Quem quer ser vice-presidente dos Clintons?


Tal como nos Republicanos (ler aqui), também no lado azul da barricada já se pensa no candidato à vice-presidência que acompanhará Hillary na sua feroz batalha contra Donal Trump. Em termos de qualificações, parece haver muita fartura, mas quem quer ser VP numa administração com dois presidentes?
Desde 1776 até aos anos 90, a posição de vice-presidente nunca foi uma coisa muito atraente. John Adams (o 1º vice-presidente) considerou o cargo "o mais inócuo que alguma vez foi criado pelo homem". No entanto, desde a Presidência de Bill Clinton o panorama mudou, tendo o Democrata dado muitas responsabilidades e muito peso a Al Gore, especialmente em termos de política interna e na relação com o Congresso (Bill tinha muito menos experiência de Washington). De seguida, Bush concedeu a Dick Cheney quase todas as responsabilidades militares e, agora, Obama faz questão de ter Joe Biden com o seu mais importante conselheiro (especializado em política externa).
O próximo vice-presidente não deve ter 1/5 da influência dos seus 3 antecessores. Com Bill Clinton a passear entre a residência familiar (East Wing) e a zona das decisões (West Wing), qualquer que seja o infeliz a pôr o nome no "ticket" democrata terá muita dificuldade para conseguir ter peso na administração Clinton 2.0.
Mesmo assim, temos interessados e pessoas que interessam. A opção Bernie Sanders (que já foi aqui esmiuçada) seria muito benéfica em termos políticos mas é duvidoso que o Senador abdique da sua atual posição de poder apenas pelo prestígio do cargo. Elizabeth Warren, Senadora do Massachussetts e  igualmente uma das porta-estandartes do movimento progressista, também seria uma opção interessante em termos da união do partido, mas os EUA não parecem estar preparados para um "ticket" totalmente feminino e, tal como, Sanders, não parece ter a geografia a seu favor, visto que são ambos de zonas garantidas para os Democratas e muito próximas de Nova Iorque ("estado-natal" de Hillary). Júlian Castro e Thomas Perez, latinos e membros da administração Obama, parecem boas escolhas, mas não são conhecidos pelo seu carisma, ao contrário das duas opções anteriores. Para além disso, têm ambos muito pouca experiência política. Castro tem a seu favor ser texano, o que poderá levar o Estado para o seu partido. Cory Booker, Sherrod Brown e Tim Kaine, senadores por New Jersey, Ohio e Virgínia, respetivamente, também têm sido falados, faltando-lhes também algum carisma, Booker, por ser afro-americano, e Brown, por ser de um Estado decisivo, têm isso a jogar a seu favor.
Mantenho a minha convicção de que Sanders (que deve vencer hoje a primária do Oregon) seria a melhor opção, pois o seu carisma e populismo seriam um bom contra-balanço em relação a Clinton, mais sóbria e calma, uma personificação do "status-quo" a que o americano parece, neste momento, ter raiva.
João Jonet

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