Rajoy ressuscitou!

Rajoy só deverá querer citar Mark Twain, porque de facto os rumores da sua morte foram grandemente exagerados. Durante meses, o líder do PP foi a "ovelha negra" da política espanhola. Ninguém se queria associar ao rosto da austeridade e de uma estrutura partidária envolta num escândalo de corrupção. Pedia-se que se demitisse e desse o lugar a alguém com que se pudesse negociar. Pedia-se que assumisse a derrota e se rendesse à marcha imparável da nova esquerda ibérica que quer mandar com derrotas constantes. Passados seis meses e seis dias do 20-D, o sexto Chefe de Governo da Espanha democrática está numa posição de força que ninguém esperava que alcançasse.
A esquerda espanhola sai destas eleições humilhada. O PSOE perde 5 deputados (pior resultado de sempre) e o Podemos, que esperara ultrapassar os socialistas, fica com o mesmo número de deputados, isto apesar de se ter juntado a um partido (Izquierda Unida), que tinha 2 deputados e 3,7% dos votos. Um fracasso para quem queria tomar o poder para o progressismo.
O Podemos correu um risco, rejeitou formar Governo com o PSOE e com os Ciudadanos (C's) com as sondagens a garantir que conseguiriam ser o maior Partido da oposição, o que, na Península Ibérica de hoje, parece querer dizer vencer as eleições. O risco não compensou e serão agora postos de parte de qualquer solução política, que deverá ser feita entre os únicos partidos com cultura democrática e vontade de construir um futuro e não apenas protestar e "tweetar" coisas inspiradoras.
O C's é um projeto político fantástico, com ideias estruturadas para todos os setores da sociedade espanhola, com especial foco nas leis eleitorais e reformas na justiça. Um partido liberal e de centro, que inspira confiança e cria um melhor ambiente democrático. Estes movimentos construtivos são a única maneira de a democracia continuar a ser apelativa e produtiva.
Mas Albert Rivera não pode andar a fazer "birras". Rajoy não é obviamente o rosto jovem da regeneração de Espanha. Não é um homem que inspire sentimentos fortes ou sequer confiança, mas o povo espanhol deu-lhe mais 52 deputados do que qualquer outro partido e isso deve ser respeitado, até por uma questão patriótica. O C's não pode continuar a "vetar" Rajoy e deve tentar melhorar o governo do PP por dentro com as suas excelentes ideias para Espanha.
O PSOE não foi ultrapassado pelo Podemos, mas foi na mesma humilhado ao perder a Andaluzia (tradicional bastião socialista). No entanto, não parece haver oposição interna a Pedro Sanchéz, que deve continuar na liderança. O Podemos vive na realidade mágica da esquerda radical e "no passa nada". Os caminhos para um "artilugio" (geringonça em espanhol) fecharam-se por culpa dos próprios e agora parecem impossíveis.
A vitória do PP foi clara e a vontade dos espanhóis não pode ser desrespeitada duas vezes em 6 meses. O PP deverá tentar formar Governo com o C's (169 deputados a 7 da maioria) e talvez com algumas forças políticas menores que serão sempre partidos independentistas (de lembrar que a maior força independentista catalã é de direita, tal como a do País Basco e das Canárias), mas mesmo que não consiga, os espanhóis falaram já por duas vezes e só os surdos ou os burros ainda não entenderam: o PP tem de formar Governo (mesmo que minoritário) e Rajoy tem de chefiar esse executivo.
Comentários
Enviar um comentário