Hairgate


Sabemos que estamos na "Silly Season" quando o maior escândalo político do momento é o corte de cabelo de um Chefe de Estado. François Hollande encontra-se debaixo de fogo e desta vez nada tem a ver com as suas políticas falhadas, mentiras ou hipocrisias. Bem, tem um pouco a ver com as suas hipocrisias.

Um dos principais trunfos que Hollande usou para vencer as eleições de 2012 foi a sua imagem humilde e próxima do eleitor comum. Ao contrário de Sarkozy, o socialista não ia viver uma vide de estrela de cinema no Eliseu, prometendo baixar os custos da Presidência e torná-la mais humana e menos propensa a sensacionalismos.

No entanto, o caso do Presidente com uma atriz levou ao seu divórcio e encheu as revistas cor-de-rosa de conteúdo. Além disso, os gastos da sua Presidência estão no mesmo nível dos de Sarkozy. A juntar a isto, com falhanços em todos os campos possíveis (ler aqui), Hollande tem uma derrota em 2017 praticamente garantida, não podendo sequer disfarçar com uma vitória no Euro 2016.

Além de tudo isto, aparece mais um escândalo. Parece que o Presidente, conhecido pela sua imagem lustrosa e cabelo fantástico, paga a um cabeleireiro pessoal mais de 10 mil euros mensais, um salário ao nível de todos os seus ministros. Este cabeleireiro deve ser do melhor que já se viu, pois, fazendo as contas, se Hollande cortasse o seu cabelo todos os dias no cabeleireiro mais caro de Paris, gastaria aproximadamente 1500 euros por mês. Esta disparidade justifica-se pelo facto de Hollande só confiar especificamente neste senhor para cuidar da sua impressionante cabeleira, não lhe concedendo um substituto, ou períodos de descanso mínimos, levando-o em todas as viagens e obrigando-o a obedecer a uma restritiva cláusula de confidencialidade.

Para quem ia acabar com os luxos da administração anterior, esta demonstração de luxo num país que não consegue sair dos 10% de desemprego deverá ser o último prego no caixão do Presidente francês.

João Jonet

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