Pence rápido



Perdoe o leitor a típica piada seca que caracteriza a imprensa nacional mas sempre é mais criativo que o discurso de Melania Trump (os mais distraídos podem ver o hilariante vídeo no nosso Facebook). 
Iniciou-se ontem o mais ridículo e engraçado evento da História política americana: A Convenção Republicana organizada por Donald Trump!
O primeiro dia contou com o desprezo aos delegados que se opõem ao mais-que-provável nomeado,  mostrando um dos partidos mais influentes do Mundo giríssimos laivos de fascismo, com um discurso plagiado, um político que era bom há dez anos, uma entrada fantástica e uma humilhação pública.

No entanto, o circo já tinha começado antes de chegar a Cleveland, com a escolha do candidato vice-presidencial. Mike Pence, Governador do Indiana, fanático religioso e maior fã do próprio foi o escolhido em detrimento do experiente e competente Newt Gingrich (ex-Speaker) ou do homem que mais se sacrificou por Trump, Chris Christie (Governador de New Jersey que apoiou o excêntrico candidato de pele de clementina antes de todo o partido, sofrendo fortes retaliações). Pence é o que se chama um "principled conservative", destinado a apaziguar a ala mais extremista do partido, que não acredita que Trump possa aplicar políticas conservadoras em termos sociais (devido a já ter estado dos dois lados do argumento quanto ao aborto, casamento homossexual ou direitos dos trans-sexuais).
Como evangélico fanático, o Governador do Indiana é ideal para esta fação, contando também com  12 anos de experiência no Congresso (em que não fez nada) e 4 anos na Mansão do Governador (em que não fez nada bem). Os níveis de incompetência parecem coadunar-se com os de Trump. Portanto, para o candidato, parece uma excelente escolha, ainda para mais sendo este Governador de um Estado que já estava garantido à partida. As boas notícias são que esta escolha mata quase de certeza as parcas hipóteses de Trump.

Quanto à Convenção, começou com a humilhação pública de Mitch McConnell (Líder republicano no Senado e incompetente crónico), que foi proposto de forma simbólica para a presidência do evento, sendo que o voto (que funciona por gritos de "aye" ou "nay") revelou que os delegados não estavam interessados em ver a cara do Senador que é frequentemente comparado a uma tartaruga, dada a sua vivacidade a discursar. No entanto, o Presidente do GOP ouviu uma maioria de "ayes"que ninguém ouviu, aprovando a moção. 

Depois, tivemos a aprovação das regras. Numa tentativa de derrubar Trump, os delegados quiseram alterar as leis da Convenção, permitindo liberdade de voto a todos os presentes. Outra vez pelo sistema de "quem grita mais alto" parecia duvidoso que se iria decidir daquela maneira: dados os níveis próximos de barulho, exigia-se uma "roll call" em que cada delegação de cada Estado diria para que lado dirigia os seus votos. No entanto, os barões republicanos querem mesmo "unificar" o partido, ouvindo uma maioria tão esclarecedora que não precisaria da tal "roll call". Tudo muito democrático, portanto.

Por fim, dois discursos desastrosos. O de Melania já foi escrutinado por toda a internet, o de Rudy Giuliani (ex-Mayor de Nova-Iorque) não foi menos ridículo, mostrando o declínio deprimente de um dos políticos mais influentes dos anos 90' e 00'.

O caos está instalado e Mike Pence não parece ser a solução. Usando a piada seca do título, esta decisão terá os resultados práticos da aplicação de um penso rápido numa fratura exposta.

Os próximos dias prometem...

João Jonet


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