Um Olho no Burro e outro no Elefante: O Fim da Brincadeira



O dia de hoje marca o capítulo final na busca por um nomeado do Partido Democrata. Apesar de a Associated Press ter declarado ontem que Hillary Clinton já tinha os delegados suficientes para garantir a nomeação (a contar com os muitos super-delegados que a apoiam), apenas os resultados de hoje convenceram a campanha de Sanders de que fora derrotada.

Apesar de meses em que Sanders defendeu que a vitória ainda era possível, o sonho pareceu sempre distante. As derrotas em Nova Iorque e na Pensilvânia selaram o destino do Senador há mais de um mês, que desde então anda numa cruzada quixotesca contra tudo e contra todos (ler aqui). Na cabeça de Sanders, uma vitória hoje, na Califórnia, iria fazer a maioria dos super-delegados virar as costas a Clinton e dar-lhe a nomeação. Isto apesar da mais que provável vitória da Ex-Secretária de Estado em New Jersey bastar para lhe garantir a nomeação. 

Os números são esmagadores e com, os cálculos da AP, parecem definitivos. Clinton nem precisava de ir hoje a votos para ser a nomeada, e é no mínimo estranho que Sanders não veja o que é óbvio para toda a gente.

O facto é que Bernie surpreendeu, consegui lutar pela nomeação com o rótulo de "socialista", puxando o "seu" Partido (foi independente até ao ano passado) mais para a esquerda e mais para junto dos jovens e das populações rurais. Sanders apela bastante a possíveis  eleitores republicanos (pessoas com baixos rendimentos, brancas e com pouca educação) e aos mais esquerdistas dos Democratas. Pode ser por ser um "outsider", mas se conseguir trazer estas pessoas para o Partido no longo prazo, criará uma coligação eleitoral invencível.

É preciso é que Sanders admita a derrota e participe ativamente na vida do Partido, apoiando Hilary persistentemente e talvez participando na sua Administração (ler aqui). Porque, se os Democratas querem parar Trump, têm que se unir, e rápido.  

P.S.: No meio desta algazarra toda, ninguém se lembrou de que Hillary é a primeira mulher a ser nomeada por um grande partido nos EUA e, portanto, a primeira mulher com uma real possibilidade de ser Presidente. É um feito histórico, que acabou por ser ignorado por causa das birras de Bernie e dos gritos de Trump.
João Jonet

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