O que é que se passa, Hillary?


Hillary Clinton está a ter semanas muito atribuladas, isto depois de um mês em que viu Trump a afundar nas sondagens e a mostrar todas as suas fragilidades da sua campanha amadora. Os últimos tropeções fizeram com que Hillary não pudesse capitalizar nas fragilidades do seu adversário, principalmente no que toca à sua incapacidade para angariar fundos (por cada 40/50 milhões que a democrata consegue, o republicano consegue um).
Estes golpes na campanha vêm de um problema antigo, o escândalo dos e-mails. Para quem não sabe, durante os seus 4 anos como Secretária de Estado (3º cargo mais importante no executivo americano, que tutela os negócios estrangeiros), a mulher de Bill Clinton usou um servidor privado para mails de trabalho, que eram obviamente confidenciais. Isto é especialmente escandaloso tendo em conta que os mails do executivo devem ser tornados públicos, se for pedido pelo Congresso ou por agências de segurança.

Ora, quando isto foi pedido a Hillary, esta cedeu a informação do seu mail pessoal, afirmando, no entanto, que teria apagado mais de 50 mails durante o seu mandato. Esses mails podiam ser spam ou vídeos de gatinhos, mas a suspeita de que fosse algo de mais obscuro paira constantemente sobre Hillary.
Esta semana (ontem) o FBI anunciou qual seria o conselho que daria à procuradora-geral, Loretta Linch, relativamente a este caso: se seria para proceder ao "indictment" e iniciar um processo contra a ex-Senadora ou para não fazer nada. A falha é grave e um processo justificava-se para muitos juristas, mas menos de uma semana antes do anúncio da decisão, Bill Clinton atacou. O escandaloso ex-Presidente reuniu-se com a procuradora-geral durante alguns minutos de forma informal. Isto antes de um subordinado desta (diretor do FBI) decidir sobre o futuro da sua mulher. Fica cada vez mais difícil não assumir o pior. Tantos pequenos incidentes fragilizam muito a imagem de Hillary, que tem neste caso o seu "calcanhar de Aquiles", especialmente contra Trump, o "anti-politico" que despreza a classe e as suas artimanhas. João Jonet

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