Corrida ao Senado 2016: Parte II

Como prometido, regressam as previsões relativas às eleições para o Senado de 2016. Na edição anterior, vimos que os democratas têm uma excelente hipótese para ganhar pelo menos 3 novos lugares neste ciclo. Esta queda dos republicanos nos Estados mais populosos e cosmopolitas deve-se, em parte, ao facto de estes se terem preocupado mais nos últimos dois anos (em que tiveram o controlo total do Congresso) em impedir que a administração Obama fizesse o que quer que fosse, em vez de porem as ideias por que foram eleitos em prática. Esta situação criou um conflito institucional que viu os últimos três Congressos serem dos menos produtivos de sempre. A juntar à vontade de obstruir, que tem o seu pináculo na recusa em ouvir o nomeado de Obama para o cargo do Supremo Tribunal (o moderado Merrick Garland), deixado vago pela morte do ultra-conservador Antonin Scalia, o fantasma de Donald Trump também paira sobre os candidatos mais centristas do seu partido, que se veem numa situação muito complicada. Passo agora a abordar mais dois Estados muito competitivos.
Começo pelo New Hampshire, onde uma líder da nova geração Republicana, Kelly Ayotte, concorre contra a re-eleita Governadora Democrata Maggie Hassan. Apesar de as primárias ainda não terem acabado, é praticamente certo que serão as duas nomeadas. Ayotte nunca foi apoiada pelo Tea Party por causa das suas posições centristas, tendo a ala conservadora do Partido adiado a decisão da primária, ao apresentar um candidato alternativo à Senadora. No entanto, Ayotte não deverá ter dificuldade em derrotar o conservador Jim Rubens, visto que, num Estado muito democrata, a única hipótese do GOP é colocar-se o mais ao centro possível. Numa campanha que deverá ser séria e focada nos temas importantes em vez de nos ataques pessoais (ao contrário do que serão as presidenciais), as duas candidatas deverão estar sempre muito próximas, sendo muito difícil fazer um prognóstico a 6 meses de distância, mas a minha aposta vai para a continuidade de Kelly Ayotte como Senadora, a não ser que Trump lhe estrague os planos.
Na Pensilvânia, o conservador Pat Toomey tenta a re-eleição contra Katie McGinty, chefe de gabinete do atual Governador Democrata. Depois de 7 anos na House Toomey, esteve 5 anos afastado da vida política, voltando em 2010 para suceder ao histórico Republicano Arlen Specter, que ocupou o lugar durante 30 anos e mudou para o Partido Democrata no fim do seu mandato devido à radicalização do seu próprio Partido. Acabou por perder a primária para o Almirante Joe Sestak, que, por sua vez, viria a perder com Toomey. Este ano, os Democratas têm a hipótese de almejar algo que não conseguem desde 1946: ter os dois Senadores da Pensilvânia. Apesar de McGinty nunca ter sido eleita para nada, o seu currículo como ambientalista contrasta contra o vontade de Toomey de destruir tudo o que de natural existe nos EUA para alcançar a tão desejada independência energética. Num Estado que é considerado Democrata, este currículo não parece atrativo numa eleição que deve mesmo ter o foco no ambiente. No entanto, a credibilidade de Toomey e a sua experiência podem falar mais alto. Já em 2010, todos os analistas consideraram o Republicano demasiado conservador para vencer o Estado e enganaram-se. Vamos ver como corre desta vez, sendo que nas sondagens, a margem do atual Senador tem caído desde que Trump se tornou o provável nomeado.
Se os Democratas ganharem um destes Estado mais os três de que falei na minha anterior previsão, o Senado fica 50-50. Neste caso, a Constituição prevê que o voto do Vice-Presidente (oficialmente Presidente do Senado, apesar de quase nunca exercer o cargo) decide os empates, o que reveste as Presidenciais de um caráter ainda mais decisivo.
João Jonet
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