Morrer uma vez não chega!

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O muito provável sucessor de Benigno Aquino III na presidência das Filipinas, Rodrigo Duterte, ainda não é Presidente e já choca pelas coisas que diz. Sempre é melhor do que chocar pelas coisas que faz...
Ainda assim, o homem que tomará controlo do governo das Filipinas, eleito no dia 9 de maio, tem já "obra feita". Vejamos quem é este Duterte. 
Rodrigo Roa Duterte foi, durante 22 anos, presidente da Câmara de Davao, onde era conhecido como "O Justiceiro". Isto porque Digong (alcunha de Duterte nas Filipinas) combatia o crime em pessoa: patrulhava as ruas, ia atrás dos traficantes de droga, dos violadores, dos criminosos em geral. Mas agora é Presidente, tomará posse no dia 30 de junho, e o cargo exige outra postura. Ou talvez não.
Muitos se queixam do populismo que chegou aos Estados Unidos, mas o que há a dizer do caso Filipino? A campanha de Duterte baseou-se nos problemas internos das Filipinas. Com uma abordagem populista, o ex-presidente da Câmara conquistou as classes mais baixas ao apresentar soluções fáceis para os problemas que mais os apoquentam, como a criminalidade, a corrupção e a pobreza. É a estratégia do costume...
Duterte é um descarado: faz piadas sobre violações, utiliza linguagem ofensiva ao referir-se a personalidades como o Papa, e, em relação ao crime (porventura o tema que mais o popularizou), "não terá meias medidas". O presidente eleito afirma: "Quem destrói a vida dos nossos filhos será morto. Os que matam o meu país serão mortos." 
Duterte quer que a polícia tenha permissão para atirar sobre suspeitos em fuga, quer criar esquadrões de morte e, para além disso, quer implementar a pena de morte, mas só por enforcamento, porque o fuzilamento "gasta balas". Matar custa... dinheiro, entenda-se. E vai mais longe, dizendo que quem for condenado duas vezes será enforcado duas vezes, "até que a cabeça fique completamente separada do resto do corpo".
O novo Presidente apresentou outras medidas "interessantes", mas o que há a realçar é que esta é uma nova abordagem que não é exclusiva do Ocidente. Lá vem o milionário Donald Trump à conversa, mas a verdade é que as duas personalidades têm vários pontos em comum. Ambos usam "temas fáceis" para ganharem votos, ambos dizem coisas chocantes "em jeito de brincadeira", ambos se declaram outsiders da política e atacam os "oligarcas do sistema político corrupto e viciado", ambos ameaçam acabar com a estabilidade possível de dois países muito diferentes. Um já foi eleito presidente. O outro poderá vir a sê-lo.
Se, como nos ensina Duterte, morrer uma vez não chega, pode ser que também não chegue um erro ser cometido num só país, e aí, Donald Trump será eleito, os Estados Unidos tremerão, e o mundo vai de arrasto. Esperemos que não.
S.G.

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