Merkel: Uma década vazia


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está de visita a Berlim, onde se encontra com Angela Merkel,  Chanceler há mais de uma década da maior economia europeia, a quarta maior do mundo, pode ser considerada a mulher mais importante do mundo e uma das 5 pessoas mais influentes do planeta. Assumiu as rédeas da UE e conduziu-a num dos períodos mais difíceis da sua curta história de forma competente e autoritária e por isso mesmo Marcelo lhe implorará que interceda em favor de Portugal para que não se apliquem sanções mais que merecidas.
Mas isto não é sobre a visita do nosso Chefe da Estado. É sobre a figura mais importante da Europa e o pouco que esta fez, a falta de ideias que demonstrou e continua a demonstrar. Com tantos anos no poder, seria de esperar que já alguma reforma estivesse à vista, alguma mudança que esta achasse essencial. Mas não. "Prática" e "pragmática", Merkel não parece especialmente capaz de concretizar nem ideias nem objetivos.
Dando exemplos, Merkel repete constantemente o mesmo discurso de que a Europa tem 7% da população mundial, 25% do PIB e 50% das despesas sociais. No entanto, nunca se viu a Chanceler a fazer o que quer que seja para reduzir as despesas sociais e aumentar a competitividade, não havendo uma única proposta relevante neste sentido. Também no que toca à intervenção do Estado na economia, assumiu posições contraditórias, opondo-se ao resgate dos depósitos irlandeses num dia e, no dia seguinte, afirmando que o governo alemão aplicaria a mesma medida.
No campo da imigração, as suas posições também fazem pouco sentido. No início do mandato, defendia que o sistema de integração europeu era demasiado permissivo, mas não fez nada para mudar a situação. Em 2015, assumiu-se a favor de acolher todos os refugiados possíveis, causando uma vaga de migrantes insustentável, indo contra as suas ideias relativamente ao estado social e à integração de imigrantes. Pouco depois, já negociava com a Turquia para que não entrassem mais refugiados na Europa.
Será Merkel afinal conservadora ou liberal, capitalista ou social-democrata, isolacionista ou intervencionista? Parece depender do que for prático no momento, mostrando um vazio ideológico preocupante. E é esta a senhora que manda na Europa...
João Jonet


Comentários

Enviar um comentário