que as mulheres fizessem o pleno, mas, mesmo assim, Merkel deverá contar com a companhia de Theresa May, ou, num cenário mais improvável, Andrea Leasdom, e Hillary Clinton. As primeiras mulheres a afirmarem-se na política acabarm por ficar com excelente fama, com Golda Meir, Indira Ghandi e Margaret Tatcher mais tarde a liderarem países de grande importância. No entanto, a mais recente fornada tem sido desapontante, com Kirchner, Dilma, Tymoshenko e Gillard a mostrarem que a incompetência não é exclusiva do sexo masculino. Merkel é quem vai sendo o exemplo, afirmando-se como a política mais importante da Europa.
Esta recente afirmação feminina advém do mundo anglo-saxónico, o que não é especialmente surpreendente. Mesmo as sociedades latinas menos conservadoras parecem ter muito mais dificuldade em aceitar mulheres em cargos de chefia. Basta ver que entre França, Portugal, Espanha e Itália, Catarina Martins deve ser a mulher mais importante. Algumas pessoas ligariam isto ao machismo inerente à cultura mediterrânea, mas o que me parece é que os latinos valorizam muito mais o carisma do que os anglo-saxónicos e, por isso, as mulheres nestes países, apesar de competentes e experientes como Assunção Cristas, Soraya Sáenz de Santamaría (nº 2 de Rajoy), Ségolène Royal ou Federica Mogherini, não possuem o carisma necessário para cativar o eleitor comum. Theresa May, Hillary Clinton e Angela Merkel têm também esta falha, mas como o seu povo quer é ideias e competência, acabam por chegar ao poder com naturalidade. Mulheres carismáticas como Marine Le Pen e Catarina Martins acabam por conseguir excelentes resultados, isto apesar de defenderem ideias completamente ao lado das dos seus eleitores, que gostam mais de políticos que falam alto do que políticos que falam bem.
Este é um fenómeno que já trouxe a Portugal senhores como José Sócrates ou António Costa e que parece estar a fechar as portas às mulheres políticas que tendem a ser menos estridentes. Portanto, para garantir a igualdade de género e a boa governação, passem a ligar mais às ideias e menos aos gritos e frases feitas, porque há países que não lhes ligam nenhuma e saem-se um bocadinho melhor que nós.
João Jonet
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