Impitiman, Parte 2
Recordo que no dia 17 de abril se deu a votação do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados, e este foi aprovado com 367 votos a favor, 137 votos contra, 7 abstenções e 2 nulos. Este resultado levou a que o processo seguisse para o Senado. É a fase em que estamos. Esta noite, haverá a votação, depois de o Supremo Tribunal ter rejeitado o pedido de última hora de Dilma de anular o processo de destituição. E agora?
Agora, o Senado terá que votar a destituição, e basta haver maioria simples para que o Senado aprove o processo. Ou seja, não é necessário que 41 dos 81 deputados da Câmara Alta aprovem o processo (maioria absoluta) para que Dilma seja afastada do cargo. É, portanto, muito provável que o "Sim" ao impeachment vença a votação. Nesse caso, Dilma será afastada da presidência durante um máximo de 180 dias, período em que será julgada pelo Senado e, passado o prazo, esta Câmara votará, finalmente, o processo definitivo de destituição. Nesta fase - e só nesta fase - é que serão necessários 54 votos (2/3 do Senado) a favor do impeachment. Por enquanto, basta que haja mais pessoas a votar "Sim" do que a votar "Não".
O ambiente no Brasil continua caótico. Ninguém sabe o que será do Brasil nos próximos meses, talvez anos; todos os dias surgem novos casos de corrupção envolvendo políticos das mais diversas fações; continua a haver manifestações de apoio e contra o governo... Há, porém - e naturalmente -, uma maior confiança por parte dos que querem ver Dilma fora do Palácio do Planalto. Parece que o "Não vai ter golpe!" foi um mau vaticínio, e os proponentes desse movimento começam a aperceber-se disso.
Mas disto houve quem se tenha apercebido mais cedo, como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o maior vazio político do Brasil, um partido de favores, que dá para tudo, que é bengala e carrasco de todos e que tirou o apoio ao governo de Dilma Rousseff antes da votação do impeachment na Câmara Baixa. Mas há um pormenor importante. É que o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, que é do PMDB, e que também está envolvido em casos de corrupção escandalosos, será presidente, caso Dilma seja destituída. Michel Temer já deve ter calos de tanto esfregar as mãos... O homem que há um ano "twittava" "O impeachment é impensável, geraria uma crise institucional. Não tem base jurídica e nem política." é hoje a cara de um cartaz da autoria do PMDB que celebra o dia da votação do impeachment no Senado com o mote "É HOJE". Michel Temer é, também, o homem que se colou a Fernando Henrique Cardoso quando este foi Presidente, e que hoje se opõe às suas políticas. Temer e o PMDB apoiam os que governam, quando estes governam, opondo-se aos mesmos quando o poder lhes escapa. Neste caso, cheirou a poder do lado do "Sim" ao impeachment. Lá vão o PSDB e Michel Temer apoiar o "Tchau, Querida!". Mudaram-se os tempos. As vontades também.
Temer não é caso único, mas é, porventura, o exemplo mais claro de que, por mais fundamentada que seja a destituição de Dilma, o Brasil não se salvará com o afastamento de uma só pessoa, mas sim com a renovação de toda uma classe política. Vai ser difícil.
S.G.
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