Ai é para falar do Brexit?



Num dia em que todas as atenções se focam no Referendo à saída do Reino Unido da UE, aqui vai a história de Marco Rubio. O Senador da Florida e ex-candidato presidencial disse que a partir do momento que se candidatasse à Presidência, fosse qual fosse o resultado, não se re-canditaria ao seu lugar no Senado.

Esta estratégia punha a maioria Republicana na Câmara Alta em risco, pois ninguém do seu espectro político parecia ter a capacidade de angariação de fundos e a fama do filho de imigrantes cubanos. Com um desastre nas presidenciais a caminho, os Republicanos não se podem arriscar a ver essa hecatombe refletida nas eleições para o Congresso. Para isso, teriam de conseguir que os mais conhecidos e apetrechados candidatos estivessem prontos a usar as suas qualidades para se afastarem de Trump de maneira a manter as maiorias nas duas câmaras.

Só que Rubio insistia em complicar esta estratégia. Nos últimos 3 meses (desde que foi humilhado na primária da Florida por Trump e obrigado a desistir), o Senador delineou um plano de reforma que incluía um emprego de topo no setor privado e uma preparação meticulosa para as presidenciais de 2020. Negou sempre que concorreria de novo, apesar dos continuados apelos de todos os membros do seu Partido (até de Trump). Com o amigo Carlos López-Cantera, Vice-Governador da Florida, na corrida, o atual Senador não via sequer uma aberta para voltar com a sua decisão atrás e tentar concorrer com 5 candidatos que já estão em campanha há um ano.

No entanto, as dificuldades de financiamento de López-Cantera a juntar ao trauma que foi para Rubio visitar o local do massacre de Orlando fizeram-no reconsiderar. O Vice-Governador deu-lhe a sua benção e os representantes Jolly e DeSantis (também com dificuldades de financiamento) decidiram candidatar-se aos seus anteriores lugares para abrir alas para o salvador do GOP na Florida.

Rubio tentará assim vencer o milionário Patrick Murphy (menino-bonito dos Democratas do "Sunshine State") e manter a maioria do seu partido no Senado. É óbvio que o Senador é a melhor hipótese dos Republicanos num Estado muito imprevisível, que Hillary deverá vencer por uma boa margem, mas os riscos são elevados. Se perder ficará com o rótulo de "double loser" do qual poderá nunca recuperar, perdendo-se assim uma das mais promissoras figuras do Partido Republicano. Se ganhar será venerado por todos e voltará a "pole-position" para 2020. Os dados estão lançados.

João Jonet

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