Corrida ao Senado 2016: Parte I

Este ano vão a votos 34 Senadores, sensivelmente um terço do Senado, como acontece de resto a cada 2 anos(Ler aqui). Dos 34 lugares em disputa (24 são Republicanos e 10 Democratas) apenas 17 estão minimamente em risco. Para este artigo vou apenas focar-me em 3 das 7 eleições mesmo imprevisíveis, porque algumas ainda estão em primárias, pelo menos de um dos lados do espectro.
Começamos pelo Ohio, onde Rob Portman, outrora o menino bonito do Partido Republicano(foi considerado uma forte possibilidade para concorrer com Romney em 2012) enfrenta uma eleição muito complicada. Pelos Democratas, um Governador que não conseguiu ser re-eleito devido ao regresso triunfal de Kasich à política ativa em 2010 (se bem que apenas perdeu por 2%). Não obstante, Ted Strickland goza de grande popularidade no "Buckeye State", liderando a maioria das sondagens e aproveitando o facto de poder associar Portman ao seu candidato presidencial (esmagado na primária republicana do Ohio por John Kasich). Para além disso, o Republicano perdeu algum apoio dentro do seu partido ao apoiar a união de casais do mesmo sexo (tabu para o Tea Party) e outras causas que o aproximaram do centro.
No Wisconsin, um estado Democrata que está a ficar cada vez mais Republicano, noutros tempos foi um bastião progressista, mas hoje em dia tem um Governador Republicano muito popular (Scott Walker). Ron Johnson, eleito quase como protesto contra a Administração Obama (como muitos em 2010), é uma contabilista pouco carismático que enfrenta uma campanha que serve de desforra contra o incumbente Democrata que derrotou na sua primeira eleição. Russ Feingold, Senador pelo "Estado do Queijo" durante quase 20 anos (1993-2011) é um dos grandes líderes da causa progressista e, no entanto, um dos senadores que teve mais facilidade em dialogar com os Republicanos nos últimos anos. Com uma forte presença, um currículo preenchido, a campanha com os cofres mais cheios deste ano e uma margem de cerca de 6% nas sondagens, devemos ter o regresso de Feingold à mais importante câmara legislativa da União.
Por fim temos o Illinois, que também votou em protesto no Senador Mark Kirk, na primeira eleição pare este lugar desde a vitória de Barack Obama, em 2004. Kirk é, provavelmente, o mais inteligente, responsável e moderado legislador do GOP. Dada a radicalização do partido, não são grandes credenciais. Com poucos apoios do seu lado, ainda vai concorrer contra uma candidata que só pela descrição se vê que é invencível, especialmente num Estado extremamente liberal. Tammy Duckworth é uma mulher asiática, veterana da Guerra do Iraque, onde perdeu as duas pernas. Com dois anos de experiência na Administração Obama e uma liderança confortável nas sondagens (embora esteja a decrescer), a candidata parece ter a vitória garantida nesta altura.
Portanto, contamos 3 vitórias para os Democratas, que, neste ciclo, não devem perder um único Senador, ficando o Senado 51-49 para os Republicanos, sendo que ainda me falta abordar mais 4 corridas. Donald Trump pode dar um ano perfeito a todos os adversários do seu Partido.
João Jonet
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