A Morte do Elefante


Não, o Rei Juan Carlos não foi ao Botswana outra vez. O elefante de que fala o título é o símbolo do partido político que mais influência teve na história do mundo e que hoje em dia definha num deserto de valores éticos e convicções. Outrora o GOP (Grand Old Party) era considerado um exemplo, um partido que, com vontade e moderação, reformara profundamente os Estados Unidos e os pusera no caminho para serem a maior potência do Mundo.

Grandes Presidentes com Abraham Lincoln, Theodore Roosevelt, Dwight Eisenhower, Ronald Reagan ou George H.W Bush são alguns exemplos do legado de um partido que foi criado com o único objetivo de acabar com a escravatura e que só teve de esperar 6 anos desde a sua fundação para ganhar a Casa Branca. Hoje, este partido de nobre e rica história desintegra-se ideológica e moralmente, cai no populismo e na loucura e elege como seu mais alto representante um homem que espelha esta decadência em todo o seu esplendor: Donald Trump.

Sabe-se lá porquê, o Partido Republicano escolheu afastar-se da sua posição moderada  a partir dos anos 60 e tornar as suas chances eleitorais cada vez mais difíceis. Um Partido que lutava pelos direitos das mulheres e dos afro-americanos, que acreditava piamente no liberalismo económico  e no papel dos Estados Unidos como líder ativo do mundo livre, transformou-se numa amálgama de isolacionistas, intervencionistas, maluquinhos das armas, racistas, homofóbicos, pessoas que negam o aquecimento global e protecionistas "a la" século XVII. Defendem descidas de impostos sem nexo e depois aumentam os orçamentos da defesa para criar uma dívida insustentável, que depois esperam pagar com a destruição de programas sociais que nem se comparam em gastos aos da defesa.

Esta irresponsabilidade deve-se maioritariamente ao movimento Tea Party que, supostamente, nasceu devido a uma vontade do povo americano de deixar de ter o Governo nas suas vidas (uma causa nobre e que eu apoio), mas que, de facto, só apareceu porque o Sul e Interior dos Estados Unidos se encontravam sob a Presidência de um afro-americano. O racismo institucional dentro do Partido Republicano nunca é reconhecido, apesar de ser uma constante, e é com dissimulado choque que os principais líderes do Partido reagem às declarações racistas  de Trump relativamente a um juiz de origem mexicana que julga a sua suposta Universidade por fraude.  Paul Ryan insurge-se, Marco Rubio condena veementemente e Mitch McConnell revolta-se, mas ninguém retira o seu apoio a Trump.

A partidarização da política americana tornou-a num negócio deplorável, tal como George Washington previra em 1796 no seu discurso de depsedida.

Os Republicanos são os principais culpados pelo aparecimento de Trump, porque andam a difundir a mensagem dele desde que Obama se tornou Presidente e, por isso, não é com surpresa que os vejo a apoiá-lo. Pintaram-no como o maior pesadelo do GOP, mas acaba por ser o seu mais idílico sonho.

Visto isto, só peço aos Republicanos que ainda têm princípios (e que curiosamente se recusam a apoiar Trump) que façam um partido novo que traga de volta os valores do Partido Republicano em que eu acredito, e não este  conglomerado de idiotas liderado por sulistas reacionários e um homem cor-de-laranja.

João Jonet

Comentários