Obama em Hiroshima
Obama está no Japão, numa visita à famosa cidade de Hiroshima, o primeiro alvo dos dois ataques nucleares levados a cabo pelos Estados Unidos em 1945, que foi responsável pela morte de cerca de 140 mil pessoas.
Obama tornou-se, assim, o primeiro Presidente Americano a visitar Hiroshima, numa cerimónia em que "chorou os mortos". O Presidente norte-americano afirmou à chegada a Hiroshima que a visita "mostra como até mesmo a divisão mais dolorosa pode ser superada". Mas a imprensa faz notar: Obama não pediu desculpas.
Devia Obama ter pedido desculpas? Aquela que é uma questão muitíssimo debatida - a de se a decisão de bombardear o Japão foi o menor dos males - é absolutamente ignorada pelos media, que deixam sempre a sugestão: Obama foi ao Japão, "chorou os mortos", alertou para o perigo do armamento nuclear, mas faltou-lhe pedir desculpas. Como se pedir desculpas fosse a única alternativa, como se pedir desculpas fosse uma obrigação do Presidente dos Estados Unidos da América.
A questão de se o Presidente dos EUA deve pedir desculpas é altamente debatida, e é uma de interesse. Há duas grandes posições em relação a esta questão.
1- A de que esta foi a forma de evitar que a Guerra se prolongasse, evitando que todas as ilhas do Império Japonês fossem arrasadas, cortando, assim, o mal pela raiz;
2- A fação oposta considera que o bombardeamento das duas cidades japonesas foi meramente uma atitude vingativa, uma resposta ao ataque de Pearl Harbor que acabou com centenas de milhar de vidas inocentes.
Independentemente da nossa opinião acerca deste assunto, certo é que este não é um tema consensual e, portanto, o não-pedido de desculpas de Obama não deve ser apresentado como uma surpresa, uma desilusão em relação à posição da Presidência dos EUA, mas sim como resultado da interpretação histórica de Obama em relação a esta questão. Muito provavelmente, Obama acha que, apesar de tudo, o bombardeamento foi uma decisão menos danosa do que a decisão de prolongar a Guerra durante um tempo que à altura era indeterminado.
Ainda assim, Obama alertou para os perigos do armamento nuclear, e a sua visita a Hiroshima é vista com grande entusiasmo pelos que querem um mundo desarmado.
Esta é uma visita histórica, um ato simbólico, mais que tudo, uma reconciliação. Os mais otimistas veem ainda nesta visita um grande passo em direção ao desarmamento nuclear. Mas parece-me que, por enquanto, devemos ficar-nos pela simbologia da cerimónia, que o desarmamento é outra coisa.
S.G.
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